#paridadenuncamais

O rapaz que nos atende não deve ter mais do que 20 anos. Um nativo de 1995, diria eu, tal como o Yahoo, o Windows 95 e o DVD. O seu sorriso é tão rasgado como o joelho direito dos skinny jeans que veste e o piercing no nariz condiz com o tom informal, mas educado, com que nos atende. Um rapaz modernaço, como diria a minha sobrinha mais velha, por entre LOLs e hashtags (#love ou #homemdesonho). Mais bem impressionada fico com a sensibilidade com que encara o facto dos meus filhos andarem a correr ruidosamente entre as torres de calças impecavelmente dobradas. Uma espécie de terrorismo infantil a que resiste com uma paciência invulgar para quem nunca soube o que era rebobinar cassetes ou esperar pelos amigos horas a fio antes da invenção do telemóvel. Apesar da diferença de idades, conseguimos falar a mesma língua.

Até que, estava já o meu marido a pagar, começa a sair da boca do jovem um som manhoso que faz lembrar o ruído que fazia a cassete quando a fita se danificava.

Rewind. Play.

–  Quando estiver a passar as calças do seu marido…

Não ouvi o resto das instruções. O Emoji que se colou ao meu rosto deve ter sido de tal decepção que o rapaz viu-se na obrigação de se justificar.

– Sabe, lá em casa é a minha mãe que faz tudo.

Imagino a minha sobrinha anos mais tarde, smartphone numa mão, ferro de engomar de última geração na outra, os LOLs desfigurados pelo vapor. #palhaço #educarpeloexemplo #paridadesóem4015 #resetminds