Sou uma Millennial prematura…

Não é nada pessoal. Mas é como se estivesse na fila da Segurança Social e as senhas tivessem acabado na senhora antes de mim. E, em parte, a culpa é da minha mãe, que podia ter feito render a gravidez, prolongando o prazo de gestação das 40 para as 313 semanas – embora ache que os bebés de 1974 devessem ter direito a honras de Estado, pelas razões óbvias (nem que fosse um ramo de cravos virtuais). Isto para dizer que me sinto profundamente marginalizada em termos geracionais, no sentido que hoje tudo é feito para os Millennials (1980-1996), que, verdade seja dita, têm nome de velho. Tudo é feito para eles, dos telemóveis às viagens, para não falar das vagas de emprego. Sei que neste momento pareço aquela irmã ciumenta da atenção que recebe a irmã mais nova, mas não deixa de ser estranho que as campanhas de marketing se centrem todas na geração Y com um poder de compra que é uma incógnita e um sentido de lealdade muito variável. Já a geração X é símbolo de resiliência, tendo vindo a acompanhar o ritmo brutal de mudança que todo os dias põe à prova a sua capacidade de adaptação. Não é nada pessoal, mas hoje, como em qualquer sistema, a cooperação entre X e  Y é a chave para a resolução de problemas e para o sucesso da sociedade e empresas – tal como as diferenças entre irmãos contribuem para harmonia familiar. Mais uma vez, obrigada mãe por teres feito tão mal as contas. Vou agora voltar para a incubadora. A ver se saio de lá com um startup milionária.