Pediu um bitoque? Be afraid…

Estava num restaurante, numa salinha como aquelas reservadas a fumadores, só que ninguém estava a fumar. Havia outra sala, com mais espaço entre as mesas, um ambiente bem mais arejado e grandes janelões. Talvez fosse da luz, mas daquele lado os clientes tinham um ar algo pálido. Talvez fosse do calor que se fazia sentir naquela salinha interior, mas do meu lado as pessoas estavam ruborizadas. Comiam, de uma forma estranha, como se pedissem desculpa a cada garfada, ao mesmo tempo que evitavam dar quaisquer sinais exteriores de prazer. De vez em quando os caras-pálidas abanavam os rostos anémicos  e apontavam os dedos ossudos aos pratos dos caras-vermelhas, com poças de suco escuro a manchar a faiança branca. Os ruborizados estavam claramente em desvantagem numérica, de tal forma que, no fim da refeição, sujeita a um imposto especial, tiveram de ser escoltados para fora do restaurante, à porta do qual uma multidão de pessoas a cheirar a couve kale exibiam cartazes de vacas felizes.

Foi então que acordei. Não passava de um pesadelo.

Naquele dia fui almoçar à tasca de sempre. Pedi um bitoque com batatas fritas e ovo a cavalo (criado ao ar livre, juro!). Nunca se sabe quando será o último.