Matem a mãe da sala

No sentido figurativo, é claro. Como estão as coisas, o mais certo é já haver por aí uma Associação Portuguesa para a Defesa das Mães de Sala ou um grupo fechado de Facebook a medir os gomos de laranja per capita distribuídos nas cantinas escolares públicas – controlar a praga seria, no entanto, uma medida importante para defender o ambiente e a sustentabilidade das reuniões de turma. O tipo de Mãe de Sala que desperta os meus instintos mais homicidas é do tipo que, tendo falhado, todos os outros cargos políticos, procura agora exercer o seu poder usando as criancinhas como pretexto e usando a sua própria criancinha como sua mandatária dentro da aula. É do tipo que adora inventar projetos para famílias que não toleram mais deadlines, muito menos passar fins-de-semana inteiros a decorar cartolinas com lixo encontrado nas praias durante as férias. Ou a escrever textos sobre o golfinho roaz, em vias de extinção. Ou a fazer powerpoints sobre Aristides de Sousa Mendes pela trigésima vez. Basta! Isso só me dá vontade de ir para o oceano numa grande boia-unicórnio de plástico a beber canecas de chá de comércio injusto gelado em catadupa e com palhinhas absolutamente não sustentáveis! Mas ano após ano, sorrimos e acenamos, porque o trabalho da mãe de sala vai além do massacre a pais e professores. Há as atas, as reuniões com as associações de pais e a organização de eventos de team building com uma capacidade de destruição massiva.  E, depois, eu não sou elegível para o cargo. Ninguém votaria em alguém que troca pais e filhos mesmo que as orelhas de abano não deixem margem para dúvidas. Ninguém  votaria em alguém que insiste em manter o Dumbo afastado da mãe.