Como meti a pata na poça da Comporta

A família do chapéu ao lado é bastante extensa e bem representativa da praia da Comporta. Três gerações bem parecidas, com a voz bem colocada do CDS PP e andar confiante de sportinguista. Homens, velhos e novos, com calções Vilebrequin. Entre o sexo feminino, as adolescentes esguias e louras cobertas por folhos Cantê, as mães de meia-idade com a região trabalhada pelo Pilates bem demarcada pelos fatos de banho Papua e as mais velhas um festival multimarcas do El Corte Inglés. Os meus filhos caladinhos, a tentar decifrar o estranho dialeto que ali vai. Eu a curtir o silêncio, a pensar que temos de vir cá mais vezes, que as crianças vão finalmente aprender a conjugar os verbos na terceira pessoa do singular e que até agora a nossa moda praia corrente está a passar despercebida. Até que a minha filha dá uma de benfiquista.
– Ó mãe! Está ali a Pata, a Peta, a Pita e a Maria da Conceição (este último nome dito num tom ligeiramente mais baixo). E a Pota ficou em casa foi?