Livros de auto-destruição

A minha filha entrega-me um desenho. Fico feliz por me ter desenhado maior do que o pai. Não, não quer dizer que ela ainda não domina as proporções, quer dizer que sou muito importante para ela, que sou o sol da sua vida. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, me daria o devido valor, que iríamos desenvolver aquela ligação fortíssima entre mãe e filha.

Lembro-me de quando desenhou o mano e o pai perto de si e e eu lá longe, com a culpa pesar-me nuns ombros demasiados pequenos para a cabeça grande e triste.

Ainda com os olhos cheios de lágrimas, esforço-me por encontrar na parede o lugar ideal para pendurar o desenho do reconhecimento, quando a minha filha volta a entrar na cozinha.

– Mãe, esqueci-me de te dizer que me enganei: fiz-te maior do que o pai. É que tu não és tão alta.

Bolas, tenho mesmo de parar de ler aqueles livros de auto-ajuda que oferecem dicas de psicologia infantil. Ok, só mais uma vez para ver o quer dizer quando as crianças pintam a camisola da mãe às bolinhas. Serei demasiado controladora?