Do 2001 ao LUX

– Mãe, faltam mais de 80 anos para tu morreres, não é?

Tão bom. Mas dou-lhe mais uns 8 anos para começar a revirar os olhos sempre que eu fizer alguma coisa que ela considerar inadequada para a minha avançada idade. O que torna o envelhecimento tolerável é realmente o facto de não nos sentirmos a envelhecer do ponto de vista psicológico. E os 40 são tramados. Não, os 40 não são os novos 20, temos pena, excepto no seguinte: aos 20 não somos crianças mas também ainda não somos adultas.  Aos 40, não somos novas nem velhas. Somos aquela coisa horrível de mulheres de meia idade. É uma categoria meia enfadonha, como se tivéssemos apenas direito a meio orgasmo ou coisa assim. E sabem o que é que hoje se chama a um conjunto de pessoas de meia idade? Uma festa dos anos 80 com o Robert Palmer num loop infinito e o médico que nunca chega para o acudir. Que aflição!
Convenço o meu quase cinquentão a ir ao Lux. Deixo-o levar a guitarrinha invisível com que ele gosta de dançar desde as quintas feiras no 2001, para que não se sinta meio deslocado em 2015. A noite está a correr bem, até conseguimos acompanhar a batida sem destoar. Estamos enturmados. Olha a selfie. É top!
Vou à casa de banho retocar o batom, hoje nada será feito pela metade.
– Benedita, deixa passar a cota.
Olho em volta. A cota sou eu.
Respondo, a minha meia maturidade diluída pelo dois vodkas limão.
– Já está na hora do Vitinho, não?
– Quem?
Fico meia chateada (completamente chateada só a partir dos 60)
– Amor, mete a guitarra no saco, vamos embora.
So beat it, just beat it!