Bom ano novo!

Em contagem decrescente para o regresso à escola e ao trabalho. Sempre achei ser esta a altura certa para se inaugurar um novo ano, com direito a tachos amolgados, fogo de artifício e resoluções impossíveis. Três semanas de férias que remetem os três meses de outros tempos para outra vida, em que as aulas vinham acabar com um ligeiro e secreto enfado de fim de verão. Os cadernos com as aventuras de um ano inteiro por preencher, a que nem os piores alunos resistiam e por estes fadados a gatafunhos de quem preferia aprender com os erros. As primeiras páginas de um entusiasmo sublinhado a fluorescente, que desembocaria numa enxurrada de rabiscos a carvão. Hoje, os meus cadernos já vêm pautados por uma rotina que grita previsibilidade mas que nas entrelinhas me sussurra segurança. Há menos espaço para variações, anotadas a lápis, a medo, pois agora sei que as surpresas não são boas (nem más!) por definição. Saúde e dinheiro,  o X e o Y no mundo dos adultos, são as variáveis mais complexas numa equação em que todos os dias troco a adrenalina do incógnito pela monotonia da ponderação. E não sou menos feliz por isso.

Bom ano novo!