Portuguesa dá cartas no poker

Tal como em muitas outras áreas tradicionalmente masculinas, também no poker as mulheres começam a marcar presença. Depois de se tornar campeã olímpica de hóquei em campo, a portuguesa Fátima Moreira de Melo está a dar nas vistas no poker.

A campeã Fátima Moreira de Melo é mais uma mulher a render-se ao poker.

Cada vez mais mulheres estão a desempenhar funções tradicionalmente entregues aos homens. Algumas tornam-se mecânicas, pilotos de avião, e outras jogadoras profissionais de poker, pilotos de automobilismo, ou até mesmo presidentes de países – o número de países que tiveram uma líder feminina duplicou desde 2000, ainda que essas mulheres representem menos de 10% dos 193 Estados-membros da ONU. Lentamente, as mulheres estão a conseguir inserir-se e destacar-se em áreas antes pouco povoadas pelo sexo feminino. É natural que isso ocorra, pois independente do género, o talento deve ser destacado por meio do mérito, esforço e desempenho.

Para começar, que tal o desporto motorizado? O Dakar pode ser conhecido como o rali mais difícil do mundo, mas dizer que é uma competição apenas masculina seria injusto. Desde a primeira edição em 1979, ao longo dos anos, 32 mulheres participaram da categoria de bicicletas, das quais 23 terminaram o árduo rali. A espanhola Laia Sanz é talvez a que mais se destacou na categoria até ao momento. Ao terminar no 16º lugar o último Dakar, a espanhola tornou-se na mulher que mais vezes terminou a prova em duas rodas e sempre como a melhor representante do sexo feminino. No total foram sete as vezes que Laia Sanz conseguiu superar as dificuldades de 15 intensos dias de competição numa história que começou em 2011.

Portugal também possui a sua representante no mundo dos ralis. Madalena Antas, filha de Teresa Cupertino, herdou da mãe o gosto pela aventura. Porém, no exterior, a neta do fundador do Banco Português do Atlântico – Arthur Cupertino de Miranda – é notícia pelo facto de associar uma beleza angelical à paixão pelas corridas. A portuguesa participou do rali Lisboa-Dakar em 2007.

Carina Lima é outra portuguesa em destaque quando o assunto é velocidade. Nascida em 1979, desde muito nova se apaixonou pelos motores. No entanto, Carina começou a correr apenas em 2012, quando teve uma pequena  participação no Campeonato de Portugal de GT, dirigindo uma Ferrari 430. A piloto de corrida abandonou o anonimato quando foi notícia pelo facto de ter adquirido um Koenigsegg One:1. Tornou-se assim, a primeira mulher a ter esta máquina sueca, avaliada em 5,5 milhões de euros e que vai dos 0 aos 400 km/h em 20 segundos.

Filha de diplomata português e campeã olímpica de hóquei em campo, Fátima Moreira de Melo também decidiu dedicar-se a uma profissão dominada pelo sexo masculino. Natural da Holanda e habituada à alta competição, Fátima Moreira de Melo virou-se para o poker depois de terminar a carreira de hóquei com a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim. Estava habituada a jogar com amigos, quando começou a tomar o gosto pelo poker. Nunca mais parou: hoje, é uma das jogadoras mais respeitadas globalmente na versão clássica da modalidade, o Texas Hold’em. Cada vez mais, o fenómeno do poker está a ganhar raízes entre o universo feminino, despertando o seu interesse por este deporto. E a verdade é que apesar de as mulheres estarem ainda em menor número do que os homens no poker, a sua presença é cada vez mais notada.