Mais mulheres no topo, maiores lucros

Um estudo mostra que a liderança feminina pode aumentar o lucro das empresas, mas as mulheres continuam longe de alguns cargos de topo e direção. Elas estão mais bem preparadas, mas pior posicionadas.

Apesar do argumento económico a favor da diversidade de género nas equipas diretivas, a paridade é uma miragem

Apesar de alguns esforços já feitos em muitos países para combater a desigualdade de género, um estudo feito recentemente pela The Peterson Institute for International Economics e a consultora EY – em 91 países e em mais de 22 mil empresas de várias indústrias e setores – mostrou que em quase um terço das empresas analisadas não há mulheres em lugares de administração (60%), como executivas de topo (50%) e menos ainda como CEO (5%). Porém, o mesmo estudo revela que uma empresa com cerca de 30% de mulheres na liderança pode ajudar a aumentar em seis pontos percentuais os seus lucros.

O tema não é novo mas continua longe de mostrar resultados mais animadores e a nível mundial as disparidades entre países são também assustadoras. A começar pelo facto de haver mais homens a ocupar lugares para os quais as mulheres estão muito bem ou mais bem preparadas.

A paridade continua longe

De acordo com o estudo do Peterson Institute, nenhum país atingiu ainda a paridade de género. Há sinais positivos, dizem os consultores, mas grandes diferenças entre eles também. No México, por exemplo, a participação das mulheres nos conselhos de administração situa-se nos 4% e na Noruega está nos 40%. Os setores das telecomunicações e utilities, assim como os financeiros e os da saúde, são os que têm mais executivas de topo. Indústria, energia, matérias-primas e tecnologia continuam muito mais dominados por homens.

A diretiva comunitária de 2012, que definiu como objetivo aumentar até 2020 a proporção de mulheres nos cargos de administração não executivos até 40% e para 33% em todos os cargos de chefia, não está a ser aplicada com a celeridade necessária.

Em Portugal, o objetivo é o de as empresas cotadas conseguirem colocar um terço de mulheres nos lugares de topo, enquanto que no setor empresarial do Estado o estabelecimento de quotas é para cumprir até 2018. Em junho de 2015 apenas 13 empresas cotadas – nove do PSI 20 – assinaram um acordo para que os conselhos de administração sejam compostos, pelo menos por 30% de mulheres.

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