Um “salto” a Évora

Pode parecer estranho que alguém vá de Lisboa a Évora para ir a uma discoteca. Mas foi o que fiz, numa sexta qualquer deste ano. Não pelo gozo que me dá sair à noite, ou muito menos pelo prazer de ir a uma discoteca, que é tendente para zero, mas sim porque estava a fazer um dossier temático sobre sidras em Portugal, e os proprietários da Praxis eram estavam na calha para responder algumas perguntas sobre o tema.

Um verdelho alentejano

Antes tinha passado alguns bons momentos no Café Alentejo, bem perto da Praça do Giraldo, por indicação da simpática menina da recepção do hotel onde nos alojámos nessa noite. Cheio e com um serviço q.b., apesar de o preço pedir um pouco mais, tem uma decoração sedutora e agradável que lembra a tasca a que deve ter sido outrora, onde predominam as pedras e a madeira. Quando às entradas que comemos, eram saborosas mas de pequena dimensão para o preço. Mas foram compensadas pelo tamanho da sopa de peixe com hortelã da ribeira que comemos, bem apaladada e digna de repetições, que foram feitas com prazer.

Mas o que destaco mais nesta casa é a oferta de vinhos alentejanos, bem seleccionada e variada, com preços comportáveis para todas as bolsas. No nosso caso, optámos por um Paulo Laureano Verdelho Maria Teresa de 2014, fresco e elegante, com sugestões de fruta branca e de caroço e uma boca séria e fresca, com mineralidade, que acompanhou bem o prato principal. Bem retemperados de forças, partimos para uma viagem nocturna pelos meandros de uma cidade aparentemente deserta, aqui e ali pontuada por grupos de jovens que foram crescendo de dimensão com o tempo, certamente a preparar-se para viver com intensidade a madrugada.

Antes da ida à discoteca para a entrevista, e por volta das 24h, ainda tivemos tempo para uma paragem retemperadora para um cacau e um par de empadas no Café Estrela de Ouro. Valeu a pena.

À descoberta da Universidade

No dia seguinte, e recuperados de uma noite mais longa que o habitual, fomos conhecer por dentro o edifício da Universidade, e em boa hora o fizemos. Paga a entrada, percorremos lentamente as salas do claustro, todas ornamentadas com os azulejos originais, do período em que os jesuítas geriram os seus destinos, entre 1559 e 1759, ano em que o Marquês de Pombal mandou encerrar a instituição em consequência da expulsão desta ordem do território nacional.

E vale bem a pena parar em cada uma delas, nem que seja para imaginar o docente leccionando a partir da cátedra, espécie de púlpito existente em todas as salas visitadas no piso térreo, com os alunos sentados nos bancos corridos encostados à parede. A verdade é que é difícil descartar, da visão, as muitas carteiras actuais destinadas aos estudantes, e o resto dos atavios necessários à execução actual das aulas da universidade. Este estabelecimento de ensino voltou a estar activo a partir de 1973 e, nesse sábado, decorriam algumas aulas de pós-graduação em algumas salas de aula, numa pequena amostra do que deve ser o bulício aos dias de semana.

O claustro da Universidade de Évora merece uma visita.

Depois de uma passagem rápida pelo museu da cidade, que certamente merece mais tempo, e de uma ida ao Páteo de S. Miguel para uma paragem para ver a colecção de carruagens da família Eugénio de Almeida, e saber um pouco mais sobre a sua história, fomos até ao objectivo principal do dia, a Enoteca da Cartuxa, bem próximo, para uma sessão de petiscaria.

Vista sobre a cidade da cafetaria da Fundação Eugénio de Almeida.

Espumante e petiscos

O parceiro vínico foi o espumante Cartuxa Rosé 2013, fresco, seco e longo na boca e de aromas onde se salientam a fruta branca, citrina e vermelha. Ficou particularmente bem com o primeiro petisco, Lulas salteadas com malagueta, tomilho limão, gengibre e cogumelos, um prato fresco e equilibrado, bastante agradável. Também se bateu bem com a Salada de coelho assado, avelãs, maçã e tomate seco, e a Língua de vaca laminada com tomate, cogumelos e hortelã, um prato bem equilibrado de aromas e sabores.

Espumante rosé em boa companhia.

Lulas salteadas com malagueta, tomilho limão, gengibre e cogumelos, um prato fresco e equilibrado.

Retemperados por bons sabores e aromas, e um pouco mais ricos de património e cultura após uma visita a um dos centros mais belos das cidades portuguesas, deambulámos mais um pouco antes de por rodas ao caminho.