Aventura com os golfinhos em S. Miguel

 

Golfinho pintado do Atlântico e Cagarras em plena pesca do chicharro (carapau).

É difícil de imaginar o deslumbramento que sinto quando vejo um bando de golfinhos a fazer as suas tropelias em pleno oceano. Por isso, a viagem que fiz a S. Miguel, com a família, tinha naturalmente de englobar um passeio, em mar aberto, para observar cetáceos.

Escolhi a Futurismo, não só porque já tinha experimentado e ficara satisfeito, mas também porque sabia que têm barcos grandes, onde se está mais confortável que nas habituais embarcações de borracha, mais ligeiras e rápidas. Em boa hora o fiz. Tive direito a catadupas de golfinhos, em várias sessões e em bandos de maior ou menor dimensão, e senti-me realizado, apesar de só ter visto duas espécies: golfinho vulgar e pintado. Tivemos direito a corridas com a embarcação, a saltos e diversos tipos de cabriolas e inclusive observamos os “bichos” na companhia de cagarras, ave muito comum nos Açores, a alimentar-se de cardumes de carapaus (chicharros, segundo os locais), que se juntavam em bolas de maior ou menor dimensão, visíveis de fora de água, para se defender.

A Lagoa do Fogo vista do Miradouro do Pico da Barrosa.

A banhos na Caldeira Velha

Na mesma volta fomos ao Miradouro do Pico da Barrosa, um dos pontos mais altos da ilha e também uma das melhores vistas entre as vistas que temos em qualquer recanto da ilha. Ao fundo, a Lagoa do Fogo parece que nos quer atrair para as suas águas encantadoras e eu, se soubesse voar, acho que não conseguiria resistir. Mais abaixo demandámos a Caldeira Velha para banhos quentes, e resistimos o mais que pudemos aos apelos da guia para seguir viagem.

A banhos na Caldeira Velha.

Plantação de chá de Porto Formoso.

Nos dias em que estive em S. Miguel, fui também às casas produtoras de chá da Gorreana e Porto Formoso, pela quinta vez, porque vale sempre a pena lá ir. Também voltei ao Cais 20, para saborear cracas de novo, até porque estão ainda melhores em Setembro, e porque é um lugar onde se come bem e está aberto durante muitas horas por dia. Gostei bastante da carta de vinhos, extensa e apelativa, com preços bem mais em conta do que no continente. Porque estava apenas a 14 euros, optei por um Branco da Gaivosa com alguns anos para começar, que estava “muito satisfatório”, como diria Nero Wolfe, uma dos meus detectives privados preferidos de ficção policial.

A imperial de cerveja Especial, no entanto, continua a deixar um pouco a desejar, principalmente em relação a outras casas onde também fomos e à Cervejaria A Lagoinha, em Água de Alto, tasco onde se tem de ir para provar a cerveja à pressão mais bem tirada da ilha. Para mim foram pelo menos três imperiais, na companhia de um pires de tremoços bem temperados, enquanto acompanhava a tareia que a selecção de futebol alemã dava a uns incautos quaisquer na televisão.

Uma banca de peixe do Mercado da Graça, durante uma tarde calma de semana.

Nesse dia de manhã tinha passado mais uma vez no Mercado da Graça, não só porque tenho alguma atracção por este tipo de sítios, como também porque este é o sítio certo para observar o peixe. E foi isso que fiz, de forma mais demorada, sem conseguir resistir a salivar um pouco perante a amostra de bonitos, bocas negras, vejas, bicudas e por aí adiante. Também parei no rapaz que vende copos de ananás aos quadrados, que souberam ao céu, e no Rei dos Queijos para alguns bolos levedos, massa sovada e uma porção de Queijo de S. Jorge sem selo, que são coisas indispensáveis para ter no quarto.

 

Bife à Regional, com o indispensável pimento.

Bife à Regional

Na estada mais recente na ilha fui também ao restaurante da Associação Agrícola de S. Miguel, mas não gostei muito da experiência, se calhar porque estava à espera de muito mais dos seus bifes, e a muitos mais sítios de comer, onde cedi muitas vezes ao pecado da carne. Uma das melhores experiências que tive foi no Taberna Bay, em S. Roque, onde deveria ter prolongado o prazer que me deu o Bife à Taberna, cortando pedaços mais pequenos. Infelizmente esta casa já fechou.

Também tive de ir ao Alcides, para matar saudades do seu bife, que vem quase torrado por fora e vermelho vivo por dentro. Fez-nos bem na companhia de um Maçanita Touriga Nacional Rosé, que escolhi porque me estava a apetecer o dueto. E foi assim que me despedi das refeições na ilha, mas não da sua comida, pois trouxe, como não podia deixar de ser, bolo levedo e massa sovada, mais porções de Queijo de S. Jorge e da Graciosa que o Milton Bernardo, do Príncipe dos Queijos, me convenceu a trazer. E em boa hora o fez, como sempre tem acontecido quando aceito as suas sugestões.