Dona Elvira: uma experiência saborosa

No Dona Elvira, em Braga, há um rol de coisas simples, saborosas, feitas de bons produtos, para serem apreciadas devagar usufruindo da paisagem, se possível.

Sentado bem próximo da janela, com vista panorâmica para a paisagem, preparei-me para viajar nos sabores do restaurante Elvira, em Braga. A sala, ampla e decorada de forma sóbria e elegante, é entrecortada a meio por uma peça de arquitectura que contribui para dar um ar mais acolhedor ao espaço.

O pretexto, lançado pelo meu amigo Agostinho Peixoto, presidente da Confraria do Pudim Abade de Priscos e bracarense de gema, foi provar duas garrafas de champanhe De Sousa, de uma família portuguesa radicada em França há algumas gerações, um base de gama e um blanc de blancs, na companhia de uma diversidade de pratos. Foi assim que foi chegando uma travessa com pares folhados de queijo, com massa no ponto mas pouco sabor, pastéis de bacalhau gostosos e como devem ser feitos, e rissóis de carne agradáveis. Melhor ainda estava a salada simples de alface e salmão fumado, decorada com o tempero de vinagre balsâmico.

Entretanto a proprietária e cozinheira, Elvira Silva, de ar discreto e delicado, acrescentou à mesa polvo panado, tenro e saboroso, na companhia de grelos, o dito molusco à lagareiro com alguns pequenos e finos troços de cebola e um trio de secretos de porco grelhados, no rodopio de entradas que terminou com um paralelepípedo de dimensões adequadas de posta, de carne tenra e suculenta, decorada com algumas fatias de alho e acompanhada por espargos verdes no ponto.

Já estávamos um pouco pejados, mas Elvira, com aquela teimosia suave que só as mulheres sabem ter, disse que tínhamos de provar o seu arroz de robalo, e ele veio. Saboreei o primeiro, bem molhadinho e decorado com algumas fatias de pimento verde e vermelho. O segundo era fresco e estava suculento, como deve ser qualquer peixe saído há pouco do mar. Era de tal maneira irresistível que tive de dar conta de ambos, já que não podia ser de outra maneira.

No fim, já positivamente extenuado por tantos bons sabores, apreciados na companhia das duas garrafas de champagne De Sousa (primeiro um base de gama muito champanhês, com as notas de fermento, brioche a salientarem-se entre os seus aromas, depois um Chardonnay elegante e quase perfeito na boca, que foi abrindo e evoluindo positivamente com o tempo no copo), adocei a boca com Pudim Abade de Priscos, o ponto final de uma refeição “muito satisfatória”, como diria Nero Wolfe, personagem literária e detective privado nova-iorquino, com especial paixão pela comida, criado por Rex Stout. Depois de dados os elogios à cozinheira, e findos cafés e aguardente CRF Reserva, pés para o hotel que estava na hora da deita.

Informações úteis

Restaurante Dona Elvira
Endereço: R. da Marginal, Braga
Telefone: 253 628 938