A arte de Fernanda Lamelas é para usar

Falámos com a arquiteta e artista a propósito da sua mais recente aventura empreendedora, a Fernanda Lamelas Arts, marca na qual cria acessórios de luxo, como lenços de seda, com motivos desenhados por si.

O desenho é uma paixão e um talento que Fernanda Lamelas desenvolve desde a infância e que hoje é a base do seu mais recente negócio.

A paixão pela Arte vem-lhe da infância. Desde então, Fernanda Lamelas não parou de desenhar, reproduzindo os seus locais preferidos, as cidades que ama, pormenores de monumentos e edifícios que a encantam, e também os novos lugares que descobre nas suas viagens pelo país e pelo mundo.

Formou-se em arquitetura, construindo uma sólida carreira que a levou a assinar projetos para casas particulares, escritórios e dezenas de espaços comerciais de renome em todo o país. Ao mesmo tempo, trabalhou durante anos na representação de marcas internacionais de luxo em Portugal. Recentemente, decidiu que era tempo de lançar a sua própria marca e assim nasceu a Fernanda Lamelas Arts, o projeto para o qual cria coleções de acessórios de luxo com padrões nascidos dos seus desenhos. Começou com 5 coleções de lenços de seda, inspirados em detalhes da arquitetura de monumentos e locais lisboetas, que entretanto se alargaram a outro tipo de peças e inspirações, feitos em exclusivo para clientes particulares e institucionais. E estas peças delicadas vão começar a viajar para fora de portas, como nos explicou a arquiteta e empreendedora.

A sua paixão pelo desenho nasceu do percurso na arquitetura ou é anterior a ela? Quais as suas grandes fontes de inspiração?
Desde sempre fui apaixonada pelo desenho. Guardo comigo vários desenhos meus que já fazia no tempo da Escola Primária, e mesmo anteriores. A minha fonte de inspiração é tudo: é o mundo, é saber olhar e saber ver, essa é a essência da inspiração.

 

Alguns dos pormenores arquitetónicos do Convento do Carmo foram a inspiração para a coleção “Carmo”.

Como surgiu a ideia de negócio para criar a marca Fernanda Lamelas Arts e para estas coleções de lenços?
Paralelamente à minha atividade de arquiteta, toda a minha vida colaborei com o meu marido na distribuição de marcas de luxo internacionais. Sentimos que estava chegado o momento de lançarmos a nossa própria marca. Dentro e fora do País, conhecia imensas pessoas que apreciavam os meus desenhos. Além disso sempre gostei e colecionei lenços e écharpes de todas as cores e formas. Um dia que decidi que iria criar desenhos e pintar aguarelas inspiradas na arquitetura portuguesa, para depois imprimir em lenços de seda 100% feitos em Portugal. E assim nasceu a marca.

Quando cria estas peças, pensa-as para que tipo de mulher?
Penso numa mulher cosmopolita, internacional, apreciadora do que é bonito e bem feito.

Tem projetos para desenhos em outro tipo de materiais, peças ou objetos?
Comecei com lenços de seda e já avancei para gravatas de seda. Tenho em projeto levar os meus desenhos para outros acessórios em materiais nobres, como o ouro e a prata.

Lenço e desenho original da coleção Neptuno.

Para além das coleções à venda na sua loja online, também desenhou lenços exclusivos para museus, monumentos ou locais selecionados, como o hotel Valverde. Como desenvolve estes projetos específicos?
Após estas 5 coleções iniciais, já desenvolvi muitas outras. Esse é um dos trunfos da marca, poder estar constantemente a criar novas coleções feitas por medida, que podem ser para clientes finais, instituições, museus, eventos específicos, etc. Também já estabelecemos contactos com parceiros internacionais para desenvolver coleções temáticas. Ao trabalhar com instituições, empresas, museus ou locais diversos, olho primeiro para o todo e tento identificar quais são os detalhes, as cores, que realmente possam identificar o mesmo. O desenho final tem que ser facilmente reconhecido.

Já está feita a identificação de instituições nacionais para quem gostaria de trabalhar. E são muitas. Neste momento necessito é que o dia tivesse mais de 24 horas para eu poder desenhar e a pintar tudo aquilo que gostaria e que já tenho a germinar na minha cabeça.

Enquanto empreendedora, em que medida as suas experiências profissionais anteriores a ajudaram a desenvolver este projeto?
Durante vários anos pude conviver com marcas de grandes grupos internacionais de luxo, como Chaumet, Dior, H. Stern, Mikimoto e outras, que distribuía em Portugal. Agora, estamos a inverter a direção: estamos a criar uma marca portuguesa para ser distribuída em Portugal e no mundo.