Jovem empreendedora? 4 atitudes para ser levada a sério

Muitas empreendedoras revelam que um dos seus maiores desafios em início de atividade foi o de vencerem preconceitos relativos à sua juventude, por parte de potenciais parceiros de negócio e investidores. Eis algumas formas de provar aos céticos que estão errados a esse respeito.

Elaborar um bom plano de negócios e cultivar uma boa rede de contactos, desde cedo, são passos decisivos para se estabelecer no mercado, independentemente da idade.

Mesmo num mundo de economia digital e novas tecnologias, onde a inovação, criatividade e capacidade de adaptação à mudança são os mantras para negócios sustentáveis, as gerações mais jovens de empreendedores – que apresentam maior potencial nestes predicados – têm, muitas vezes, de lidar com algum paternalismo e cetiscismo quando se apresentam no mercado.  A credibilidade conquista-se com provas dadas, é certo, e os mais jovens têm de lutar bastante para serem vistos com mais seriedade por potenciais clientes e parceiros de negócio. Mas os estudos provam que esse desafio pode ser ainda maior para as jovens empreendedoras. No entanto, há estratégias que podem ajudar a fazer este caminho de forma mais rápida e sólida.

Apresente um plano de negócios bem estruturado

É sabido que este é o primeiro passo para todos os que querem entrar no mercado, mas muitas vezes os jovens empreendedores apaixonam-se mais pela ideia do que pela necessidade de apresentarem provas sólidas de que ela pode ser rentável. É essencial fazer as contas ao investimento necessário em equipamento, tempo, matéria-prima, salários, seguros, taxas, rendas ou pagamento de prestações de crédito e outras despesas fixas e variáveis, indispensáveis ao arranque, como aconselha Lea Strikland no site Fast Company. Calcular preços médios de venda por unidade, apresentar uma estimativa de breakeven (o número de vendas que vai ter de fazer até cobrir o investimento inicial), avaliar a sua capacidade de gerar esse volume de vendas, estabelecer uma meta de lucro e quanto vai ter de produzir e vender a mais até o atingir, também é fundamental. Mostre que tem uma boa noção do negócio a 360.º, estabelecendo um público-alvo, identificando a sua concorrência, formas de produção, potenciais canais de distribuição e estratégias de divulgação e promoção. No fim, reveja tudo até chegar a um plano em que a rentabilidade não seja apenas uma ideia baseada no pensamento positivo. É uma das partes mais custosas, mas vai ajudá-la a destacar-se e a ser tomada em consideração, independentemente da sua idade.

Faça bem o trabalho de casa para uma abordagem mais eficaz

Antes de uma reunião de negócios, nada melhor do que fazer uma boa preparação, investigando detalhes sobre a empresa ou marca a quem vai apresentar-se, que podem fazer a diferença e servir para quebrar o gelo no início do diálogo. Além de se informar sobre o background da empresa e do seu negócio, não dispense uma visita ao site para ler os últimos comunicados e notícias, informando-se ainda sobre a missão e objetivos da empresa. “Se vai para uma reunião de negócios ‘mais ou menos’ preparada, já perdeu a batalha”, lembra o empresário de marketing digital, Jason Parks, num artigo de opinião para a associação norte-americana Young Entrepreneur Council. “Não é apenas na sua área de negócio que precisa de ser especialista, mas também na área da outra pessoa. Vai ficar surpreendido com o quão bem impressionado ficará um potencial cliente ao perceber que tomou as diligências necessárias para se preparar para aquela reunião.”

As redes sociais como o LinkedIn ou até Facebook são ferramentas úteis para este fim, mas também lhe permitem saber detalhes mais pessoais sobre o seu interlocutor, como as escolas onde estudou, as empresas onde trabalhou antes e outros pormenores que denotam interesse e preparação da sua parte, podendo até servir para estabelecer um diálogo mais próximo a partir de pontos em comum entre ambos.

Também é muito importante que antecipe as questões que lhe podem colocar sobre o seu projeto. É normal que lhe peçam dados que constam do plano de negócio ou que a questionem sobre o que a sua ideia trará de novo ao mercado. Ter estas respostas na ponta da língua faz muito pela sua credibilidade.

Nunca é cedo demais para começar a fazer networking

Não espere para ter o seu produto ou serviço cá fora para começar a estabelecer contactos com pessoas que podem vir a ser seus parceiros de negócio ou mentores. E estes últimos são especialmente importantes numa fase precoce, pois vão transmitir-lhe conhecimentos indispensáveis, que muitas vezes não vêm nos livros de gestão, aconselhando-a a não dar passos em falso que lhe podem custar caro, tal como observa o consultor para o empreendedorismo e CEO da PilmerPR, John Pilmer, num artigo para o site Entrepreneur. “Lembre-se que, apesar de as novas gerações serem mais entendidas nas novas tecnologias do que aqueles que já estão no negócio há anos, há, no entanto, princípios básicos que se vão refinando com a experiência. Muitas associações oferecem oportunidades de networking a empreendedores de todas as idades; tire partido delas e vai ficar surpreendido pela quantidade de conhecimento que os seus colegas têm para oferecer.” Mas não se limite a pedir que lhe ensinem a cartilha; mostre-se disponível para ser útil de alguma forma ou para pôr essas pessoas em contacto com terceiros que possam ser conexões interessantes para eles.

Não sabe como conhecer as pessoas certas? Informe-se sobre eventos de networking, sobretudo os que são vocacionados para jovens empreendedores, mas não só; afilie-se em associações profissionais ou empresariais e participe nos eventos que organizam. Envolva-se com a produção de artigos e conteúdos sobre a sua área de especialidade em plataformas como o LinkedIn e troque feedback online com os seus contactos.

Cultive a resiliência (vai precisar…)

Um negócio raramente arranca antes de o empreendedor ouvir muitos “nãos”. Precisa de se preparar para eles sem desanimar, voltando à carga logo que possível, identificando outros potenciais investidores ou clientes, mudando o seu pitch e abordagem ao mercado. Use essas experiências de rejeição para reestruturar ou adaptar o seu plano de negócios – não as encare como algo pessoal, e sim como um processo de aprendizagem necessário e muito útil para chegar ao sucesso. Não atribua uma importância desmesurada a feedbacks mais duros; não deixe que abalem a sua confiança e continue a acreditar em si e no seu sonho – foi esse o segredo do sucesso de outros grandes empreendedores antes de si.