Like? Like!

Muito se tem escrito sobre o comportamento dos consumidores e, em particular, sobre os nativos digitais, ou sejam, todos aqueles que sempre viveram habituados às tecnologias associadas ao mundo digital.

Caminhamos para uma cultura assente no ME(conomy) onde cada um molda e retrata a sua vida de acordo com os seus desejos e critérios. Sempre foi assim, mas esse registo agora é público, porque se partilham todos os momentos (de preferência só os bons).

Um estudo recente da UCLA, em particular do seu departamento Brain Mapping Center é revelador: o mundo dos nativos digitais regula-se pelo número de likes obtidos por cada post publicado (o que não é exclusivo deste público-alvo). Esta investigação publicada no Journal of Psychological Science, que assentou na recolha de observações e comportamentos de jovens entre os 13 e 18 anos, revela que o número de likes é algo tóxico entre os teenagers.

O estudo revela que a sensação de prazer obtida com pensamentos sobre sexo, dinheiro ou gelados está aquém da satisfação gerada com um número significativo de likes, a partir da publicação de uma foto partilhada nas redes sociais.

Esta investigação mediu o impacto na satisfação com recorrência à ressonância magnética, perante imagens projectadas pelo Instagram, entre as quais as dos próprios teenagers. E concluiu-se que, perante um maior número de likes se regista um aumento significativo da actividade neural relacionada com a recompensa e reconhecimento social.

Também apuraram que é mais fácil colocar um like em fotos que tenham que já tenham registado vários likes do que fazê-lo numa que não tenha esse registo, mesmo que se trate de uma foto banal, como um par de óculos, o que evidencia a necessidade de inclusão e pertença ao grupo. O estudo conclui que a intensidade dos likes corresponde a um código de comunicação natural entre os nativos digitais, indicador que parece ser o mais “objectivo” para medir o nível das relações pessoais.

A propósito desta lógica muito centrada no Eu, a American Psychiatric Association publica um artigo sobre este fenómeno, considerando que todos os tiram mais dos que três selfies diárias são reconhecidos como tendo algum distúrbio mental, tendo até criado uma designação para a patologia: selfitis.

Relembre-se a conhecida história de Danny Bowman – http://www.independent.co.uk/news/uk/home-news/selfie-obsession-made-teenager-danny-bowman-suicidal-9212421.html – onde encontramos uma situação extrema de um rapaz inglês de 19 anos, com a obsessão de tirar selfies (mais de 200 fotos diárias) e publicá-las para obter likes. Este registo contribuiu para que estivesse 6 meses sem sair de casa, período no qual perdeu cerca de 15 quilos e abandonou a escola. Na tentativa permanente, mas infrutífera, de registar a selfie perfeita, tentou cometer suicídio.

Hoje, Danny incentiva outros jovens a evitar este vício pouco saudável com as redes sociais, afirmando que “as pessoas não se apercebem que quando publicam uma foto delas próprias no Facebook perdem automaticamente o controle sobre os efeitos imediatos. É uma missão que, na apreciação de quem a coloca, requer aprovação imediata e massiva e, caso isso não ocorra, pode levar à destruição”.

Esta não é uma norma de comportamento exclusiva dos nativos digitais, nem é transversal aos mesmos, mas vai moldando os tempos actuais e formando consumidores totalmente transparentes para quem os pretenda estudar. O marketing e as marcas agradecem!

Livro Recomendado
Right Click: Parenting your teenager in a digital media world, Kara Powell, Art Bamford, Brad M Griffin