O apelido dita sorte e fortuna

What’s your (sur)name? Intergenerational mobility over six centuries assim se chama o artigo dos investidores italianos Guglielmo Barone e Sauro Mocetti recentemente publicado e que coloca em causa algumas ideias feitas sobre a mobilidade social, nomeadamente a que configura o denominado sonho americano. Segundo estas teorias, as vantagens de se pertencer a uma família com dinheiro e status económico desvanecem-se em algumas gerações. No entanto estes dois italianos chegaram à conclusão de que pode não ser bem assim. Compararam os registros fiscais para dinastias familiares, identificado pelo sobrenome, em Florença, entre 1427 e 2011. Muitos dos maiores contribuintes atuais já eram os que tinham os maiores rendimentos no século XV, isto apesar de todos os acontecimentos, perturbações e revoluções políticas, demográficas e económicas que ocorreram nestes cinco séculos.

Como escreveu um investigador italiano, Maurizio Franzini, “os dados dizem-nos que nos Estados Unidos, a família, onde se nasce é muito importante: os filhos dos ricos têm uma elevada probabilidade de serem os mais ricos (em receitas) da sua geração e, inversamente, os filhos dos pobres têm uma probabilidade muito elevada de serem os mais pobres da sua geração. Por outras palavras, a mobilidade socio-económica é baixa ou, usando um jargão mais técnico, a desigualdade é amplamente transmitida de uma geração para a seguinte. Os Estados Unidos não são o único país avançado, onde esta situação ocorre. A transmissão intergeracional da desigualdade é também muito elevada no Reino Unido e Itália; atinge valores médios altos na Suíça, Espanha e França, e valores médios no Japão e na Alemanha. Na Dinamarca, Noruega e Finlândia, os valores são muito baixos”.