O que a tecnologia pode mudar

Segundo Alexandre Nilo Fonseca, diretor executivo do MUDA - Movimento por uma Utilização Digital Ativa, os responsáveis empresariais devem assumir o objetivo da paridade como uma prioridade da sua gestão.

Para Alexandre Nilo Fonseca, a redução da disparidade de género "terá um impacto muito positivo no mercado de trabalho e na competitividade da economia".

A tecnologia desempenha um papel de crescente importância nas sociedades atuais, existindo uma ligação direta entre o nível de utilização de tecnologias de informação e a competitividade das respetivas economias. Não surpreende assim que os países do norte da Europa registem o melhor desempenho entre os seus pares da União neste domínio. Portugal situa-se abaixo da média europeia, embora esteja bem posicionado quanto à existência de serviços e infraestruturas tecnológicas ao dispor da população, o que significa que temos o potencial de rapidamente melhorar a utilização digital sem necessidade de investimentos avultados em tecnologia.

É este o objetivo do Movimento pela Utilização Digital Ativa (MUDA), divulgar o estado atual de utilização da Internet e dos serviços digitais e contribuir de forma positiva para aumentar a sua utilização, assim como aumentar globalmente a utilização básica da Internet pela população portuguesa, através de várias ações concertadas que irá desenvolver. A primeira das quais é incentivar os cidadãos a aferirem o seu nível de utilização tecnológica, recorrendo a um Quiz específico, em MUDA, que indica o respetivo nível de literacia digital. O MUDA tem igualmente como missão apoiar a evolução da legislação para que seja mais favorável à nova realidade digital em que vivemos. O MUDA surge como um um Movimento nacional promovido por várias empresas, universidades e associações e pelo Estado Português que assumem o compromisso de incentivar a participação dos portugueses no espaço digital, contribuindo para um País mais avançado, inclusivo e participativo.

Um dos aspetos fundamentais para garantir a competitividade das economias nacionais passa pela necessidade de assegurar a inclusão de toda a sociedade nesta transformação. Uma importante dimensão, para além dos indicadores nacionais globais de utilização de tecnologia e de participação digital, é a disparidade de género. Esta pode constituir um óbice à transformação digital dos Países, ao permitir que uma percentagem significativa da população ativa apresente indicadores mais fracos na utilização das tecnologias digitais. Segundo o estudo anual de igualdade de género do Fórum Económico Mundial de 2016, Portugal situa-se num pouco lisonjeiro 14º lugar na Europa Ocidental no que diz respeito a este importante indicador de desenvolvimento.

Globalmente, as diferenças de género têm vindo a diminuir na utilização das tecnologias de informação e comunicação, conforme recente estudo da Ericsson, o qual refere que, nas gerações mais atuais (geração Y), a disparidade na utilização de tecnologia reduziu-se a uns poucos expressivos 5%. Uma outra dimensão relevante a ter em consideração prende-se com o desenvolvimento digital dos países e a sua posição relativa no que diz respeito à paridade de género. Neste caso, as economias mais desenvolvidas digitalmente na Europa são a Dinamarca, Finlândia, Suécia e a Holanda, países que também estão nas principais posições na igualdade de género na Europa Ocidental, situando-se na décima, segunda, quarta e oitava posições, respetivamente.

As mulheres representam aproximadamente metade da população ativa no nosso País (dados Pordata), pelo que qualquer redução neste indicador no sentido de uma maior paridade terá um impacto muito positivo no mercado de trabalho e na competitividade da economia. E, uma vez que a tecnologia digital representa uma das principais áreas de crescimento do emprego na União Europeia, a perspetiva é que o défice de profissionais no setor das tecnologias de informação que permitam apoiar o crescimento das empresas, venha a agravar-se. Também por esse motivo, os responsáveis empresariais devem assumir o objetivo da paridade como uma prioridade da sua gestão.

Para que Portugal possa evoluir globalmente enquanto economia e elevar a sua competitividade económica, fenómenos de exclusão ou que perpetuem uma situação de desigualdade devem ser endereçados. Empresas, indivíduos e o Estado devem unir-se para, globalmente, elevar a literacia digital e utilização de serviços online de toda a população, tendo em especial atenção as desigualdades existentes, contribuindo desta forma para uma sociedade mais inclusiva, participativa e para uma economia mais forte e competitiva. Aqui, como em qualquer outra situação, as líderes empresariais devem assumir o seu papel como referência para que outras as queiram seguir, também nesta dimensão digital. É o que o MUDA se propõe a mudar!