Mulheres Mais Influentes de Portugal: Elvira Fortunato

É uma referência na Ciência. Tornou-se conhecida por ter criado o primeiro transístor (chip) de papel, é a primeira investigadora portuguesa a receber a medalha Blaise Pascal, da Academia Europeia de Ciências, e pertence ao Grupo de Alto Nível de conselheiros científicos da Comissão Europeia.

Elvira Fortunato foi distinguida pela Executiva pelo segundo ano consecutivo.

É a primeira investigadora portuguesa a receber a medalha Blaise Pascal, da Academia Europeia de Ciências e pertence ao Grupo de Alto Nível de conselheiros científicos da Comissão Europeia. A licenciada em Engenharia Física pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde se doutorou em Engenharia dos Materiais, recebeu, em 2008, uma das Bolsas Avançadas do European Research Council no valor de 2,25 milhões de euros, para, durante cinco anos, desenvolver trabalho na área da microelectrónica transparente. Tornou-se conhecida por ter criado o primeiro transístor (chip) de papel.

Alguma vez sentiu o “teto de vidro”?
Na minha carreira nunca o senti, embora reconheça que a percentagem de mulheres professoras catedráticas seja inferior relativamente aos homens, por exemplo. Noto também que, em cargos de chefia, as posições ainda são dominadas pelos homens. Contudo, não posso deixar de mencionar que as estatísticas mostram que há mais licenciadas, assim como mais doutoradas em Portugal. Já não somos uma minoria e iremos ter no futuro uma maior igualdade entre géneros nos cargos de chefia.
Se tivermos em conta que no passado as mulheres nem acesso ao conhecimento tinham, não podemos esperar que os números sejam revertidos de uma forma imediata. Aliás, se analisarmos a atribuição dos prémios Nobel, podemos verificar que desde o seu início, foram atribuídos pouco mais de 800, dos quais 50 a mulheres, mas nos últimos 15 anos temos já 20 mulheres galardoadas.

Qual foi a investigação científica que lhe deu mais satisfação?
A investigação que me deu mais satisfação foi sem sombra de dúvida a descoberta do transístor de papel, pois, sendo uma área completamente disruptiva, teve uma visibilidade internacional muito grande, o que nos permitiu alavancar uma área nova no Papel Electrónico e colocar Portugal na linha da frente numa área tecnológica e, quem sabe, “ajudar” a Europa a ter liderança nesta nova área do conhecimento.

Que momento considera ter sido de viragem na sua carreira?
Foi quando ganhei a bolsa do “European Research Council”, tendo sido a primeira mulher em Portugal a consegui-lo e fiquei em primeiro lugar a nível europeu. Para além do reconhecimento, foi possível montarmos um laboratório de Nanofabricação único em Portugal, o que nos permitiu consolidar a investigação, criar riqueza científica e partilhá-la com outros investigadores. Sinto orgulho em ser portuguesa e de ter a sorte de integrar um grupo de investigação liderado pelo Prof. Rodrigo Martins (meu marido), que é uma referência internacional quer na área da eletrónica transparente quer na área do papel.

Maria Antónia Torres, partner da PwC entregou o troféu a Elvira Fortunato.