Tanto mar

Estou numa esplanada sobre a praia em Matosinhos. Está uma manhã de maio serena, a maré é baixa, mas consigo ouvir as ondas a ir e a vir. De dentro do café, ouço momentaneamente o ruído dos copos e das chávenas. Momentaneamente porque só estou eu e outra pessoa. É cedo e é semana.

O Sol está a abrir, e o seu calor bate-me nas costas. Olho para o areal e o mar, sorrio sozinha e para mim, e recordo-me de alguns momentos junto de oceanos onde me senti assim tranquila.

Quando estive em Lima, uma cidade de terra cinzenta, até apelidada por alguns sul americanos de “Lima, la fea”, achei muito injusta a denominação. Primeiro, porque o centro da cidade tem edifícios com os varandins de madeira de inspiração espanhola que me encantam. Depois, porque tem zonas novas residenciais completamente ocidentalizadas, seguras e jovens. Mas principalmente porque o oceano pacífico que a rodeia, as escarpas até à praia de areia escura, as ondas altas que puxam ao surf, conquistaram-me.

Mesmo por entre uma neblina quase constante, apaixonei-me por esta cidade que foi crescendo pela beira-mar. No fim de um dia de reuniões, nada me agradava mais do que descer do meu quarto de hotel, atravessar umas ruas e chegar a um passadiço que acompanha a orla marítima. Passar por jardins (o conhecido Parque del Amor, por exemplo) e perder-me por Miraflores. Sempre com a banda sonora da maré ali ao lado e fazendo o apanhado do dia mentalmente ou apontando nas notas do telemóvel.

Sempre procurei a água por todos os sítios donde viajei. Rios, lagos e lagoas, canais. Mas o mar sempre foi o centro da minha introspeção e sossego. Caminhar perto da água salgada, entrar no ritmo da corrente, transmite-me paz e ajuda-me a pensar. Será isto ser português, estará nos nossos genes? É provável. Talvez por isso busquemos os momentos à beira-mar para organizar ideias, festejar ou descontrair com amigos e família. Fazer férias.

Há tanto mar por tanto lugar. Tivesse eu tempo e vida para o ver a todo.

 

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