Acha mesmo que não é discriminada?…

Mesmo mulheres em cargos de direção são alvos fáceis de determinados comportamentos que minam o seu desempenho e as desvalorizam. Sheryl Sandberg, COO do Facebook, e Adam Grant, professor de Wharton, explicam como isso acontece.

Participar na reunião em vez de se limitar a tirar notas, é mais importante para a sua carreira.

Partindo da premissa de que as mulheres são geralmente mais disponíveis do que os homens no local de trabalho, é frequente verem-se enredadas em situações que as levam a perder tempo com tarefas que não acrescentam valor e em que dificilmente os seus colegas se envolvem. Pior, quando são eles a fazê-las são olhados com admiração e até premiados por isso, mas quando são as mulheres que as fazem, ninguém as valoriza, pelo contrário. Um artigo recente do Business Insider traça algumas dessas situações. Pense duas vezes antes de voltar a gastar o seu tempo com uma delas, em vez de se focar a acrescentar valor à sua organização e a investir na sua progressão profissional.

É esperado que as mulheres atendam o telefone e marquem as reuniões. Joan Williams, co-autora do livro ‘What works for women at work’ chama a atenção para o facto de este tipo de tarefas serem consumidoras de tempo e não acrescentarem valor na carreira de ninguém, sobretudo de quem ocupa funções de gestão e liderança. Mas a verdade é que em muitas empresas continuam a ser as mulheres a ocuparem-se delas.

É difícil fazer uma intervenção brilhante quando está mais ocupada a tirar notas numa reunião.

É esperado que as mulheres tirem notas nas reuniões. Este é um comportamento prejudicial, alerta Adam Grant, professor de Wharton, e Shery Sandberg, COO do Facebook, no artigo ‘Madam CEO, Get Me a Coffee’. Em vez de estarem atentas a acompanhar o raciocínio dos colegas e poderem intervir no momento certo, as mulheres estão a gastar o tempo numa tarefa que pode ser feita por um assistente ou até por um estagiário, comprometendo o seu desempenho profissional.

É esperado que as mulheres vão buscar um café a meio de uma reunião. Adam Grant e Sheryl Sandberg defendem que as mulheres são muitas vezes chamadas a desempenhar tarefas mais corriqueiras, como ir buscar um café ou uma garrafa de água a meio de uma reunião. O facto de serem mais altruístas e disponíveis do que os colegas, contribui para que se ofereçam mais rapidamente.

É esperado que as mulheres sejam mentoras dos estagiários e apoiem os colegas. E quando não o fazem ficam mal vistas. Um estudo feito pela psicóloga Madeline Heilman concluiu que quando um homem e uma mulher recusam ficar até mais tarde para ajudar um colega, a mulher tem uma avaliação 12% mais negativa do que o homem. E com frequência, quando ambos tenham mostrado disponibilidade, o homem tem mais probabilidades de ser promovido ou de lhe ser oferecido um aumento, bónus ou novas responsabilidades.

Quando é para fazer algo extra os homens optam por ações que deem nas vistas.

É esperado que as mulheres integrem os comités de boas vindas. E quando recusam, os colegas censuram e a carreira é afetada, garantem Grant e Sandberg. Mais, se for um homem a recusar é visto como estando ‘muito ocupado’, enquanto uma mulher é considerada ‘egoísta’. Quando é para fazer algo extra, os homens optam por comportamentos que deem nas vistas, como participar numa reunião opcional, enquanto as mulheres fazem o trabalho de bastidores, que ninguém vê.

É esperado que as mulheres tragam um bolo para o colega que faz anos, comida para o escritório ou que organizem as festas. Mais uma vez estas são tarefas a que raros homens aderem, e podem ser uma armadilha para as mulheres. No artigo do New York Times, Adam Grant e Sheryl Sandberg citam uma análise a vários estudos realizados em 15 países e com várias funções, que constata que as mulheres estão mais expostas à exaustão, o que aumenta as probabilidades de burnout.

A questão não é deixar de ajudar os outros, concluem os autores, mas sim aprender a proteger-se. Adam Grant analisou numerosos estudos que provam que mulheres e homens conseguem melhor performance e ficam menos expostos à exaustão quando colocam as suas necessidades ao nível das necessidades dos outros. Nestas situações, as mulheres podem sentir-se menos altruístas, mas ganham maior influência na organização e poupam energia.