O vocabulário financeiro que tem mesmo de conhecer

Gostaria de gerir melhor as suas finanças mas a linguagem do mundo dos investimentos parece-lhe demasiado complicada? Comece por aprender estes conceitos.

Dominar os principais conceitos financeiros é fundamental para se sentir à vontade para investir.

Acredite ou não, o primeiro passo para uma gestão mais eficaz do seu dinheiro é aprender o que significam alguns dos conceitos mais comuns do vocabulário financeiro. Afinal, é inconcebível que invista o seu dinheiro em algo que nem sequer sabe muito bem o que é. Ninguém espera que de um momento para o outro passe a dominar por completo o assumidamente complexo mundo das finanças – é para isso que deve poder contar com o apoio especializado de um consultor financeiro –, mas conhecer e compreender as possibilidades de aplicação do seu dinheiro é meio caminho andado para tomar decisões mais informadas e com mais confiança!

Mas vamos por partes…

Aquilo que pode fazer com o seu dinheiro passa inevitavelmente por duas grandes opções que não são mutuamente exclusivas, as quais, numa estratégia sustentável, até devem ser complementares: poupança e investimento.

  • Poupança: consiste em colocar dinheiro de lado, de forma sistemática, com um objetivo específico ou apenas como precaução. O risco é mínimo ou nulo mas é importante ter em conta que a inflação vai retirando gradualmente valor a cada euro que poupar.
  • Investimento: consiste em aplicar dinheiro em determinados ativos financeiros com o objetivo de obter retorno acima do que é proporcionado pelas aplicações sem risco. Esta opção tem, normalmente, riscos associados.

Para poupar pode recorrer a várias aplicações sendo as mais comuns: contas-poupança, depósitos a prazo, produtos estruturados de capital garantido e planos poupança reforma (PPR) de taxa garantida. Para investir as opções são inúmeras e em várias classes de ativos.

  • Classes de ativos: definem grupos compostos por tipos de investimento com características e comportamentos de mercado semelhantes entre si e que partilham a forma como são regulamentados.

Existem três classes principais de ativos financeiros: ações, obrigações e tesouraria.

  • Ações: títulos que representam frações do capital social de empresas (que podem ou não ser cotadas em bolsa). Quando compra uma ação, torna-se coproprietária dessa mesma empresa, com todas as vantagens e riscos inerentes. O seu capital é rentabilizado tanto por via dos dividendos (dependentes dos resultados da empresa), como por via da transacção (venda) das ações, quando feita a um preço superior ao que gastou na compra.
  • Obrigações: títulos de dívida que consistem em empréstimos a Estados (divida soberana), empresas (divida corporativa) ou a outras entidades. O investidor torna-se credor da entidade emitente e obtém, desta forma, um rendimento (fixo ou variável) sob a forma de cupões periódicos.
  • Tesouraria: engloba as aplicações de baixo risco e retorno como depósitos a prazo, certificados de tesouro, fundos de tesouraria, entre outros.

Cada classe principal de ativos tem o seu nível de risco e de potencial retorno associados. O conhecimento das várias classes de ativos é, por isso, essencial para poder diversificar (ou seja, “não ter os ovos todos no mesmo cesto”):

  • Risco: incerteza em relação à forma como o capital investido pode valorizar ou depreciar. A tolerância às oscilações deve sempre ser expressa e definida à partida pelo investidor pois apenas o proprietário do dinheiro pode estabelecer os seus limites. A sua tolerância ao risco vai influenciar a forma como gere o seu dinheiro.
  • Retorno: define a rendibilidade (ou a expectativa de rendibilidade) de um determinado investimento ou de uma aplicação financeira, ou seja, o que foi ou poderá ser ganho além do montante investido.

Risco e retorno são inseparáveis: quanto maior o objectivo/expectativa de retorno maior terá de ser a tolerância/aceitação de risco.

  • Diversificação: estratégia para minimizar o risco de um investimento, alicerçada na velha máxima de “não pôr os ovos todos no mesmo cesto”. Na prática consiste em investir em vários ativos (frequentemente de classes diferentes) em vez de alocar tudo num único ativo, procurando atenuar, desta forma, as perdas de um activo com os ganhos de outro.

Para reduzir o risco global dos seus investimentos através da diversificação, é importante que conheça também os fundos de investimento e os exchange-traded funds (ETF).

  • Fundos de investimento: veículos de investimento, geridos por profissionais, que agregam património de vários investidores com o objetivo de investir em ativos como ações, obrigações, entre outros. Se preferir, pode imaginá-los como “sacos” que podem conter os mais diversos ativos: existem fundos só de ações, fundos só de obrigações, fundos mistos, fundos de tesouraria e até fundos de fundos. Controlam, por isso, mais eficazmente o risco, facilitando o acesso a oportunidades diversificadas.
  • ETF: fundos de investimento que dispensam os gestores humanos pois normalmente replicam um ativo financeiro subjacente, que pode ser um índice de ações, de obrigações ou mesmo de matérias-primas. Não dependem de análises de mercado nem da opinião de equipas de gestão. São negociados em Bolsa mas não seguem as regras de mercado em termos de oferta e procura uma vez que a sua cotação depende exclusivamente da evolução do subjacente.

É no mercado financeiro que são definidos os preços dos vários ativos financeiros, mediante a sua oferta e procura. Ao preço mais recente de um título chama-se “cotação”. As compras e vendas, por sua vez, são efetivadas nas bolsas de valores, mediante um sistema de regras. Importa ainda conhecer um certo “touro” e um certo “urso” que são símbolos do mercado.

  • Bull Market: Expressão utilizada para descrever um período em que as oscilações do mercado são positivas, verificando-se uma subida nos preços dos títulos (seguindo a forma de “atacar” de um touro: de baixo para cima).
  • Bear Market: Expressão utilizada para descrever um período em que as oscilações do mercado são negativas, verificando-se um declínio nos preços dos títulos (seguindo a forma de “atacar” de um urso; de cima para baixo).

Existem vários outros exemplos de jargão financeiro que vai querer conhecer, mas esta é uma boa base inicial que lhe permitirá tomar decisões cada vez mais informadas no que se refere à gestão do seu dinheiro. Lembre-se ainda que pode sempre pedir apoio especializado, mas não tenha dúvidas: o investimento que maiores dividendos poderá trazer à sua vida é mesmo o investimento na sua educação financeira.