Tudo melhora com uma pitada de SAL

Depois de uma carreira como responsável gráfica de revistas como a Casa Claudia, Cosmopolitan e GQ, Sandra Nascimento deu uma volta à sua vida com a abertura da SAL.

Sandra Nascimento abraçou a decoração, uma paixão já antiga.

Onde menos se espera é, por vezes, onde surgem as melhores oportunidades. Após quatro anos a trabalhar a comunicação de uma conhecida empresa de design de interiores, Sandra Nascimento recebeu uma proposta inesperada: transformar o show room da marca num espaço aberto ao público. Uma oportunidade que foi ouro sobre azul para esta nova empreendedora que sempre gostou de “criar coisas” e é apaixonada pelo mundo da decoração. “Seja o que for em que me envolva, a estética e a beleza têm de estar sempre presentes”, diz a fundadora da SAL.

O espaço já existia mas à porta fechada porque as suas proprietárias não tinham tempo para atender o público. “As pessoas ficavam coladas à montra a ver, queriam entrar mas não era possível. As sócias da Branco sobre Branco estão constantemente envolvidas em novos projetos e não queriam contratar alguém que não conhecesse bem a marca”, explica.

“Depois de mais de 20 anos de trabalho na área editorial senti que precisava de uma mudança de vida e consegui fazê-la.”

Por seu lado, Sandra Nascimento que foi responsável pelo design gráfico de revistas como a Casa Cláudia, Cosmopolitan, GQ, entre outras, e já trabalhava como assessora de comunicação desta empresa de mobiliário 100% nacional, a par de outros trabalhos de comunicação digital para várias marcas –  identificava-se muito com o design e com a filosofia da empresa e, por isso, o que começou por ser um trabalho mais pontual e limitado acabou numa feliz parceria e na criação de um novo conceito: a SAL concept store by Branco sobre Branco, uma loja que integra o gabinete SAL store comunicação, onde Sandra continua paralelamente a desenvolver os seus projetos de design e de comunicação de marcas.

Não é fácil passar à porta da SAL e não entrar.

Não é fácil passar à porta da SAL e não entrar.

Cinco meses passados, está radiante com o desafio e adaptada às novas funções. É uma empreendedora multifacetada, desdobra-se por várias áreas e multiplica as horas do dia para responder a todas as solicitações. E diz que assim é mais feliz. “Depois de mais de 20 anos de trabalho na área editorial senti que precisava de uma mudança de vida e consegui fazê-la. O balanço é positivo e acredito que daqui a um ano ainda o será mais”, diz com entusiasmo.

No lugar certo à hora certa

A necessidade de um novo rumo profissional surgiu nos últimos tempos em que Sandra era designer editorial de alguns títulos de imprensa. “Foram anos muito divertidos mas também cansativos, especialmente com horários de trabalho que quase sempre se arrastavam pela noite dentro e começavam a deixar-me arrasada”, esclarece.

Apesar de ter contado com algum apoio inicial, Sandra não deu um passo maior do que a perna. A decisão foi muito ponderada.

A crise económica agravou a situação. “As pessoas passaram a ter de provar diariamente que são capazes e chegaram os miúdos a receber 500 euros e a ouvir como resposta “queres, queres, não queres vai embora”, o que me desmotivou bastante e me pôs a pensar que aquele já não era o meu lugar”. Por isso, quando surgiu esta nova oportunidade Sandra arregaçou as mangas e agarrou-se com unhas e dentes ao novo projeto.

A loja, situada no Largo de São Paulo, no concorrido bairro lisboeta do Cais do Sodré, alia às coleções de móveis e de iluminação objetos de decoração e acessórios que são escolhidos a dedo por Sandra Nascimento. Há cerâmicas, têxteis, joalharia, quadros, velas e chás. Objetos que também dão encanto a qualquer casa.

Negócio win win

Apesar de ter contado sempre com o apoio das sócias da Branco sobre Branco, que cederam o espaço e investiram nas alterações necessárias para pôr a loja a funcionar, a nova empreendedora não quis dar um passo maior do que a perna. A partir do momento em que o desafio lhe foi lançado, o estudo de viabilidade foi encomendado e a decisão foi muito ponderada mas rápida.

SAL Concept Store

O interior da SAL é uma caixinha de surpresas.

Cinco meses após a abertura da SAL, Sandra reconhece que a parte mais difícil foi a que a obrigou a lidar com a burocracia. Valeu-lhe uma amiga que a ajudou com as questões financeiras e de gestão do negócio e a orientou num mundo que até então considerava desconhecido, e o entusiasmo de algumas pessoas que lhe estão muito próximas..

E Sandra deixa alguns conselhos para quem se quer lançar num projeto próprio: “fazer o desenho todo antes de se passar à prática, estar muito focada no que realmente se quer e acreditar que vai tudo correr bem”.