Três portuguesas distinguidas com o Prémio Terre de Femmes

A décima edição do Prémio Terre de Femmes premiou Eunice Maia, da mercearia biológica Maria Granel, Ana Filipa Sobral, do projeto Manta Catalog Azores, e Joana Benzinho, da ONGD Afectos com Letras.

Joana Benzinho, Eunice Maia e Ana Filipa Sobral, as vencedoras da décima edição do Prémio Terre de Femmes.

Na sua décima edição, o Prémio Terre de Femmes, iniciativa promovida pela Fundação Yves Rocher, distinguiu três mulheres portuguesas pelos seus projetos a favor do ambiente.

Eunice Maia recebeu o primeiro lugar do prémio pelo projeto Maria Granel, uma mercearia criada em 2013 com o objetivo de combater o desperdício alimentar e a produção de resíduos, considerada a primeira zero waste store europeia e uma das pioneiras em todo o mundo a dispensar totalmente as embalagens de plástico e a vender exclusivamente a granel. No nosso país, a Maria Granel esteve na vanguarda do conceito BYOC (Bring Your Own Container) e já incentivou milhares de portugueses a levar os seus recipientes para reabastecer na loja apenas com a quantidade de produto necessária, evitando desperdício alimentar e contribuindo, em menos de três anos, para o desvio de mais de um milhão de sacos de plástico do caminho dos aterros. O primeiro lugar do Prémio Terre de Femmes valeu a Eunice Maia, professora minhota radicada em Lisboa, uma recompensa de 10 mil euros e a oportunidade de representar Portugal na corrida ao Grande Prémio Internacional, no valor adicional de 10 mil euros, juntando-se à competição com as primeiras laureadas dos restantes países onde existe o Prémio Terre de Femmes, nomeadamente Alemanha, França, Espanha, Itália, Marrocos, México, Suíça, Rússia, Turquia e Ucrânia. Em 2015 foi a uma portuguesa, a bióloga Milene Matos, a quem coube igualmente a distinção internacional.

O segundo lugar, no valor de cinco mil euros, foi entregue à bióloga portuguesa Ana Filipa Sobral, criadora do projeto Manta Catalog Azores, a primeira base de dados fotográfica de jamantas chilenas (uma espécie de raia pouco conhecida que visita todos os anos o arquipélago) em todo o mundo. Este projeto, criado há sete anos com o objetivo de aumentar o conhecimento sobre as espécies de jamantas que visitam os Açores e contribuir para a sua preservação, conta já com a participação ativa de dois milhares de cidadãos-cientistas (mergulhadores, turistas e comunidade local que recolhem imagens sempre que avistem uma jamanta), cinco mil fotografias e 58 horas de vídeo.

A fechar o pódio, o terceiro lugar do Prémio Terre de Femmes, no valor de três mil euros, foi para Joana Benzinho, fundadora e presidente da Afectos com Letras, uma ONGD (Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento) com atividade na Guiné-Bissau, que se centra na utilização de máquinas descascadoras de arroz para criar tempo, permitindo que as mulheres possam dedicar-se a outras atividades económicas e que as meninas regressem à escola e recebam educação nas mesmas circunstâncias que os meninos. A ideia surgiu numa das muitas viagens que Joana Benzinho fez a este país, quando percebeu que muitos habitantes das aldeias se dedicavam ao cultivo do arroz e à sua descasca, uma tarefa penosa, feita manualmente, geralmente, por mulheres e meninas. O objetivo do projeto é criar tempo, arroz com melhor qualidade, mais capacidade financeira das populações e a autonomia das meninas e mulheres guineenses.

Desde 2009, a edição portuguesa Prémio Terre de Femmes já premiou 22 mulheres e apoiou com mais de 100 mil euros projetos com forte impacto ambiental, social e económico. A nível internacional, o galardão vai na sua 18.ª edição, tendo apoiado mais de 400 mulheres em mais de 50 países, num valor de investimento de 1,8 milhões de euros.

Veja o vídeo de Eunice Maia, a grande vencedora da 10.ª edição do Prémio Terre de Femmes com o seu projeto Maria Granel – primeira mercearia biológica 100% a granel e zero waste store em Portugal: