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As mulheres de todo o mundo podem aceder a ofertas de emprego na SheWorks!

O mundo é o local de trabalho da argentina Silvina Moschini.

A 14 Março de 2017, na última reunião da Comissão Sobre o Estatuto da Mulher da ONU, que teve lugar na sede deste organismo em Nova Iorque, a empresária argentina Silvina Moschini apresentou o seu mais recente projecto: SheWorks!, uma plataforma tecnológica que ajuda mulheres qualificadas a encontrarem oportunidades de trabalho à distância e permite às empresas contratar profissionais pré-selecionadas em qualquer lugar do mundo. A She Works! é a única plataforma tecnológica que combina inteligência artificial, data science e tecnologia da cloud da TransparentBusiness com ferramentas de gestão de trabalho remoto.

A fundadora, Silvina Moschini, é também fundadora de YandikiIntuic e presidente do KMGi Group. Enquanto especialista em Internet, surge frequentemente na CNN en Español e Nuestra Tele Noticias 24 Horas, e é colunita do La Vanguardia e Infobae. Antes de se tornar empresária, Silvina Moschini era uma bem sucedida gestora de topo: foi vice-presidente de Comunicação Corporativa da Visa International, empresa  a que se juntou através da Patagon.com, a filial de internet do Grupo Santander Central Hispano. Antes lançara o departamento de Relações Públicas da Compaq Computer Corporation na América Latina, de que foi diretora e onde chgou a  liderar a área de relações públicas da Compaq em mercados internacionais, incluindo Ásia-Pacífico, Europa, Médio Oriente, África, Japão e América Latina. Em entrevista à EXECUTIVA, que respondeu por e-mail, a empresária argentina incentiva as mulheres com apetência pela área a desnevolverem uma carreira na área tecnológica.

Como surgiu a ideia da plataforma SheWorks!?
A SheWorks! nasceu para combater as disparidades entre homens e mulheres, tanto no momento de se candidatarem a um trabalho, como na hora de receberem o seu salário. Pensámos em utilizar ferramentas na cloud que já tínhamos vindo a desenvolver e nas quais tínhamos uma vasta experiência para ajudar a minimizar um pouco esta desigualdade. Outro dos motivos para a criação desta plataforma é o de poder ajudar as mulheres em países onde é difícil haver um desenvolvimento profissional, seja pelas regulações restritivas do país, seja pela própria sociedade que muitas vezes as “empurra” para trabalhos mal remunerados. Com o objetivo de aproveitar e exprimir esse talento, que acaba por perder-se, desenvolvemos a SheWorks! para que mulheres de todo o mundo possam aceder a ofertas de emprego apenas para elas. Este projeto foi apresentado no passado mês de março, na Cimeira Global de Princípios do Empoderamento das Mulheres.

A plataforma ajuda mulheres a encontrarem oportunidades de trabalho à distância.

Como funciona e quais os resultados obtidos?
A SheWorks! é uma plataforma na qual empregadores de todo o mundo publicam ofertas de trabalho, especialmente em sectores como o do marketing, da comunicação ou novas tecnologias. Por seu lado, colaboradores de todo o planeta podem aceder às mesmas através da Internet. Por exemplo, um líder de projeto inglês procura uma programadora e pode encontrá-la na Rússia. A seleção é feita com base na sua especialização e não na geografia.

Qual a diferença em relação a outros portais já existentes?
A diferença em relação a portais como o Infojobs Freelance, que fazem de intermediários, é que a SheWorks! está um passo à frente, pois monitoriza o colaborador e oferece-lhe formação. Ao registar-se, não basta fazer-se upload do currículo na plataforma. Há também que fazer um teste de inglês e um exame de habilidades analíticas, com sequências lógicas, formas, etc. – tudo isto com o objetivo de medir capacidades analíticas, inteligência emocional, inglês ou capacidades técnicas, dependendo daquilo que o cliente solicite. Outra diferença é que, neste caso, não são as colaboradoras que se candidatam a um trabalho, são as empresas que as selecionam.

A igualdade das mulheres no mercado laboral não só é justa, como também é rentável.

De que forma esta plataforma contribui para a igualdade de género?
Esta plataforma tem uma particularidade: apenas as mulheres se podem registar. Antes da SheWorks! trabalhámos com a Yandiki, uma empresa especializada na contratação de talento criativo mediante solicitação e que não faz distinção entre sexos. A desigualdade não impacta apenas as mulheres profissionalmente, psicologicamente e economicamente, mas também as empresas, que sofrem pela falta de diversidade. A igualdade das mulheres no mercado laboral não só é justa, como também é rentável. A consultora McKinsey calculou, no seu estudo “Women Matter: the business and economic case for gender diversity” que se se conseguisse a plena equidade nas empresas, o PIB mundial aumentaria 12 mil milhões de dólares em 2025.

Por outro lado, alguns estudos apontam para a maternidade como o momento em que as mulheres começam a travar a sua carreira profissional. Em plena ascensão, algumas veem-se obrigadas a optar entre trabalho e família. O estudo “Somos Equipo”, da associação Yo No Renuncio, do Club de Malasmadres, indica que 58% das mulheres renuncia à sua carreira profissional a favor da sua vida familiar.

A tecnologia e o mundo digital podem oferecer extraordinárias vantagens às mulheres. Mas a maioria recusa abraçar uma carreia nesta área e, quando o faz, muitas desistem a meio. O que lhes diria?
Muitas mulheres não optam por estas carreiras porque nalgumas sociedades dizem-lhes que não são boas em matemática, a programar ou a realizar tarefas relacionadas com números. Mas a verdade é que as capacidades das mulheres são iguais às dos homens. O que lhes diria é que, se realmente gostam de uma profissão que inclua algum campo tecnológico, que o façam sem complexos e que se recordem de mulheres que abriram caminho em situações difíceis.

A minha vida sem o Skype ou o Google Drive não seria a mesma. Todas estas ferramentas fazem com que se possa ter um escritório em qualquer lugar no mundo.

Como se posicionar e quais os segredos para ser bem-sucedida como profissional a trabalhar para o mercado global?
Creio que o mais importante é a constância e a disciplina. Depois, é claro que existem algumas habilidades que ajudam na hora de posicionar-se, como saber um segundo idioma, de preferência o inglês. Também é fundamental explorar as ferramentas tecnológicas e retirar das mesmas o máximo do seu potencial. Isto irá ajudar a ter uma maior produtividade.

Como concilia todas as suas atividades: colaboradora da CNN, speaker internacional, empreendedora de vários negócios, voluntária, viagens, etc.?
Precisamente apoiando-me na tecnologia. A minha vida sem o Skype ou o Google Drive não seria a mesma. Todas estas ferramentas fazem com que se possa ter um escritório em qualquer lugar no mundo, apenas com uma ligação à Internet.