Susana Coerver: “O meu maior desafio é aprender a parar”

Susana Coerver, CEO da Fuel, conta como preparou a agência para o teletrabalho e como se está ela própria a adaptar a esta fase de confinamento.

Susana Coerver é CEO da Fuel.

Depois de uma carreira na publicidade, Susana Coerver foi responsável global pelo Marketing e Comunicação da Parfois e no ano passado regressou à publicidade como CEO da Fuel. É licenciada em Relações Públicas e Publicidade, com pós-graduações em Marketing Management e Planeamento Estratégico. A sua carreira iniciou-se em 1999, em agências de publicidade nacionais e internacionais em Lisboa e em São Paulo, até que em 2013 assumiu o marketing e comunicação globais da Parfois, ajudando a marca portuguesa a expandir-se além fronteiras. Em 2019, no seu regresso à publicidade como CEO da Fuel, levou a visão do cliente mais estruturada o que implicou mudanças na forma de trabalhar das suas novas equipas. O objetivo é tornarem-se agentes de mudança e cultura e transformação

 

“O meu maior desafio é, apesar de estar em casa, aprender a parar, porque mesmo estando sentados num mesmo sítio dias a fio, podemos não parar.

Este recolhimento aguçou o meu engenho, a minha criatividade e o meu sentimento de missão, para com a equipa e empresa que represento e isso às vezes pode-nos levar a estados de hiperatividade e até alguma ansiedade. Isolados, a vida continuou e é preciso organizarmo-nos para sabermos parar. Por nós enquanto individuo, pelos nossos filhos, familiares, amigos, empresas.

Sinto-me uma privilegiada.

Tenho trabalho, temos uma grande e formidável equipa que se mantém super ativa e saudável, tenho saúde e família e amigos que se mantêm saudáveis (apesar de que me custa não poder estar com a minha mãe, que está sozinha) e tenho muita energia e ideias neste momento.

Acredito que mais do que nunca estamos todos a repensar tudo, o eu, a vida, o mundo, as empresas, os negócios, as relações.

A saúde deixou de ser uma coisa individual, para ser uma coisa coletiva.

Apanhei um susto com o meu filho que manifestou alguns sintomas, estive umas horas com a saúde 24 ao telefone, mas a verdade é que no dia a seguir ele estava ótimo, mas aqui o que importa é que estava preocupada, não com ele, mas com os outros.

Sabia que se fosse o vírus, ele recuperaria rápido, mas a minha preocupação, era saber se era, para poder avisar as pessoas com quem ele esteve. E isto é algo geral e de preocupação com o outro. De mim para ti.

Mas enfim, na verdade desde que comecei a trabalhar em casa, e vi a energia e sentido de partilha união e missão entre as pessoas da minha equipa, que provaram que estava certa quando disse que em casa trabalhariam mais e melhor, que tudo isso me inspirou. Tanta coisa boa que tenho visto, generosidade, partilha, humildade, altruísmo, criatividade, humanidade, e todas estas coisas têm sido um estimulo imenso à minha criatividade, o que faça com que o meu estado de alerta e criatividade estejam a um ritmo alto, consequentemente não desligando.

É bom por um lado, mas difícil por outro. Não consigo ter pausas. Estou sempre ligada. Acordo a meio da noite, com ideias, preocupações, ansiedade.

Não tem sido fácil gerir este equilíbrio. A sensação que tenho é que não há quarentena que chegue para por todas as ideias em pratica, mas não é por falta de dedicação, rapidez e entrega da equipa. É por ser muita coisa mesmo. 10, 12h de trabalho. Fim de semana. A juntar a cozinhar, acompanhar um filho de 12 anos na escola e deixar a casa arrumada.

Ao fim de uns dias percebi que tinha que criar rotinas e acreditei que se eu precisava, a equipa também.

O almoço foi prolongado em meia hora e feito o pedido a toda a gente para respeitar a hora sagrada das 13 às 15h que se destina a fazer almoço, dar o almoço, a quem tem filhos e arrumar a cozinha depois, porque a sanidade mental também passa por uma casa organizada.

Incentivei as pessoas da equipa que costumavam sair à hora de almoço para ir ao ginásio com colegas, para o manterem, mas desta feita por vídeo.

Incentivei também uma pausa das 10:30 às 11h, e das 16:30 às 17h, para fazerem o que quiserem, ginástica, café, dar atenção aos miúdos/escola, mas claro que cada um gere de acordo com a sua dinâmica que é diferente de casa para casa, ou de escritório para escritório 😊

Para mim, tive que garantir que trazia para a secretária um balde  de chá e de água, porque senão não me levantava para ir beber, voltar a falar com o meu PT de pilates e fazer uma aula individual de pilates que agora passou a ser 2ª, 4ª e 6ª das 14 às 15h.

Voltei a fazer terapia, quinzenal (recomecei esta semana) e fds é para amigos e brincadeira. Online.

Sentia que estava a entrar em modo 24/7 de trabalho e ainda estou a tentar ensinar-me a desligar do escritório/casa e ligar o chip apenas da casa, estúdio de pilates, posta de dança e lugar de convívio com amigos e família.

No final do dia relembrar-me que eu tenho que estar bem e serena para apoiar a minha equipa na nossa missão Fuel que é a de ajudar os negócios dos nossos clientes a reinventarem-se, a fazer uma comunicação informativa e de propósito para que quando todos voltemos as empresas possam continuar a ser agentes preponderantes no reerguer do nosso Portugal.”

 

 

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