O lado B de Sofia Hoffmann de Mendonça

A actividade principal de Sofia Hoffmann de Mendonça não deixaria adivinhar que sempre que pode dá azo à sua veia artística, enquanto compositora e intérprete de música jazz, e que recentemente se apaixonou pelo instrumento indiano sitar. Este mês dará um concerto meditativo. Conheça o outro lado desta executiva

Sofia Hoffmann de Mendonça é responsável pelo negócio das vendas de microalgas na Europa da Parry Nutraceuticals.

Licenciada em Biologia Aplicada aos Recursos Animais Marinhos pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tendo concluído a licenciatura com uma tese dedicada à aquacultura e às microalgas na UALG, a curiosidade e o interesse pelo marketing levaram Sofia Hoffmann de Mendonça a tirar alguns cursos de marketing, entre os quais de Marketing de Luxo da Católica Lisbon. Trabalhou durante oito anos no Grupo METRO / Makro, em Portugal, em Espanha,  Itália (país onde viveu durante três anos) e pontualmente na Alemanha. As microalgas voltaram ao seu universo 2011, mas já numa vertente de desenvolvimento do negócio (e já na actividade científica / de produção, que a ocupou no início da sua carreira, na Universidade o Algarve). Hoje é responsável pelo negócio das vendas de microalgas na Europa (sobretudo de Spirulina e Chlorella) da maior produtora de microalgas da India, a Parry Nutraceuticals, do grupo Murugappa.
A actividade principal de Sofia Hoffmann de Mendoça não deixaria adivinhar que sempre que pode dá azo à sua veia artística, enquanto compositora e intérprete de música jazz, e que recentemente se apaixonou pelo instrumento indiano sitar. Já esteve em grande palcos como o Cinema São Jorge, em Lisboa, e lançou o em 2018, o primeiro álbum ONE SOUL, em 2019, com o apoio da Smooth FM num concerto esgotado no Teatro São Luiz.  O seu próximo projeto é associar a música à contemplação e à meditação, e será já posto em prática no concerto meditativo com o Professor de Sitar Gaurav Mazumdar (discípulo directo de Ravi Shankar, nomeado para um Grammy) na sitar, no dia 23 de Janeiro em Lisboa. Razões mais que suficientes para conhecermos o lado B desta executiva.
Qual a sua profissão principal? 
Actualmente sou responsável pelo negócio das vendas de microalgas na Europa (sobretudo de Spirulina e Chlorella) representando a maior produtora de microalgas da India — a Parry Nutraceuticals, do grupo Murugappa. Esta empresa produz anualmente cerca de 500 toneladas de microalgas da mais alta qualidade e segurança alimentar, no sul da Índia. Trabalhamos ainda sinergisticamente com a outra empresa americana do grupo, a Valensa, que é especializada em astaxantina (extracto de uma microalga especifica que cresce em condições extremas de luminosidade e temperatura), entre outros.
Em que consiste o seu trabalho diário?
Contacto diariamente com empresas e laboratórios que processam, comprimem e embalam microalgas em pó, um pouco por toda a Europa (sobretudo na Bélgica, França, Alemanha, Holanda e Itália). Negociações de preço e volumes, partilha de conhecimento sobre as microalgas a nível científico, técnico e no que respeita a sua comunicação e marketing são algumas das minhas actividades diárias. Para além do pó, também comercializamos as microalgas já na forma de comprimidos, de palitos e pontualmente, de grânulos, não só para o mercado de suplementação dietética como também para o mercado dos alimentos de cariz saudável.
Quando e como é que a música surgiu na sua vida? 
A música sempre esteve presente na minha vida, desde criança, durante o liceu, fazendo parte de uma banda de covers mas já com alguns originais, mais tarde com músicos de jazz em Milão e em Lisboa. A educação musical em paralelo (com a Professora Maria do Rosário Coelho, Laura Fedele e com a Maria João) foi fundamental para dar os primeiros passos a nível vocal no jazz.
Também estive quatro anos dedicada à guitarra clássica antes de investir na voz, o que me permitiu desenvolver a componente de escrita e composição. Fui actuando em palcos públicos e privados maioritariamente em Portugal, até que, inspirada na escrita de temas originais, produzi quatro concertos em palcos de maior dimensão — um deles no Cinema São Jorge em Lisboa. Percebi que a minha música tinha potencial, e depois de me despedir em 2018, gravei o meu primeiro álbum, ONE SOUL, que foi lançado em 2019 com o apoio da Smooth FM num concerto esgotado no Teatro São Luiz. o seu
Como surgiu a opção pelo jazz?
O jazz surgiu no seguimento do fascínio que tive pelo desafio e pela liberdade enorme de expressão que temos no improviso. Pelas harmonias características e pelas formas musicais que este estilo inclui, e que o tornam tão especial, melódico e emotivo. Já tinha estudado música clássica. O jazz seria o próximo passo na medida em que surpreende pelo inesperado e pela unicidade de cada interpretação.
Como concilia as duas actividades? 
Neste momento dedico-me ao negócio das algas durante uma parte significativa do dia, direcionando as restantes horas para a prática da sitar, para a escrita (menos frequente) de temas originais e para a aprendizagem de canto (na vertente de música clássica indiana — mantras, taranas, entre outros tipos de composições).
Como gere a sua vida quando tem ensaios, concertos, gravações?
Por vezes é bastante desafiante coordenar as responsabilidades de ambos os lados, mas com disciplina, planeamento e organização da agenda, tudo se faz!
Não é por acaso que a música está sempre presente nos eventos e momentos mais importantes da nossa vida, e nos leva a experienciar toda uma panóplia de emoções e de recordações…
Como concilia a sonoridade da guitarra com o jazz?
Já toquei guitarra bastante bem há muitos anos… neste momento a prática da sitar ocupa-me uma a duas horas por dia. A guitarra clássica serve maioritariamente para quando estou a compor ou a escrever um tema vocal novo (como apoio instrumental).  A sitar e a música clássica indiana surgiram em 2014, durante um retiro na Comporta com o Acharya Roop Verma, que viria a ser o meu Mestre de meditação e de música. Assim que ouvi o som do instrumento de olhos fechados, comovi-me e apercebi-me que seria um erro enorme não aprender este instrumento… e depois de 6 meses durante os quais fui, de certa forma, posta à prova sobre a seriedade relativamente ao compromisso de aprendizagem da sitar), o Roop aceitou-me como sua aluna.
Curiosamente, a música clássica indiana e o jazz têm vários pontos em comum, nomeadamente a parte do improviso. São dois estilos musicais bastante particulares, mas perfeitamente compatíveis a nível sonoro. Já a nível conceptual e estrutural, existem diferenças significativas (nomeadamente o contexto no qual se toca / canta, o propósito e a intenção, assim como a estrutura de um raga versus a estrutura de um tema de jazz).
Quando grava um disco significa que a música pode estar a ganhar terreno às algas?
Penso que nada na vida seja totalmente estanque, pelo que não lhe poderei confirmar ao certo se a música estará a superar de certa forma ao negócio das microalgas. O que é certo é que a gravação de um álbum implica muito trabalho e investimento a vários níveis, e pede uma disponibilidade maior (diria até total) a nível fisico, mental e emocional. O que acontece depois raramente se sabe: o mercado da música é bastante imprevisível e são vários os factores que contribuem para o sucesso de um projecto como um álbum. Se um dia a música ganhar mais terreno na minha vida, pois será certamente um sinal positivo e uma oportunidade a agarrar e a desenvolver! Estou a trabalhar no sentido de me desenvolver sobretudo nas áreas do jazz e da música clássica indiana, e em dar provas sobre a importância que a música tem no nosso dia a dia, e na nossa saúde mental e emocional. Não é por acaso que a música está sempre presente nos eventos e momentos mais importantes da nossa vida, e nos leva a experienciar toda uma panóplia de emoções e de recordações…
Um dos meus projectos actuais visa associar a música à contemplação e à meditação, e será já posto em prática no concerto meditativo no qual cantarei com o meu actual Professor de Sitar, Gaurav Mazumdar (discípulo directo de Ravi Shankar, nomeado para um Grammy) na sitar, no dia 23 de Janeiro em Lisboa. Este concerto visa a criação de um momento de paragem e contemplação, e de colocação de intenções neste momento de inicio de ano – sendo todo o processo facilitado e potenciado através da música que será tocada e cantada. Incluiremos alguns temas meus no repertório, também em português.
Qual seria a banda sonora da sua vida, que melhor a descreveria?
Excelente questão…! Teria de seleccionar temas de diferentes álbuns para esta compilação musical! Posso partilhar que inluiria temas como
– The Piano (main theme)
– Groovy Kind of Love (Phill Collins)
– Álbum “Ao Vivo no CCB” (Luis Represas) – gosto de vários temas
– Fields of Gold e When We Dance (Sting)
– All Around the World (Lisa Stansfield)
– Eu Sei que vou te amar (António Carlos Jobim)
– Perfect (Fairground Attraction)
– Cheek to Cheek (Ella Fitzgerald – a minha Diva!)
– This is What We Are e Close To you (Mario Biondi – Live with the Duke Orchestra)
– I Love Being Here with You e Maybe You’ll be there (Diana Krall – Live in Paris)
– Nunca Me Esqueci de Ti (Rui Veloso)
– Easy (Sofia Hoffmann 😉 )
– Pancham Se Gara, Raag Yaman Kalyan e Tenderness (Ravi Shankar)
– Raag Manjh Khamaj e Music For Yoga – Evening (Roop Verma)
– Traces of You, Oceanic I & II (Anoushka Shankar)
– Vaishnava Jana To e Raag Piloo (Gaurav Mazumdar)
– Tere Bina (A.R. Rahman).
Costuma cantar nos encontros da empresa? 
Já aconteceu algumas vezes…! A vez que mais me marcou foi o concerto de Natal do Salvador Sobral em 2015 na SECIL (empresa na qual trabalhei no projecto das microalgas) durante o qual cantei dois duetos com o próprio 🙂
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