Sara do Ó: “Não podemos estar na linha da frente a salvar vidas, mas podemos segurar empresas”

A energia de Sara do Ó, CEO do grupo Your, está neste momento canalizada para ajudar as empresas clientes a manterem a sua actividade. "Ao segurarmos este ecossistema mantemos viva a economia."

Sara do Ó é CEO do grupo Your.

Licenciada em Controlo de Gestão, trabalhava na KPMG quando decidiu lançar-se por conta própria com uma colega, Filipa Xavier de Basto. Criaram a Your, empresa especialista em contabilidade e apoio à gestão de PME, com quatro clientes e hoje têm mais de 1700.  Atualmente, o Grupo Your presta serviços especializados de apoio à gestão em nove áreas distintas. O grupo Your tem um volume de negócios de cerca de cinco milhões de euros e quase 200 colaboradores.

Com grande parte do País em casa, em lay off ou em teletrabalho, o grupo Your quer estar ao lado do cliente. Perguntámos a Sara do Ó, qual o maior desafio que está a enfrentar nesta fase e como está a conseguir lidar com ele?

“Penso que não é apenas um, mas dois grandes desafios: um pessoal e outro profissional.

De forma transversal tem sido bastante desafiante, devido à carga energética que me carateriza, sempre a pensar no próximo desafio: “what’s next?!”. Motivando as nossas pessoas para juntos crescermos, consolidando os projetos em curso, materializando ideias, descobrindo novas possibilidades de negócio. O que tornou mais difícil a missão de parar e perceber realmente o que estava a acontecer para conseguir tomar decisões de forma mais ponderada e assertiva no interesse de toda a equipa.

A nível pessoal, o maior desafio é ter a capacidade de encontrar o equilíbrio emocional para tomar decisões que podem afetar de forma preponderante e abrupta a família Your. Uma família de 200 colaboradores, onde qualquer decisão sobre estes impactará, necessariamente, nos seus agregados familiares.

No plano profissional e para toda a equipa, o maior desafio é o facto de trabalharmos diariamente e presencialmente com os nossos clientes, acrescendo ainda a quantidade de documentação com que lidamos todos os dias e tantas vezes entregue pelos clientes. O nosso contacto é muito relacional e isso é uma das coisas que nos distingue no mercado, a nossa relação informal com o colaborador e próxima do cliente. De repente, tudo isto se transformou. Tivemos de criar rotinas, de forma remota “olhar olhos nos olhos” colaboradores e clientes e através das novas tecnologias fazer com que a documentação chegasse até nós.

Foi, e continua a ser, um grande desafio.

Ainda assim, a grande sensação de “vitória” foi termos percebido que estávamos totalmente preparados para o teletrabalho: em apenas dois dias conseguimos ter as equipas motivadas a trabalhar a partir de casa, com todos os meios ao seu dispor. Sem dúvida que temos a sorte e o privilégio de ter uma cultura organizacional muito enraizada, com um forte sentido de união, espírito de equipa e de transparência na liderança.

Neste momento estamos a trabalhar a 200% porque hoje, mais do que nunca, a nossa missão é estar ao lado do cliente e conseguir, potenciar o valor acrescentado dos seus negócios e assim não os deixar cair. Atravessamos uma “crise” sem precedentes e sabemos que o nosso papel é essencial para mantermos muitas empresas acima da “linha de água”. É nisto que estamos profundamente empenhados, é aqui que está o foco da minha energia.

Sabemos que não podemos estar na linha da frente a salvar vidas, mas podemos segurar empresas, com a certeza de que, ao segurarmos uma empresa seguramos os seus colaboradores e ao segurarmos este ecossistema mantemos viva a economia.”