Raimann & Bourgard: arte em acessórios exclusivos

A fotógrafa Mónica Raimann e a artista plástica Clo Bourgard partilham a paixão pela arte e pela moda e decidiram criar um negócio que juntasse ambas as áreas. Assim acaba de nascer a sua marca própria de acessórios exclusivos.

Clo e Mónica, as criadoras da marca Raimann & Bourgard.

Conheceram-se através de amigos e a paixão comum pela Arte falou mais alto. Clo Bourgad é artista plástica e tem um atelier no Estoril; Mónica Rainmann dedica-se à fotografia e ao design. À medida que iam conhecendo melhor o trabalho uma da outra sentiram que poderiam lançar um negócio em que juntassem arte e moda. E assim nasceram as carteiras e acessórios Raimann & Bourgard, a marca que lançaram no início de setembro deste ano.

Foi, no entanto, numa área bem diferente que Monica Raimann Cabral Menezes iniciou o percurso profissional. Formou-se em engenharia química no Instituto Superior Técnico e ainda trabalhou alguns anos na Unicer, no departamento de Investigação & Desenvolvimento, chegando mesmo a fazer um mestrado em Ciências Cervejeiras pela Universidade de Louvain la Neuve. Por motivos familiares, viveu 6 anos em Barcelona e 9 anos na Holanda, onde estudou fotografia. Foi a esta atividade que se dedicou inteiramente, desde então, desenvolvendo métodos próprios e adaptando as suas fotografias a artigos de decoração e design.

Já para Clo Bourgard o apelo pela área artística sempre foi muito forte, desde os seus tempos na Escola António Arroio. Estudou História da Arte na Universidade Lusíada e mais tarde formou-se em Conservação de Escultura no Instituto de Ciências do Património. Fez vários cursos de pintura e escultura, tirou o curso de Gestão do Património Cultural no Centro Nacional de Cultura de Lisboa, foi diretora de uma galeria. Nos últimos anos tem vindo a desenvolver investigação na área dos materiais e resinas no seu atelier, onde pinta e cria esculturas em resina cristal. O seu trabalho está representado em diversas coleções particulares e em museus.

Falámos com as artistas empreendedoras sobre o processo criativo, os obstáculos que precisaram ultrapassar e sobre os seus sonhos para o futuro da marca.

As flores que Mónica descobriu na Holanda são uma das grandes inspirações patentes nas criações da marca.

Como surgiu esta ideia de negócio?
Este negócio surgiu da cumplicidade estética entre uma fotógrafa e uma artista plástica. De modo espontâneo, começámos a apreciar a arte uma da outra e a desenvolver ideias em conjunto. Resolvemos levar a arte para a “rua”, deixar a tradicional tela e as quatro paredes das nossas casas para fazer circular um pouco da nossa criatividade, aliada ao mundo da moda.

Como caracterizariam as vossas peças? Quais as vossas fontes de inspiração?
As nossas peças são exclusivas e únicas. Cada carteira tem um desenho único, pintado à mão e assinado, com um conteúdo estético diferente do habitual, onde surgem as flores da Mónica, que transmitem movimento, dinamismo e emoções, e as “caras” que traduzem rostos do mundo, projectados pela visão da Clo, onde predominam a cor e os traços largos pretos com pormenores de volumetria, muito característica das suas telas e da arte urbana. O nosso foco são as carteiras, no entanto existem outros acessórios complementares na nossa colecção.

Já têm uma ideia sobre quem é a vossa cliente-alvo?
A nossa cliente-alvo é uma mulher sofisticada, que gosta de estar com classe no seu local de trabalho e que possa ir a seguir a um sunset, onde a cor e a harmonia visual a façam notada. Os nossos artigos podem enquadrar-se num look clássico ou mais cosmopolita. Um simples vestido preto ou umas calças de ganga, mostrando um look casual, podem ser complementados pelas nossas carteiras e acessórios. A grande surpresa deste projeto, passa também pela elaboração de carteiras personalizadas, em que nos podem trazer um motivo especifico ou mesmo os seus próprios rostos.

Que passos deram antes de decidirem avançar com o negócio?
Fizemos uma análise de mercado e de tendências internacionais e descobrimos que em Portugal não existia nada igual. Verificamos também que existe uma lacuna na área da moda, com a globalização das tendências, e que havia espaço para novas propostas no campo dos acessórios.

Quais foram as fases mais importantes na concretização do negócio?
A descoberta e materialização das primeiras peças. Ainda nos lembramos perfeitamente da primeira que fizemos: uma carteira, ainda na bancada do atelier, com a qual os visitantes interagiam de forma efusiva. E apeteceu-nos usá-la imediatamente. As primeiras carteiras ficaram para nós porque estavam irresistíveis. A beleza que sentimos ao produzir cada carteira inspira-nos de imediato para a seguinte.

 

Os “rostos do mundo” que influenciam a criação artística de Clo Bourgard ganham vida em carteiras exclusivas.

Como se financiaram?
Até agora com capitais próprios.

Quais foram as vossas principais dificuldades até aqui e o que aprenderam com elas?
As nossas principais dificuldades técnicas foram adaptar as tintas aos diversos matérias das carteiras, bem como arranjar os materiais adequados, de um ponto de vista técnico e de qualidade e também de acordo com os nossos gostos. Alguns dos profissionais com quem tentámos trabalhar não conseguiam responder corretamente às nossas necessidades, o que nos levou a fazer uma investigação criteriosa dos fornecedores.

Sentem que as vossas experiências de trabalho anteriores vos ajudam neste novo projeto?
As nossas experiências anteriores são a base e alicerces para este projeto. A Clo, com o seu know how artístico, e a Mónica, com a sua visão perfecionista na escolha dos matérias, cores e formatos. Todos estes fatores ditaram muitos caminhos importantes para este projecto.

Quais as características que consideram essenciais a uma empreendedora?
Visão, persistência, determinação, estratégia, organização e foco.

Quais são as vossas principais metas para a Raimann & Bourgard?
As nossas metas para a Raimann & Bourgard passam pela internacionalização e por trabalhar com grandes marcas de moda, de forma personalizada; queremos ter encomendas de grande escala para o setor da moda e setor privado, tentando desenvolver o mais possível a nossa vertente comercial e desmistificar o padrão tradicional de estampagem. Para que, no futuro, estas peças se tornem peças de coleção!