Procter & Gamble quer ter 50% de publicidade realizada por mulheres

A multinacional que mais anuncia em todo o mundo quer ter paridade total na realização dos seus filmes publicitários, até 2023. Não é só a sociedade que beneficia com a igualdade de género, dizem: os negócios também saem a ganhar bastante.

Em todo o mundo, apenas 20,3% das funções criativas em publicidade e marketing estão atribuídos a mulheres, segundo um estudo.

A multinacional norte-americana de bens de consumo, dona de marcas como Pantene, Gillette, Tide ou Tampax, anunciou que, dentro de 5 anos, quer ter pelo menos 50% de filmes publicitários realizados por mulheres — atualmente, os números não passam dos 10%. E considerando que a Procter & Gamble (P&G) é o maior anunciante do mundo, com um orçamento de cerca de 7 mil milhões de dólares anuais destinados a publicidade, é natural que este seu compromisso force o mercado a mudanças consideráveis, como observa a edição online da Fortune.

Esta e outras medidas foram anunciadas pelos responsáveis da P&G durante o Cannes Lions Internacional Festival, que nos últimos anos tem servido para apresentar iniciativas que incentivam as grandes empresas mundiais a comprometeremse com as metas da igualdade de género e de uma mais justa representação feminina nos media, em particular na publicidade.

Nos Estados Unidos as mulheres só compõem 30% dos cargos criativos em agências de publicidade e em marketing, como apurou uma pesquisa da Associação de Publicitários norte-americana. E segundo o estudo “Sex Segregation in Advertising Creative Departments Across the Globe”, de 2014, a representação feminina nos departamentos criativos de publicidade, em todo o mundo, não vai além dos 20,3%.

A multinacional também diz ter mudanças para fazer a nível interno: quer que metade dos seus cargos de diretor criativo sejam ocupados por mulheres até 2023, com os números atuais a chegarem já aos 41%, segundo a Fortune.

A representação feminina paritária, no que toca à conceção e produção de publicidade, pode levar a um aumento de 10% na confiança na marca e mais de 20% de crescimento nas receitas.

A P&G vai ainda assinar o manifesto “Free the Bid”, da realizadora Alma Har’el, que requer que exista pelo menos uma mulher entre o grupo de candidatos finais à produção de um filme publicitário. Estabeleceu também parcerias com a empresa produtora da atriz e rapper, Queen Latifah, para a criação de filmes de 12 minutos realizados por mulheres, e outra com a jornalista Katie Couric, que tem um novo projeto de séries de curtas-metragens online, a primeira das quais sobre mulheres com carreiras de sucesso.

O grupo reconhece que estes incentivos à paridade no setor criativo também vão compensar a nível de negócios. Segundo um estudo da iniciativa #SeeHer, citado pela Bloomberg, a representação feminina paritária, no que toca à conceção e produção de publicidade, pode levar a um aumento de 10% na confiança na marca e mais de 20% de crescimento nas receitas. Ou como disse Marc Pritchard, chief brand officer da P&G: “Algumas das nossas marcas com melhor desempenho têm campanhas publicitárias igualitárias. Já ficou claro que a promoção da igualdade de género não é só uma força a favor do Bem, mas também uma força a favor do crescimento.”