Porquê meditar?

A meditação traz benefícios imediatos e a longo prazo. Inês Roseta, professora de yoga e meditação e fundadora do site bravemaryan, explica que exige disciplina e prática, mas há ferramentas que a podem ajudar.

A sociedade em que estamos inseridos, está repleta de actividades que nos ocupam uma parte considerável da nossa energia e do nosso dia, consequentemente temos menos predisposição para nos debruçarmos sobre as causas fundamentais da felicidade. Imaginamos, de uma forma mais ou menos consciente, que quanto mais multiplicarmos as nossas ocupações, mais potenciamos as nossas satisfações e mais se desvanece o sentimento de insatisfação. Mas esta não é a realidade. Muitas pessoas, pelo contrário, estão frustadas e decepcionadas, mas não veem outra solução que não estar sempre em actividade, trabalho, saídas, conversas, ligadas incessantemente ao mundo on-line e a uma infinidade de acontecimentos.

É preciso esclarecer que este é só um modo de vida do actual mundo contemporâneo. Foram-se perdendo as tradições que remetem para uma transformação interna e pessoal, tal como é a prática de meditação. As técnicas de meditação apontam para a transformação do espirito. A meditação potencia qualidades como a atenção, o equilíbrio emocional, o altruísmo e a paz interior.

Vários estudos demonstram que 20 minutos de meditação diária praticada durante 6 a 8 semanas diminui a ansiedade, reduz a tendência para a depressão, reforça o sistema imunitário e o bem estar em geral, abranda as sensações de raiva e cólera, e torna-nos menos vulneráveis à dor (física e emocional). Qualquer um de nós dispõe do potencial necessário para se libertar dos estados mentais que aumentam o nosso sofrimento, da capacidade apropriada  para encontrar paz interior e para contribuir para o bem comum, para o bem pessoal e de todos os que nos rodeiam. Vale sempre a pena melhorar, há sempre margem para ser um pouco melhor a cada dia que se vive. Não há ser humano que queira viver apenas para sofrer, vivemos uma busca incessante de felicidade, de amor, e estamos continuamente nesta busca no local errado, nas coisas e nos outros, numa viagem, numa casa nova com vista para o mar, ou numa relação.

A felicidade genuína nunca poderá chegar de algo que venha de fora de nós mesmos, ou materializada em algo ou em alguém, esse tipo de felicidade é inexoravelmente momentânea e efémera. A felicidade tem que ser interior e, mesmo assim, não será plena. A dor faz parte da essência da vida, a questão é a maneira como lidamos com ela, como nos permitimos ser afectados por pensamentos dolorosos, invadidos por ódios, feridos pelas palavras duras que nos dirigem. Nestes momentos dolorosos todos nós gostaríamos de conseguir controlar as nossas emoções. E a meditação ajuda.

Benefícios da meditação

Há já vários estudos científicos que comprovam os benefícios da meditação. A ciência consegue explicar como é que a prática de meditação modifica a nossa mente o nosso corpo e o nosso cérebro. Mas provas científicas à parte, como é que a meditação nos pode ajudar no dia a dia? É importante entender que meditar é tão simples de executar como sentar e respirar. Muitas pessoas assustam-se com a simplicidade da execução da prática. O ser humano gosta de coisas difíceis que tenham resultados visíveis, imediatos e contabilizáveis.

A mente corre logo em nosso auxilio desacreditando a prática com inúmeras razões carregadas de certeza. “Meditar não serve para nada, é uma perca de tempo, não sou capaz estar quieto e sentado, fico logo com comichões no nariz, tenho tanta coisa para fazer…”

Sentar, respirar e mais nada … além de estares contigo mesmo. É Libertador!

Quando meditamos vamos prestar atenção a coisas que nunca tínhamos tido consciência antes! Quantas vezes por dia coçamos o nariz, ou pomos as mãos na cara? Quando nos sentamos com o propósito de estarmos imóveis e em silêncio apenas a respirar, esta e outras descobertas, ou podemos chamar-lhe  tomadas de consciência, vão acontecendo. E atrás de uma constatação chega outra, permitindo-nos conhecer melhor, e tomar o lugar de observador de nós próprios. Começamos por ter consciência das sensações físicas, mais densas e concretas do corpo, na sua dimensão física, e à medida que vamos explorando mais e melhor o nosso ser interior vai emergindo a percepção do nosso corpo subtil, as nossas emoções, os pensamentos, a espiritualidade, a parte de nós próprios que não se vê. Aquela parte de nós mesmos que apenas se sente, mas que ao andarmos assoberbados, nem nos permitimos parar para sequer sentir.

Meditar é um caminho de auto-conhecimento, compaixão e amor, que nos permitirá poder ser, aquilo que na realidade já somos. Ao praticar meditação vamos ter consciência dos benefícios que daí advêm, não propriamente quando estamos sentados, de olhos fechados a respirar, mas antes no dia a dia, na forma como lidamos connosco, com os outros, bem como, encaramos as questões e situações que vão surgindo. Percebemos que o mundo acontece independentemente de nós. Mas que nós somos parte do mundo. Meditar concentra-nos, devolve-nos a casa, ensina-nos a conviver connosco. Traz clareza, e ajuda a aceitar que tudo seja como é. Meditar é permitirmo-nos guiar pelo nosso mestre interior, o coração. É perceber que tudo está dentro de nós, e que podemos e devemos estar em contacto connosco.

Meditação para pessoas atarefadas

Devemos começar por períodos curtos, por exemplo cinco minutos por dia. Escolha um momento que à partida sabe que consegue estar num local minimamente sossegado, onde não vá ser incomodada. Recomenda-se de manhã, mas para que a horário não seja impeditivo, escolha qualquer hora do dia.

É imprescindível ter consciência que não existe ninguém que não tenha cinco minutos num dia inteiro. Se acha que não tem cinco minutos para si, porque tem muito trabalho, tem muitos filhos, tem muitas solicitações, o meu conselho imediato é que deve repensar o que anda aqui a fazer. E na forma como está a orientar a sua vida. Todos temos o direito e devemos parar. Parar para poder sentir.

É importante que seja regular na sua prática, meditar uma vez por semana, ou uma vez por mês não vai permitir sentir os efeitos da prática, e arrisco-me até a dizer que é penoso, pois cada vez que se sentar, o turbilhão de pensamentos chegará desordenado e em catadupa como se fosse sempre a primeira vez. Ora são apenas cinco minutos todos os dias. Se um dia faltar, não há problema e não se martirize, só regressa e começa de novo. Lembre-se que é sempre tempo de recomeçar, começar ou parar aquilo que  quisermos e tivermos vontade.

Há medida que os 5 minutos se tornarem confortáveis, vamos acrescentando, um a um e sem darmos conta tomamos consciência que, afinal, somos livres e temos 15 ou 20 minutos por dia que são só nossos. E que os podemos ter. É uma sensação de liberdade reveladora. Eu estou aqui sentada a respirar porque eu quero e porque posso, porque a vida é minha e sou eu quem a comando.

O que vai acontecer? Vamos desatando os nós, um a um, ganhando espaço na nossa vida, no nosso corpo e na nossa mente. Vamos unindo as várias dimensões do ser humano, corpo, mente, espirito e emoção. Estas dimensões que nos constituem enquanto ser vão começando a integrar-se e a trabalharem em conjunto para vivermos uma vida mais plena, e consequentemente mais agradável. Estes são alguns benefícios gerais, mas se cada pessoa é diferente da outra no seu aspecto exterior, por dentro também certamente. Por isso os benefícios que vai alcançar serão também diferentes dos meus, mas serão seguramente os que precisa a cada momento.

Para iniciar esta prática, muitas vezes é mais fácil ter alguém que nos guie, para nos ajudar a ultrapassar o enorme fluxo de pensamentos que bombardeia a nossa mente. Para o auxiliar neste caminho, criámos um site onde partilhamos algumas dicas para começar e onde poderá encontrar também algumas meditações guiadas.

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