Como passar do estágio ao emprego

Num mercado de trabalho em que a competição é feroz, que estratégias pode adotar uma jovem profissional para sobressair entre tantos outros e conseguir um contrato de trabalho? Motivação, sede em aprender e uma boa ética de trabalho são só algumas das respostas.

Construa relações profissionais relevantes desde cedo; mostre a sua motivação em assumir projetos mais desafiantes.

Para quem entra de fresco no mercado de trabalho, um estágio é uma oportunidade única para conhecer a realidade empresarial no terreno, aprender com um mentor experiente, fazer contactos profissionais, afinar o foco da carreira — às vezes é tão simples como perceber que não é nada daquilo que quer fazer — e, acima de tudo, ter a experiência de trabalho que os recrutadores procuram no seu currículo.

O primeiro passo antes de embarcar num estágio é pensar naquilo que quer retirar dessa experiência, seja explorar diferentes caminhos de carreira até achar aquele que é a sua cara; passar da teoria à pratica e ganhar experiência profissional na área que estudou, ou conseguir um contrato de trabalho naquela empresa. Se o último caso é aquele em que se revê, há medidas que podem ser tomadas para que o seu nome seja o primeiro da lista para preencher uma vaga na empresa: deixar a imagem de uma profissional dedicada, construir relações sólidas com os colegas e tornar-se num elemento relevante da sua equipa.

Faça a diferença desde cedo: Michael D. Watkins, um especialista norte-americano em liderança e co-fundador da Genesis Advisers, escreveu The First 90 Days: Proven Strategies to Getting up to Speed Faster and Smarter, um livro sobre como deixar boa impressão nos primeiros meses em que aterra num novo trabalho, seja como estagiária ou nova colaboradora. “A minha investigação mostra que aquilo que fazemos nos primeiros tempos de uma transição laboral é o que acaba por interessar mais”, diz numa entrevista ao site de carreira The Everygirl. “Os nossos colegas e chefias formam opiniões sobre nós baseados em informação limitada e essas opiniões acabam por se ‘colar’ a nós — depois acaba por ser difícil mudar. Por isso, molde a opinião deles sobre si da melhor forma possível.” E porquê 90 dias? “Porque é um trimestre. As empresas avaliam muito as suas atuações a cada trimestre e nós devíamos fazer o mesmo.”

Mostre que é competente e de confiança: Chegar sempre a horas e avisar os colegas ou chefias com a maior antecedência possível sempre que apareça um imprevisto, é uma boa forma de demonstrar que tem perfil cumpridor. Quando alguém lhe passa uma tarefa, entregue-a sem pontas soltas e completa, com atenção ao detalhe e incluindo informação extra que possa ser relevante. Reveja sempre os seus trabalhos escritos para que não tenham erros gramaticais, de sintaxe ou pontuação e com uma formatação cuidada. Esteja sempre preparada para uma reunião de equipa. Quando cumprir uma tarefa que lhe delegaram, mostre-se interessada em acompanhar a fase seguinte desse projeto, ainda que como observadora, e se for possível.

“Vejo as pessoas muito focadas nas suas aptidões técnicas e pouco na política da empresa”, Michael Watkins, especialista em liderança. Familiarize-se com a cultura empresarial, a sua história, com as suas metas e objetivos; conheça bem o mercado e o negócio.

Não queira fazer mais do que consegue: Até os estagiários mais empenhados e competentes caem frequentemente numa armadilha comum, na ânsia de provarem o seu valor: aceitarem ou oferecerem-se para fazerem mais trabalho do que podem cumprir nos prazos estipulados. Quando lhe atribuem tarefas simples e acredita que as consegue completar fácil e rapidamente, pode sempre oferecer-se para uma ou outra mais complexa — mostra pro-atividade e vontade de aprender. Mas avalie primeiro se tem tempo de terminar tudo em tempo útil, caso contrário, a sua credibilidade sai a perder.

Interesse-se pelo negócio, cultura e valores da empresa: Saber inglês, dominar um programa informático ou saber redigir um relatório completo é essencial, mas não é tudo. “Vejo as pessoas muito focadas nas suas aptidões técnicas e pouco na política da empresa”, observa Michael Watkins. Familiarizar-se logo com a cultura empresarial, a sua história e valores, com os resultados que esperam atingir e curto e médio prazo, conhecer o mercado e o negócio é essencial para quem quer mostrar o que vale e causar impacto numa empresa.

Mostre motivação em aprender: Muitos profissionais seniores apaixonados pelo que fazem adoram partilhar experiência de trabalho e conhecimentos. Podem nem todos ter a mesma aptidão para ensinar, mas cada um terá uma contribuição válida a dar-lhe. E gostam que lhes façam perguntas, que lhes peçam opiniões. Não (apenas) por uma questão de ego — toda a gente aprecia ser valorizado como um profissional experiente — mas porque, em parte, gostam de ver que a nova geração partilha do seu envolvimento com o que fazem ou da mesma paixão pela profissão. E são esses colegas seniores que são chamados pelas chefias em altura de avaliações para dizerem o que pensam do estagiário — se é talentoso e trabalhador, se quer mesmo aprender, em suma: se tem potencial para entrar nos quadros.

Aposte nas relações profissionais: “Construa relações profissionais relevantes desde cedo. Pergunte ao seu chefe ‘quem é que eu devo mesmo conhecer nesta empresa?”, diz Michael Watkins. Mas não se foque apenas em ser apresentada a chefias; pense em colegas que estão ao mesmo nível hierárquico, mas que podem passar-lhe ensinamentos valiosos ou servirem como apoio. E, acima de tudo, trate todos com educação e respeito, do segurança ao diretor-geral.

Ouça primeiro (e bastante), opine depois: Muitas chefias querem saber o que pensa a nova geração de consumidores e, por isso, vão pedir a sua opinião numa reunião. Esteja preparada para falar, mas assegure-se de que os seus comentários são sensatos e pertinentes. “Ouça sempre tudo antes de falar. Às vezes, as pessoas sentem necessidade de provar o que valem muito cedo e formam opiniões antes mesmo de saberem realmente do que estão a falar”, observa Michael Watkins.

Oferecer-se para projetos independentes, funções que estão sub-representadas na organização — ou para as quais os seus colegas têm menos tempo — é uma das melhores estratégias para ocupar o seu nicho e tornar-se essencial na empresa.

Aprenda a lidar com os erros: Ninguém espera que seja perfeita, sobretudo quando está no começo de uma carreira em que ainda está quase tudo por aprender. O objetivo dos erros é fazer-nos aprender com eles — e mostrar a quem a supervisiona o que aprendeu e como tenciona resolver as coisas para a próxima. É sempre aconselhável assumir a responsabilidade pelas falhas, quando algo corre mal; pergunte aos colegas mais experientes como teriam lidado com a tarefa em causa ou como pode aperfeiçoar-se nela.

Ocupe o seu nicho e torne-se essencial: Não é fácil encontrarmos o nosso lugar numa equipa que está habituada a funcionar junta há muito tempo e onde todas as funções estão bem delineadas. Uma boa forma de contornar este obstáculo é oferecer-se para projetos independentes ou para funções que estão sub-representadas na empresa, ou para a qual os seus colegas têm menos tempo ou experiência. Por exemplo: se está mais à vontade para lidar com redes sociais do que os seus colegas, ofereça-se para tomar conta das páginas da empresa no Facebook ou Instagram.
Perceba qual o nicho que pode ocupar; quanto mais relevante este se mostrar para o negócio da empresa, melhor. O atual contexto do mercado de trabalho mostra que não existem pessoas indispensáveis numa organização — nem mesmo aqueles que toda a vida foram tidos nessa consideração — mas tentar aproximar-se desse conceito é sempre uma vantagem que nunca a abandonará ao longo da carreira.

 

O QUE DEVO PROCURAR NUM ESTÁGIO?
O norte-americano Mark Babbitt é o fundador da plataforma YouTern, que põe em contacto estudantes à procura de estágio e start-ups, empreendedores ou organizações sem fins lucrativos com estratégias dinâmicas e uma postura mais ‘fora da caixa’. Para ele há quatro fatores que todos os candidatos a estágio devem procurar: aprendizagem, networking, mentoria e contributo pessoal. “Isso significa evitar aqueles estágios antiquados em que passa o dia a tirar cafés e fazer fotocópias”, diz o especialista em entrevista ao site de carreira The Muse. E que soft skills procuram os empregadores num estagiário? As mais valorizadas são boa ética de trabalho, capacidade de resolução de problemas, capacidade de liderança, boa gestão de tempo, motivação para a aprendizagem (ou vontade de ter um mentor), diz Babbitt. “As soft skills deviam ser enfatizadas no currículo e durante a entrevista. Igualmente importante é uma forte presença nas redes sociais, que demonstre um caracter sólido e paixão pela indústria, empresa ou por uma função específica. E, por mais antiquado que pareça, não há nada como alguém que sabe vender os seus serviços e que mostra perseverança.”

 

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