O que mudou quando mudei: Joana Garoupa

Joana Garoupa partilha o que mudou na sua vida desde que deixou a Siemens, onde trabalhou durante 9 anos, para liderar a Direção de Comunicação e Marca da Galp.

Joana Garoupa lidera a Direção de Comunicação e Marca da Galp.

Na Siemens, Joana Garoupa foi diretora de Corporate and Marketing Communications, e foi também responsável pelo programa Diversidade no Cluster Sudoeste Europeu, assim como, responsável pela comunicação da Siemens em Angola e Moçambique. Em outubro de 2017 aceitou o desafio da Galp para liderar a sua Direção de Comunicação e Marca.

Licenciada em Comunicação Empresarial pelo ISCEM, e com uma pós-graduação em Gestão, pela Faculdade de Economia da UNL, Joana Garoupa iniciou a carreira como relações públicas na Emirec Comunicação. Prosseguiu depois na publicidade, onde foi account executive na McCann-Erikson e na Guerreiro DDB, e account supervisor na Publicis Publicidade, antes de voltar de vez à comunicação na Siemens, onde esteve entre 2003 e 2017.

 

“Porque é que mudamos? Mudamos quando queremos algo novo, mas também mudamos, por vezes, para voltar ao que já conhecemos ou tivemos. Mudamos porque precisamos de um novo desafio ou porque queremos simplesmente agir de forma diferente. Ou seja, os contextos da mudança mudam também. E nós mudamos de acordo com eles, mas sempre à procura de nos sentirmos melhores pessoas, mais completas, realizadas e felizes.

No mercado laboral estas premissas não são substancialmente diferentes. Abraçamos um novo projeto porque queremos, como profissionais, tudo aquilo que também ambicionamos na vida pessoal: crescer, progredir, assumir novos desafios, alargar horizontes, correr atrás de objetivos que nos preencham.

Mudar quando estamos bem implica sempre, por isso, uma dose suplementar de risco. Mas quando sentimos, cá dentro, que esse é o movimento que faz sentido, que sentido faria contrariá-lo?

Vivi isso na pele há quase dois anos, quando recebi o convite da Galp. A verdade é que estava bem na Siemens, uma multinacional onde cresci durante vários anos intensos, repletos de desafios entusiasmantes na área do marketing e da comunicação. Mas o repto da Galp despertou em mim uma espécie de amor à primeira vista. Porque é uma marca apaixonante, com uma ligação histórica e muito forte aos portugueses. E é também uma multinacional que está a construir o seu futuro num sector em transformação profunda.

Começar de novo faz-nos sentir de alguma forma mais vulneráveis. Conhecemos novas pessoas e novos espaços, um ambiente diferente e novos desafios, somos colocados à prova, recomeçamos do zero. E tão bom que tudo isso é.

Mudei, em suma, porque o desafio de gerir uma marca destas era irrecusável. E a maior prova de que foi a decisão certa está no facto de não ter dado pelo tempo a passar: tenho as memórias dessa mudança tão vivas que ainda hoje me parece que cheguei há poucos dias à Galp.

O primeiro dia num novo emprego tem sempre um certo cheiro a primeiro dia de escola. A comparação é inevitável, porque começar de novo faz-nos sentir de alguma forma mais vulneráveis. Conhecemos novas pessoas e novos espaços, um ambiente diferente e novos desafios, somos colocados à prova, recomeçamos do zero. E tão bom que tudo isso é.

Mudar da Siemens para a Galp teve um pouco de tudo isso. Um novo sector, uma nova empresa, novas pessoas, um novo chefe. Até coisas simples como cumprir um novo trajecto entre a casa e o trabalho contribuem para a sensação de novidade que inevitavelmente vivemos no arranque de um nova fase da nossa vida profissional.

Talvez por isso sejam também importantes, nestes momentos, os pequenos detalhes. Aqueles pormaiores que contribuem para que nos adaptemos mais depressa a uma casa nova. Dou-vos um pequeno exemplo: decorar o meu novo gabinete demorou algumas semanas. Mas foi importante, porque me permitiu criar um ambiente com um cunho pessoal, e ao mesmo tempo mais funcional e adaptado aos novos processos e formas de trabalhar que implementámos numa equipa com mais de 20 pessoas.

No primeiro impacto da nova realidade, diria que a principal mudança que senti no dia a dia foi o número de reuniões presenciais que passei a ter na Galp, por oposição às inúmeras conference calls e reuniões via skype que antes tinha na Siemens (muitas delas em horários péssimos por causa dos inevitáveis fusos horários numa multinacional presente em 190 países).

Volvidos quase dois anos, posso assumir que são quase inexistentes os pontos de contacto entre as rotinas que tinha na Siemens e aquelas que passei a ter na Galp. E não me peçam para vos definir “um dia típico” na Galp. Percebi depressa que esse é um conceito que não existe nesta empresa.

Tive a felicidade de dar um passo (…) onde pude dar seguimento a uma máxima que me tem acompanhado ao longo da minha carreira: tudo o que aprendeste na vida até este momento será fundamental para a tua próxima etapa.

Mas constatei também muito rapidamente que a minha experiência anterior na Siemens seria fundamental para me adaptar à Galp. Nomeadamente pela formatação mental que trouxe e que me ajudou instantaneamente a conseguir pensar a marca em mais de uma geografia. E também pelo facto de serem ambas empresas onde a vanguarda tecnológica desempenha um papel crítico e com visões e missões altamente consolidades, com equipas muito sólidas, competentes e grande capacidade de execução.

Em cima disso veio tudo o resto, a aprendizagem permanente, os desafios, o processo contínuo de crescimento que tanto me entusiasma e que faz da Galp uma empresa tão vibrante, num sector abrangente e com um impacto tão direto e relevante no quotidiano dos nosso clientes.

Ao contrário da Siemens, onde a dimensão global obrigava sempre a integrar uma grande diversidade de pensamento numa estrutura que envolvia quase duas centenas de países – e onde Portugal era um pequeno microcosmos –, na Galp somos headquarters de uma multinacional em expansão, com atividade em 11 geografias e exportações para mais de 50 mercados. Com uma marca profundamente portuguesa, a partir da qual gerimos a vertente multicultural inerente à comunicação para geografias tão distintas como Moçambique, Brasil, Espanha ou Cabo Verde.

Em resumo, tive a felicidade de dar um passo que me permitiu continuar a crescer, num contexto onde os desafios se renovam a cada dia que passa e onde pude dar seguimento a uma máxima que me tem acompanhado ao longo da minha carreira: tudo o que aprendeste na vida até este momento será fundamental para a tua próxima etapa. Porque nada se perde, tudo se transforma. E se sentimos que é altura de dar um passo em frente, todos os dias são um bom dia para mudar.”