Mitos sobre a saúde em que deve deixar de acreditar

Sabia que, afinal, o açúcar mascavado não tem muito mais benefícios do que o açúcar branco? Ou que andar de cabelo molhado na rua em pouco ou nada contribuiu para apanhar uma constipação? Procurámos a verdade sobre alguns dos mitos mais comuns... e mais invulgares.

Enxaguar a boca depois de escovar os dentes pode diminuir a ação do dentífrico.

Alguns deles ouviu durante toda a vida, ou porque a sua mãe ou avó lhe diziam, ou porque os leu algures. O mais provável é nunca se ter questionado sobre se são ou não verdade. Mas contra a ciência não há mitos que escapem e, por isso, reunimos alguns dos mais comuns sobre saúde e nutrição, que precisam de ser clarificados.

É preciso fazer um “pequeno-almoço de rei”

O pequeno-almoço é o momento em que geralmente obtém energia para as atividades do dia que tem pela frente. Mas, ao contrário do que se costuma dizer, não precisa de um pequeno-almoço de “rei” para ser mais saudável ou ter mais energia. Uma vez que é a primeira refeição do dia, o pequeno-almoço tem como principal função fornecer ao organismo a energia e os nutrientes de que precisa no início do dia.

Assim, de acordo com a Associação Portuguesa de Nutrição (APN), para o pequeno-almoço ser considerado saudável deve ingerir alimentos do grupo dos laticínios, cereais e derivados, fruta e água. A mesma associação alerta para as consequências de não tomar o pequeno-almoço, nomeadamente a hipoglicemia (descida de glicose no sangue), que pode originar suores frios, fraqueza e desmaios, mal-estar e má disposição geral, dores de cabeça e quebra de rendimento físico e intelectual. É por isso pouco estranho quando se observam casos onde existe relação entre a carência de pequeno-almoço e a incidência de diabetes tipo II, obesidade ou doenças cardiovasculares.

Estudos da Obesity Research & Clinical Practice, do Jornal Americano de Nutrição Clínica e a Sociedade Americana para a Nutrição comprovam que, comparativamente a quem salta o pequeno-almoço, as pessoas que fazem esta refeição com regularidade tendem a ter práticas alimentares mais adequadas e de maior qualidade, associadas a melhores escolhas alimentares ao longo do dia e a um peso corporal mais saudável. Ou seja, quem salta o pequeno-almoço, provavelmente pratica outros hábitos alimentares desequilibrados. Em contrapartida, um estudo conduzido pela Universidade de Brigham Young comprovou que a ingestão forçada de uma refeição que geralmente não se faz pode resultar num aumento das calorias ingeridas e ganho de peso, uma vez que não é feita a devida compensação nas refeições seguintes.

O que se pode concluir é que a rotina do pequeno-almoço parece levar a comportamentos alimentares mais saudáveis e, como explica a APN, “contribui para uma distribuição alimentar e energética mais equilibrada ao longo do dia”. Desta forma, o melhor mesmo é analisar a rotina e o apetite matinal de cada pessoa e só depois escolher a melhor opção, tendo sempre em mente de que o pequeno-almoço é muito importante. “Para aqueles que não têm apetite ou vontade de comer logo de manhã, ao acordar”, diz a Associação Portuguesa de Nutrição, “é aconselhável estimular gradualmente o apetite, começado por ingerir alimentos leves, frescos e em pequenas quantidades”.

O açúcar mascavado é mais saudável do que o açúcar branco

A cor pode ser enganadora, uma vez que o açúcar mascavado, pela sua tonalidade, remete para uma ideia de terra ou de natureza, levando a pensar que é mais saudável. Na verdade, a cor resulta de um líquido viscoso chamado melaço, que é preservado pelo açúcar aquando da sua extração. Segundo o site Business Insider, o açúcar mascavado não é mais do que açúcar “normal” com um pouco de melaço e, por isso, menos processado. Isto significa que o açúcar mascavado tem menos aditivos químicos e preserva mais propriedades nutricionais, especialmente o teor em vitaminas do complexo B e minerais, como cálcio, magnésio ou potássio.

Contudo, de acordo com a Fundação Portuguesa de Cardiologia, apesar de parecer uma alternativa mais saudável ao açúcar branco, seria necessário um consumo excessivo de açúcar para que o teor vitamínico e mineral ingerido fosse significativo. Porém, um consumo exagerado teria um impacto negativo e anularia qualquer benefício que resultasse da ingestão desses micronutrientes. Uma vez que a Organização Mundial de Saúde recomenda um consumo de 25g de açúcares simples por dia, a quantidade de açúcar a utilizar não seria suficiente para que o açúcar mascavado tivesse um benefício significativo na saúde.

Dietas à base de sumos e outros detox funcionam 

Continuam na moda, mas isso não significam que sejam totalmente benéficos. As opiniões ainda se dividem, mas alguns especialistas afirmam que a melhor forma de o corpo se desintoxicar é… sozinho. De acordo com o site Live Science, desde que os rins e fígado sejam saudáveis, o organismo consegue purificar-se sem ajuda. Beber muitos sumos não ajuda propriamente a livrar o corpo de toxinas. Aliás, muitos sumos têm na sua composição uma grande quantidade de açúcar, o que pode resultar em picos abruptos de açúcar no sangue, seguidos de uma quebra repentina. Fazer uma dieta à base de sumo durante muito tempo pode mesmo provocar desnutrição.

A cafeína desidrata o organismo

A cafeína é ligeiramente diurética, o que faz com que os rins expulsem o excesso de sódio e de água no nosso corpo através da urina. A lógica dita que ao urinar perdem-se líquidos e, consequentemente, se estes não forem repostos, o corpo desidrata. Mas não funciona assim. Segundo o site Health, ao beber uma chávena de café ou de chá gelado está a ingerir um determinado volume de líquido juntamente com uma determinada quantidade de cafeína.

Apesar de a cafeína ter as tais propriedades diuréticas, não perde mais líquidos ao urinar do que aqueles que foram ingeridos inicialmente com a toma de café ou chá. Ou seja, não desidrata. O corpo humano é capaz de absorver os líquidos de que necessita para funcionar e expelir os restantes. A ingestão de cafeína pode, inclusive, tornar o corpo mais tolerante a este composto químico, fazendo com que o organismo se mantenha hidratado. Por isso, o último café que tomou hoje pode muito bem ser contabilizado na sua ingestão diária de líquidos.

Precisamos de menos horas de sono, à medida que ficamos mais velhos

Há quem diga que toda a gente deve dormir oito horas por dia e que isso é suficiente, mas não é bem assim. A quantidade de sono necessária altera à medida que envelhecemos. A American Academy of Sleep Medicine (AASM) estima que um adulto entre os 18 e os 60 anos, por exemplo, precise de dormir sete ou mais horas por noite; entre os 61 e os 64, é necessário descansar o equivalente a sete a nove horas diárias; e a partir dos 65 anos, o repouso deve ser feito entre sete a oito horas. Porém, estes números são relativos e as horas de sono podem depender de pessoa para pessoa, uma vez que, de acordo com a AASM, existe uma relação entre a genética e requisitos de sono.

Enxaguar a boca após a escovagem dos dentes

Esta questão pode ser um pouco controversa, mas há especialistas que defendem que a maioria dos dentífricos contêm determinados níveis de fluoreto que ajudam a reverter as primeiras fases da cárie dentária através da remineralização do esmalte. Segundo Eugene Gamble, cirurgião periodontal citado pelo Reader’s Digest, ao enxaguarmos a boca com um elixir ou com água não estamos a dar ao dentífrico tempo suficiente para atuar e acabamos por perder o benefício total deste.

Sair à rua com cabelo molhado provoca constipações

De certeza que já ouviu alguém dizer que ir para a rua com cabelo molhado faz mal e dá origem a constipações. Bem não faz (apesar de existirem estudos que comprovam que a exposição a baixas temperaturas melhora a nossa imunidade), mas deixá-la constipada é muito pouco provável, uma vez que as constipações são provocadas por vírus e não por mudanças ambientais. De acordo com o site Smithsonian, os rinovírus – vírus responsáveis pelas infeções respiratórias habitualmente benignas, como é o caso das constipações –, proliferam com maior rapidez em ambientes com baixas temperaturas. O problema é que, durante o inverno, há uma maior predisposição para nos constiparmos porque passamos a maior do tempo em espaços fechados. Isso traduz-se num maior contacto com pessoas que podem ou não transportar no organismo um rinovírus e na inalação de ar proveniente de ares condicionados, aumentando a nossa exposição aos vírus da constipação.