Mentoring: uma ferramenta de liderança no feminino

Reforçando o seu compromisso com a promoção da diversidade de género no seio das empresas, a PWN está a pôr em marcha o ME-TOTEM, um projeto europeu que defende a importância do mentoring para a ascensão profissional das mulheres.

Gini Dupasquier (PWN Milan), Teresa Marques (PWN Lisbon) e Silvia Rigamonti (PWN Milan).

A 28 de setembro último, Professional Women’s Network (PWN) Lisbon acolheu a apresentação do Mentoring as a Tool Towards Empowerment (ME-TOTEM), um projeto que visa fomentar a igualdade de género no topo das hierarquias corporativas, através da aposta no mentoring como uma ferramenta de desenvolvimento profissional que deve estar acessível a todas as mulheres. Concebida pela Professional Women’s Association (PWA) Milan, em parceria com a Professional Women’s International (PWI) Brussels e a PWN Global, esta iniciativa decorre ao abrigo da Estratégia Para a Igualdade Entre Mulheres e Homens 2010-2015 da Comissão Europeia e abrange oito países europeus: além de Portugal, Itália, Bélgica, França, Alemanha, Espanha, Holanda e Roménia.

Um dos principais objetivos passa por proporcionar às mulheres que estão a iniciar os seus percursos a troca de experiências com role models do sexo feminino.

Apresentado por Gini Dupasquier, vice-presidente da PWA Milan e project leader do ME-TOTEM, este programa pretende implementar estratégias que apoiem as mulheres nas diferentes fases de evolução das suas carreiras. Assumindo-se como um catalisador da liderança no feminino, o ME-TOTEM procura sensibilizar os boards das empresas para a importância de se ampliar o número de mulheres em cargos executivos, proporcionar às mulheres que estão a iniciar os respetivos percursos ou que ocupam posições de responsabilidade intermédia a troca de experiências com role models do sexo feminino que já ascenderam a lugares cimeiros e estimular o diálogo e o apoio intergeracional.

Alvos prioritários

Com o intuito de potenciar o mentoring numa lógica woman to woman, sem esquecer a necessidade de também envolver os executivos de topo do sexo masculino (a maioria dos grandes decisores) neste processo, este projeto dirige-se sobretudo a três grupos-alvo que se interconectam.

O primeiro grupo é constituído por membros (atuais e aspirantes, de ambos os sexos) dos conselhos de administração das empresas – quem efetivamente tem uma palavra a dizer sobre o recrutamento de mulheres para estes lugares e pode influenciar a posição dos diferentes stakeholders sobre esta matéria. Já o segundo grupo inclui executivas de diferentes áreas, com particular ênfase nas que estão envolvidas em gestão de Recursos Humanos, pelo seu papel decisivo na implementação de políticas corporativas mais equitativas e na consciencialização para o impacto que a igualdade de género pode ter sobre todos os aspetos da vida das empresas. E, finalmente, o grupo das mulheres que estão a iniciar as suas carreiras, por forma a sensibilizá-las para a importância de planearem as suas carreiras, combatendo o preconceito de que a ambição profissional pode ser lesiva, mostrar-lhes como podem ultrapassar eventuais obstáculos e pressões externas ao longo do seu percurso e ajudá-las a encontrar mentoras e sponsors que as acompanhem e auxiliem ao longo do caminho.

O que falta fazer

Continua a faltar uma abordagem sistemática à questão da igualdade de género, que imponha metas concretas.

Do trabalho que está a ser levado a cabo em torno do ME-TOTEM já é possível extrair algumas conclusões, como sublinhou Gini Dupasquier no recente encontro em Lisboa. No que concerne ao primeiro alvo prioritário, é notória, desde logo, a persistência de preconceitos, mesmo que inconscientes, que têm vindo a atrasar a redução das disparidades entre géneros no universo corporativo. De igual modo, a consciência de que é preciso fomentar a mudança de comportamentos a este nível continua a ser limitada em boa parte das organizações. Relativamente ao segundo grupo de ação, por sua vez, destaca-se a ausência de uma abordagem sistemática à questão da igualdade de género que imponha metas concretas. Já quando se olha à base da hierarquia corporativa, é manifesta a falta de confiança e o receio de não se conseguir alcançar o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, que ainda constituem um entrave para o desenvolvimento profissional de muitas mulheres.

As inscrições para o próximo programa de Mentoring da PWN Lisbon, coordenado por Teresa Marques, presidente da Lusa, já estão abertas. As inscrições para mentees e mentores estão em curso até 31 de outubro. Todas as informações aqui.

Ready, Steady, WOMEN

Com o sugestivo título de Ready, Steady, WOMEN, a conferência de encerramento do projeto ME-TOTEM terá lugar no próximo dia 3 de novembro, em Milão. Prometendo fazer um balanço do trabalho desenvolvido até aqui e apontar para as metas que ainda é necessário alcançar, este encontro representa uma oportunidade para que as mulheres presentes expandam a sua rede de contactos profissionais e entrem em contacto com ferramentas e estratégias que visam promover a liderança no feminino. Saiba mais pormenores sobre o programa e como inscrever-se aqui.