A melhor resolução de… Clara Raposo

A decisão com mais impacto na carreira de Clara Raposo, dean do ISEG, foi tomada há 25 anos e foi um projeto de risco.

Clara Raposo é dean do ISEG.

Clara Raposo é a primeira mulher a presidir ao ISEG, onde é professora catedrática de Finanças desde 2010.

“A resolução que maior impacto teve na minha carreira foi a de “me internacionalizar” e ir estudar para Londres em 1993, praticamente apenas recém-licenciada. Era uma época em que ainda não estavam popularizados programas como o Erasmus (de todo) e fui mesmo à aventura, com uma bolsa de estudo.

Como fui a melhor aluna da licenciatura, foi natural convidarem-me para ser assistente quando acabei o curso na Nova. Isso nem foi bem uma escolha minha, foi apenas a solução mais simples, à época. Mas uma carreira académica a sério implica um maior investimento em formação e investigação. Nessa altura não fiquei acomodada em Lisboa e resolvi ir para fora, procurar um ambiente com maior projeção internacional em termos académicos. Fui fazer um Mestrado em Economia na Universidade de Londres e, a seguir, fiz o Doutoramento em Finanças na London Business School. Foi também neste espírito de internacionalização que o meu primeiro emprego a sério foi como professora na Universidade de Oxford (na novíssima business school e num tradicional college).

A experiência de estar sozinha, de viver sozinha (e eu não tinha prática nenhuma de tarefas domésticas, compras, nada, zero!), de ser independente financeiramente pela primeira vez (com bolsa, primeiro da FCT e depois da Guklbenkian, e mais tarde com o meu salário em Oxford), de viver num espaço verdadeiramente cosmopolita e de ser desafiada intelectualmente todos os dias, foi muito exigente. Para além da saudade e do auto-conhecimento que uns anos assim introspetivos me forçaram, necessariamente, a vivenciar. E foi um projeto de risco, uma vez que não era certo à partida que correria bem fazer mestrado, doutoramento, etc.

Mas foi esta experiência de internacionalização pessoal bem sucedida que me trouxe algum “pedigree” académico, digamos assim, que ficou para sempre, e que me proporcionou conhecimento, maior abertura de espírito e uma melhor perceção do que é ser cidadã(o) do mundo. A solidão e as dificuldades dessa época trouxeram à superfície a minha capacidade de adaptação e sobrevivência, para além de um sentido de humor mais apurado e histórias que ficam para a vida toda.

 

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