Profissão: Margarida Botelho Rodrigues, flower design

Margarida Botelho Rodrigues estudou música, licenciou-se em Gestão e trabalhou em Marketing e Comunicação, antes de fundar a Bloom e se dedicar às flores a tempo inteiro.

Margarida Botelho Rodrigues com um dos arranjos da Bloom.

Margarida Botelho Rodrigues, 47 anos, estudou no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian e licenciou-se em Gestão de Empresas. Em simultâneo, fez várias formações de decoração floral, workshops e até um Master de flores. O seu primeiro emprego foi como diretora de Comunicação e Marketing, onde se desenvolveu o seu interesse pela organização de eventos, o que a levou a começar a sonhar com a Bloom, uma empresa que unia a paixão pelas flores e a decoração de eventos. Criada em novembro de 2003, a Bloom está hoje vocacionada esencialmente para o mercado de luxo – hotelaria e eventos – e tem já quatro espaços: o primeiro, e onde tudo começou, em Braga, dois no Porto e, o mais recente, abriu na Enoteca 17.56, em Vila Nova de Gaia.

Falámos com Margarida Botelho Rodrigues para saber exatamente o que faz uma Flower Design.

Como nasceu a sua paixão pelas flores?
Tive desde pequena um grande fascínio por flores. Como estudei 12 anos no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, sempre fui muito estimulada a criar e a despertar os sentidos e talvez isso tenha suscitado em mim uma sensibilidade especial.

Quando decidiu que essa seria a sua profissão?
Numa viagem a Nova Iorque. Em Portugal, este novo conceito de flower design ainda estava pouco desenvolvido. Encontrei um espaço que era um verdadeiro atelier de arranjos florais, com espécies invulgares e acima de tudo combinações arrojadas. Percebi que as flores são uma peça viva de decoração e, como tal, o flower design segue e dita tendências e cada marca tem uma assinatura muito própria. Foi esse conceito que quis introduzir com a Bloom. Hoje em dia tenho orgulho em dizer que os meus clientes conseguem identificar se um arranjo é Bloom. Porque tem a nossa assinatura.

Há pontos em comum entre as flores e a música?
Eu olho para as flores como um objeto de arte e de criação. Nesse sentido, podemos criar uma analogia entre uma composição de um arranjo floral e a composição de uma música ou arranjo musical, se quisermos ser ainda mais literais. A forma como cada flor e cada nota desempenham um papel essencial, integrando-se em harmonia perfeita com as restantes para compor uma melodia, que é sempre um produto maior do que a soma das suas partes. Também é interessante perceber como nós, enquanto “compositoras” criamos a peça, mas são as pessoas que depois lhes conferem a sua interpretação pessoal. Porque as flores lhes despertam sensações, visuais, táteis, olfativas e provocam emoções, evocam memórias…

Acredito que tudo o que fazemos na vida nos leva a ser o que somos hoje. A minha formação musical despertou-me para as artes, a Gestão para a criação do meu próprio negócio e o Marketing para a organização de eventos.

O que fez antes de se dedicar a esta atividade e quais as principais aprendizagens nesses empregos?
A minha formação académica é em Gestão de Empresas e o meu primeiro emprego foi como diretora de Comunicação e Marketing. Foi aí que percebi que a vertente de comunicação e organização de eventos era o caminho que eu queria seguir aliado ao gosto pela arte da decoração e flores. Estava encontrado o caminho para lançar o projeto da Bloom.

Em que medida essas experiências anteriores foram importantes para lançar a Bloom?
Foi tudo parte de um processo construtivo. Acredito que tudo o que fazemos na vida nos leva a ser o que somos hoje. A minha formação musical despertou-me para as artes, a Gestão para a criação do meu próprio negócio e o Marketing a vertente da organização de eventos, que é uma área em que nos temos vindo a especializar na Bloom.

Que formação foi necessário fazer para se tornar flower design?
Desde que decidi enveredar por esta área, tenho feito várias formações de especialização, nomeadamente um curso de decoração e flores em Braga. Depois fiz vários workshops em Nova Iorque, Abu Dhabi e um Master de Flores no Brasil.

Fazemos a decoração de vários hotéis de cinco estrelas e lojas de luxo, que têm como clientes pessoas que viajam por todo o mundo e a quem é difícil continuar a surpreender.

Quais os principais desafios da sua profissão?
Continuar a surpreender. A Bloom teve desde o início como premissa iniciar um novo caminho na área do flower design, trazendo uma nova abordagem tanto a nível de arranjos florais como da decoração e organização de eventos. Esse posicionamento permitiu-nos chegar a um segmento de luxo, em que a exigência é muito elevada. Fazemos a decoração, por exemplo, de vários hotéis de cinco estrelas e lojas de luxo, que têm como clientes pessoas que viajam por todo o mundo e a quem é sempre difícil continuar a surpreender. E esse é sempre o nosso maior desafio. Desde o cliente que quer demostrar o seu sentimento especial por alguém à decoração de um hotel de cinco estrelas, o desafio é o mesmo: continuar a surpreender.

Onde vai buscar inspiração?
O flower design segue as tendências da decoração, por isso estou sempre atenta aos temas e novidades internacionais. Mas acima de tudo, sigo muito o meu instinto e procuro encontrar novas abordagens para espécies ou objetos que não associamos aos arranjos florais. A título de exemplo, quando começámos introduzimos as bagas de pimenta nas decorações de Natal, em várias cores: vermelho, rosa, brancas, pretas. Ao início foi um desafio para o nosso fornecedor e, entretanto, tornou-se uma grande tendência. Gostamos de antecipar tendências e é este permanente inconformismo que nos obriga a fazer sempre mais e melhor.

Como se mantém atualizada na sua área?
A minha inspiração sempre foram as viagens que faço. Gosto de observar, registar e aplicar essas aprendizagens e experiências nas minhas criações.

Quando nos pedem um orçamento com muita antecedência, para um casamento, não sou capaz de dar. O evento vai ser desenhado tenho em conta tantas variáveis, que é impossível antecipar com um ou dois anos.

Como é o seu dia típico?
A Bloom pauta-se por um serviço muito personalizado, por isso os meus dias são passados em viagens entre as várias lojas, de Braga e do Porto e entre clientes, de norte a sul do país. Faço sempre questão de acompanhar de perto os nossos projetos.

Qual a parte mais surpreendente da sua função que ninguém imagina?
Eu diria que é o processo criativo de cada projeto, seja decoração ou evento. Não temos um formato fixo. Trabalhamos cada projeto de forma individual para que possamos refletir a sua essência. Quando nos pedem um orçamento com muita antecedência, para um casamento, por exemplo, não sou capaz de dar. Porque o evento vai ser desenhado tenho em conta tantas variáveis, personalizado ao perfil dos noivos e do tipo de casamento, com toques de novidades/tendências, que é impossível antecipar com um ou dois anos, como muitas vezes nos pedem.

Que características são fundamentais para ser boa nesta profissão?
Sensibilidade e bom senso!

Quem é para si a grande referência nesta área?
O japonês Atsushi Taniguchi.

Qual o trabalho de que mais se orgulha com a Bloom?
O que mais me orgulha na Bloom é o caminho que temos feito. Orgulha-me cada novo projeto, cada novo evento. Orgulha-me perceber a forma como temos evoluído em que os clientes nos confiam os seus eventos e projetos de decoração num formato chave na mão. São resultado das relações de confiança que construímos ao longo dos anos e é esse reconhecimento que procuramos no mercado.

Que conselho deixaria a uma mulher que queira fazer carreira nesta área?
Ter a coragem de criar o seu próprio caminho.

A Bloom na Enoteca 17.56, em Vila Nova de Gaia.