O meu maior desafio: Isabel Moço

A diretora da SGS Academy fala-nos da fase mais desafiante da sua carreira.

Isabel Moço, diretora da SGS Academy.

Isabel Moço é atualmente diretora da SGS Academy, vice-Presidente do Fórum Pessoas e Organizações (Pessoas2020) e docente e coordenadora de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional em vários programas da Universidade Europeia. É doutorada em Comportamento Organizacional pelo ISCSP, licenciada em Sociologia pelo ISCTE e detém pós-graduações em Recursos Humanos, pela Universidade Católica e pelo ISLA Lisboa, e em Comunicação, pelo ISCTE.

 

“Hoje, até achava interessante poder dizer que sempre planeei o meu percurso profissional e que a minha história no mundo do trabalho é fruto de um rigoroso plano de carreira. Perfeitamente falso. Muito do que hoje amo profissionalmente foi resultado de “estar lá” e aceitar o desafio de peito aberto, naturalmente com ponderação e receios, mas também com muita determinação e sentido de missão. Esse sempre foi o meu maior desafio profissional: ser, estar e fazer, com investimento e entrega total. Entendo até que é na forma como encaramos os desafios, quer da vida pessoal, quer profissional, que nos definimos. Muitas vezes digo aos meus alunos que quem não se desafia não se supera e acredito profundamente nesse princípio de vida.

Há quem distinga os desafios de início de carreira profissional de outros em fases de maior maturidade. Se assim o entendermos, e no início da minha vida profissional, o meu maior desafio surge enquanto estagiária na RDP, na Direção de Pessoal, numa fase de privatização da Rádio Comercial e de resposta a uma lei que significava a redução do efetivo – ainda na Universidade. Esse talvez tenha sido o desafio mais angustiante, pois não percebia o que se passava, não conseguia entender as pessoas e muito menos as decisões. Todos os dias me relaciono com o mundo profissional e o mundo académico e os dois não estão tão afastados como muitas vezes se comenta, mas, à época, era de facto complexo articular o que tinha aprendido com o que se fazia. O desafio era sobretudo aprender e ir dando alguma resposta capaz, mas a lição ficou e percebi que, mesmo não dominando todas as variáveis, há que ser exigente, dedicado e querer.

Ao longo dos anos tive várias direções a meu cargo, de suporte e de negócio, e nunca entendi como um desafio as propostas que me foram surgindo. Sempre decidi mais por emoção do que por razão e os verdadeiros desafios apareceram sempre depois da decisão. Refiro-o porque ao longo da minha carreira, e até hoje, o maior desafio sempre foram as pessoas. Já trabalhei com muitas pessoas e ao refletir sobre o tema chego realmente a essa conclusão – sejamos quem sejamos, façamos o que façamos, são as pessoas com quem lidamos que constituem o maior desafio profissional e que, simultaneamente, são quem nos desafia e estimula a vontade de ir mais longe.

Concretizando um pouco mais, sempre acreditei que em tudo na vida precisamos de reunir duas condições: poder e querer. O desafio que mais tem estado presente na minha vida profissional, e mais me custa “sangue, suor e lágrimas”, é lidar com pessoas que “não querem”, pessoas que rotinizam, perdem ambição e desejo, que se acomodam e, por vezes, inibem os outros – mesmo que possam! A todos estes, por vezes com sucesso, outras vezes sem o conseguir, tento sempre passar aquilo em que acredito e que verdadeiramente constitui o meu desafio profissional diário – e já lá vão quase três décadas a viver assim e nem um dia me arrependi: crescer e aprender todos os dias (costumo até dizer muitas vezes que dia que não se aprende, não se vive); encontrar pessoas que me ensinem, que me ajudem a manter atualizada e ficar sempre ligada a elas; ser, a cada dia, curiosa, atrevida e tentar ser sempre (a) melhor, se esses forem os meus objetivos (por exemplo, nunca disse aos meus filhos que o importante era participar se soubesse que o seu objetivo era ganhar); ser, a cada dia, fonte de ideias e de inspiração – este é o meu grande desafio, porque ainda tenho muito que fazer para o alcançar; ser guardiã de fortes princípios éticos e aplicá-los em cada passo que dou; respeitar cada pessoa e olhar-lhe “para dentro”.

Estes são na verdade o meu maior desafio profissional, um conjunto de desafios diários que resumiria como crescer permanentemente e ajudar cada pessoa com quem lido a ser melhor a cada dia – e isso é uma tremenda responsabilidade e fonte de energia.”