O meu maior desafio: Helena Botelho

Helena Botelho trabalha há 18 anos na indústria automóvel, sendo atualmente diretora financeira do Grupo PSA no Reino Unido. Já trabalhou em França, Portugal, Espanha e Croácia, e foi precisamente este último país que constituiu o seu maior desafio.

Helena Botelho, diretora financeira do Grupo PSA no Reino Unido.

Helena Botelho é diretora financeira do Grupo PSA e, desde 2016, que tem a sua base de trabalho em Coventry, no Reino Unido. Comecou a sua carreira em 1997 no departmento financeiro do Grupo Os Mosqueteiros, como controller de gestão e, em 2000, entrou no Grupo PSA. Depois de trabalhar 6 anos em Portugal na gestão, iniciou um percurso internacional (Paris, Zagreb, Madrid) e diversificou a sua experiência nas vendas e marketing. Voltou duas vezes a Portugal como diretora financeira da Peugeot Portugal, em 2011, e, em 2013, como directora das operações do Grupo PSA e como diretora da marca Peugeot. É licenciada em Economia pelo ISEG, tem um Executive Master em Gestão pela Universide Católica e um Executive Master em Marketing Digital pelo IPAM.

 

“O maior desafio na minha carreira é certamente trabalhar e evoluir todos os dias no mercado automóvel há 18 anos, sendo mulher, profissional, e mãe. Em toda a minha carreira, procurei sempre estar na zona de desconforto para conhecer melhor os meus limites. Talvez um pouco o estado de espírito duma corrida automóvel… Não gosto de coisas fáceis, nunca gostei.

Assim, se tivesse de escolher um desafio no meio de tantos, escolheria a minha experiência na Croácia como diretora financeira. Porquê? Primeiro, porque quando comecei a minha missão estava numa fase da minha vida pessoal em que tive de gerir a doenca e a perda dum ente querido e tive de deixar a minha filha uns meses em França, até poder levá-la comigo. Foi uma fase muito dura, o desafio profissional dum lado – com o país estava numa crise económica muito difícil-, a situação da empresa que requeria um grande investimento pessoal, e todo o entorno familiar. Ganhei muitas milhas neste período porque viajava quase todas as semanas e os voos não eram diretos, fiz muitas previsões financeiras trabalhando nos aeroportos, mas já os meios de comunicação permitiam que isso fosse possível.

Para tornar o desafio ainda mais desafiante, existia a barreira da língua e da cultura. No entanto, pouco a pouco tomando os problemas um por um e superando as dificuldades, a situação melhorou e acabou por ser mais uma oportunidade para aprender onde estão os meus limites. Consegui recuperar o equilíbrio da minha vida com a minha filha perto de mim, consegui superar o desafio profissional e a empresa sobreviveu. Obviamente, para que ela sobrevivesse tive de tomar decisões, algumas menos populares. No entanto, tambem dei muito de mim e para quebrar certas barreiras aprendi o croata. Sei hoje que este foi um elemento determinante para que os colaboradores me vissem doutra forma. Senti que houve desde então um antes e um depois e que certas decisões foram acolhidas mais facilmente. Esta experiência permitiu-me desenvolver a minha capacidade de adaptação e foi uma base fundamental para o resto da minha vida.”