Luís Lourenço: “Uma relação saudável com o dinheiro envolve respeito”

Uma relação saudável com o dinheiro deve ser caracterizada por uma sensação de bem-estar, transparência, consciência, respeito e coragem, defende Luís Lourenço. A propósito do lançamento do livro "Domine as Suas Finanças Pessoais e tenha Uma vida Melhor", conversámos com o autor.

Luís Lourenço é managing partner da Axelleworth Associates e autor de "Domine as Suas Finanças Pessoais e Tenha uma vida Melhor"

Luís Lourenço é managing partner da Axelleworth Associates, onde coordena a área de educação a nível global. Tem o Lisbon MBA – major em finanças da Universidade Nova de Lisboa e Universidade Católica e durante 15 anos desempenhou funções diretivas no grupo Millennium BCP. Dedicado ao tema das finanças pessoais desde 2009, é formador em alguns cursos da Your Money Watcher, criador de cursos online, autor de workshops, ebooks e artigos sobre esta área.

Um dos objetivos do livro é gerar um maior gosto pelo dinheiro. Mas a nossa sociedade não gosta já demasiado de dinheiro?

Esta é uma excelente questão! Quando se diz que a sociedade já gosta demasiado de dinheiro, na verdade o que se quer dizer é que para alcançar mais dinheiro já se ultrapassam determinados limites que não se deviam ultrapassar. Isto acontece quando para se ter mais dinheiro se desrespeitam ou prejudicam outras pessoas, ou quando não se protegem valores fundamentais como a vida e o meio ambiente.

Por outro lado, em termos de consumo, a maioria das pessoas é muito influenciada por tudo aquilo que as rodeia, levando-as a conduzir as suas ações de acordo com mensagens e sinais que recebem constantemente do exterior. Isso é o que as leva a comprar o que não precisam ou a tentar demonstrar ser o que não são, conduzindo-as a situações desnecessariamente frágeis ou mesmo perigosas.

A maioria das pessoas pode realmente ter uma vida melhor, muitas delas podendo mesmo alcançar situações financeiras muito confortáveis.

O livro leva as pessoas a compreenderem o significado do dinheiro, porque devem gostar dele (o porque é muito importante!), as vantagens de passarem a ter um comportamento consciente em relação à sua utilização e como podem começar a fazer imediatamente uma boa gestão das suas finanças pessoais. Muitas vezes existe a ideia de que ter uma vida desafogada em termos financeiros é só para alguns, ou que é algo que só se consegue através de meios menos recomendáveis, mas isso não é verdade. A maioria das pessoas pode realmente ter uma vida melhor, muitas delas podendo mesmo alcançar situações financeiras muito confortáveis.

O que caracteriza uma relação saudável com o dinheiro?

Desde logo, uma relação saudável com o dinheiro deve ser agradável, no sentido em que aquilo que fizermos ou pensarmos que envolva dinheiro deve dar-nos uma sensação de bem-estar e não de ansiedade, medo ou apreensão.

Depois, deve ser uma relação honesta e transparente, ou seja, devemos saber exatamente qual é a nossa situação financeira e não fazer de conta que as coisas são diferentes do que são na realidade, ou ter simplesmente fé de que vão mudar para melhor no futuro. Certas pessoas chegam a evitar olhar com clareza para a sua situação financeira, só porque imaginam (sabem!) que o resultado não vai ser agradável. A verdade é que, seja qual for a situação financeira em que se encontram, fingir que a realidade é outra e continuar a ignorar a realidade, só vai piorar as coisas. Para iniciar um processo de melhoria e recuperação, não há como dar a volta senão olhar para as coisas de frente e quanto antes melhor.

Os gastos devem ser feitos de forma consciente e informada, tentando evitar arrependimentos posteriores ou o enfrentar de dificuldades inesperadas.

Em seguida, deve ser uma relação consciente, ou seja, tudo o que envolver transações financeiras deve ser feito de uma forma consciente. Com isto não estou a querer dizer que acho que o dinheiro não deve ser gasto. Claro que sim e até acho que quanto mais dinheiro circular, melhor para as empresas e para a economia em geral. O que quero dizer é que os gastos devem ser feitos de forma consciente e informada, tentando evitar arrependimentos posteriores ou o enfrentar de dificuldades inesperadas.

Uma relação saudável com o dinheiro deve envolver também respeito. Embora de certa forma o respeito esteja ligado à consciência, é um tema que merece ser referido separadamente. Por um lado, o dinheiro é a expressão do nosso trabalho e esforço, daquilo que conseguimos produzir ao longo da vida. Por outro lado, o dinheiro pode ter um impacto incrível na nossa vida, por exemplo, permitindo o acesso rápido a cuidados de saúde especializados, dando a possibilidade de dar a melhor educação a um filho, ou simplesmente proporcionando a liberdade de viver novas experiências. Por estas razões acho que é fundamental termos uma relação de respeito com o dinheiro, evitando desperdícios em coisas desnecessárias ou perdas simplesmente por falta de organização ou conhecimentos sobre como gerir as finanças pessoais.

Por último deve ser uma relação corajosa, no sentido em que devemos ter a capacidade de tomar as ações necessárias nos momentos certos. Por vezes para assumir as rédeas das nossas finanças pessoais é preciso coragem para abdicar de certas coisas e/ou enfrentar outras, mas, se não tivermos a coragem de o fazer, os principais prejudicados seremos sempre nós próprios. Resumindo: uma relação saudável com o dinheiro deve ser caracterizada por uma sensação de bem-estar, transparência, consciência, respeito e coragem.

Há pessoas que, por vergonha, prolongam situações insustentáveis para evitar ao máximo expor casos delicados perante amigos, familiares e conhecidos, na esperança de conseguirem inverter o estado das coisas a tempo.

Quais os principais erros que se cometem na gestão do dinheiro?
Penso que, principalmente, é não enfrentarem esse querer de forma frontal, honesta (para com os próprios), corajosa e com a determinação de fazer o que for necessário fazer, de forma estruturada e sustentável. As situações variam muito de pessoa para pessoa. Há pessoas que, por vergonha, prolongam situações insustentáveis para evitar ao máximo expor casos delicados perante amigos, familiares e conhecidos, na esperança de conseguirem inverter o estado das coisas a tempo. Outras não conseguem alterar o seu nível de vida e de conforto, permanecendo também demasiado tempo em situações insustentáveis. Outras não sabem por onde e como começar a alterar a sua situação e, com a vontade de alcançar resultados rápidos, lançam-se em soluções que não resultam e são por vezes mesmo perigosas. Outras simplesmente dizem que querem dominar as suas finanças, mas quando chega a altura de fazer mudanças não têm a força de vontade suficiente. Enfim, as situações são mesmo variadas, mas, no final, vamos chegar quase sempre ao mesmo: falta de coragem e honestidade para assumir a responsabilidade pela situação presente, bem como determinação para procurar uma solução estruturada e sustentável com vista a alcançar resultados duradouros. Muitas pessoas também não reconhecem que precisam de reforçar as suas competências em gestão financeira pessoal. Consideram que já sabem tudo o que é necessário saber. Só que depois, na prática, não é isso que se vê.

O que é o método AMCP?

A sigla AMCP significa Awareness (Consciencialização), Measure (Medir), Control (Controlar) e Plan (Planear). Estes são os quatro passos que na Your Money Watcher são considerados essenciais para se iniciar e implementar uma gestão financeira pessoal bem sucedida. Ao desenvolver este método, o Sr. Guy Mercier (fundador da Your Money Watcher e pessoa com uma larga experiência pessoal e profissional nas áreas financeiras) teve em conta dois fatores fundamentais: 1) o método iria assentar em modelos e técnicas de gestão financeira de sucesso, já comprovados nas empresas ao longo de anos e  2) o método iria ser simples, prático, fácil de implementar e ao alcance de praticamente todas as pessoas.

A criação do método AMCP foi o resultado.  É um método simples e prático, que pode ser utilizado por praticamente todas as pessoas, mas que coloca à sua disposição técnicas, conceitos e ferramentas utilizadas ao longo de anos na gestão financeira das empresas, com resultados comprovados. No meu livro são explicados os conceitos básicos de utilização deste método, permitindo que qualquer pessoa possa imediatamente começar a fazer a sua gestão financeira pessoal com base nestes princípios. E as ferramentas de suporte à implementação do método são fornecidas gratuitamente, para uso vitalício.

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