Lina de Jesus: “A persistência é determinante para as mulheres alcançarem mais cargos de liderança”

Entrevista com Lina de Jesus, diretora de Recursos Humanos da Webhelp, sobre carreira, atração e retenção de talento e liderança feminina.

Lina de Jesus é diretora de Recursos Humanos da Webhelp.

Com um percurso de 25 anos na área da gestão dos recursos humanos, que se inicia em Paris com uma licenciatura em Gestão e Empresas, complementado em Lisboa com uma pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos, a carreira de Lina de Jesus já passou por diversos setores, desde companhias petrolíferas a indústrias de confeção. Entrou na área de experiência do cliente (CX) e soluções empresariais (BPO) através da Webhelp, em 2017, onde ocupa o cargo de diretora de Recursos Humanos. Nesta entrevista, Lina de Jesus fala sobre a sua carreira, mas também sobre os desafios que enfrenta atualmente na Webhelp, multinacional francesa especialista em experiência do cliente e soluções empresariais com forte expressão em Portugal.

 

Trabalhou em diversas indústrias. Qual o projeto mais desafiante em que participou?

Sim, no meu percurso profissional trabalhei em indústrias muito diferentes e cada um dos cargos gque desempenhei gerou desafios muito diferentes, no entanto tenho de destacar o setor da experiência do cliente como o mais desafiante. Acompanhar a evolução de uma indústria que está em crescimento acelerado mantendo viva a cultura, os valores da empresa e a proximidade com os colaboradores é, sem dúvida, um desafio que nunca tinha experienciado e muito recompensador, tanto a nível profissional como pessoal.

 

Desde que chegou à Webhelp, há cinco anos, muita coisa mudou, como a chegada da geração Z ao mercado de trabalho, a pandemia e as suas consequências, e agora a inflação e a crise provocada pela invasão da Ucrânia. De que forma isso tem afetado a sua função, em particular?

É realmente incrível como o mundo mudou em tão pouco tempo. Quando trabalhamos na área dos Recursos Humanos numa empresa onde as pessoas estão no centro da organização, qualquer alteração impacta e obriga-nos a evoluir. A geração Z leva-nos a ser mais criativos na nossa proposta de valor e procurar outras formas de atrair e reter profissionais. Por outro lado, a pandemia colocou a nossa resiliência e capacidade de adaptação à prova. Tanto na rapidez de atuação, enviando 80% das nossas pessoas para teletrabalho em duas semanas, como na capacidade de (re)inventar metodologias de trabalho para manter a proximidade entre todos. Este projeto só foi possível ser concretizado num curto espaço de tempo, devido ao empenho de todos os Webhelpers. Numa empresa que conta ainda com pessoas de 83 nacionalidades diferentes, o conflito na Ucrânia torna-se muito próximo, apesar da distância física. Com colaboradores oriundos tanto da Ucrânia como da Rússia, quisemos apoiá-los no que fosse possível. Por fim, a inflação que estamos a viver neste momento impactou o nosso modelo de negócio, contudo a Webhelp é resiliente e está preparada para superar mais este desafio.

 

Quais os vossos principais desafios na atração e retenção de talento? Que principais mudanças notam da parte dos candidatos e que novas medidas criaram para lhes dar resposta?

A pandemia produziu diversos efeitos em diferentes áreas da sociedade e na vida das pessoas. No mercado de trabalho, em específico, o impacto que os modelos de trabalho tiveram na atração e retenção de talento nas empresas foi gigante. As mudanças foram inevitáveis e ainda há transformações a acontecer. Na Webhelp a dinâmica dos escritórios foi alterada, de modo a otimizar o espaço em prol do trabalho híbrido. No entanto, quando falamos de atrair, reter e desenvolver os melhores talentos para conseguir ocupar os cargos necessários, o processo de onboarding é fundamental. Esta é uma das práticas implementadas na Webhelp, que aposta numa metodologia 100% digital para facilitar a integração de novos colaboradores, estimulando a produtividade e garantindo a retenção de talentos. Neste momento, os candidatos são muito exigentes, valorizam obviamente a remuneração, mas também o ambiente de trabalho e a experiência que podemos proporcionar. Este é o motivo pelo qual independentemente do modelo de trabalho, desenvolvemos e adaptamos a oferta formativa disponível, oferecendo cada vez mais possibilidades de crescimento interno (mais de 150 assessments internos foram conduzidos, levando à promoção de mais de 170 colaboradores).

 

Qual é o modelo de trabalho que a empresa adotou no pós pandemia e qual o impacto que isso está a ter no negócio e no feedback dos colaboradores?

A crescente valorização por modelos de trabalho mais flexíveis, que permitem um verdadeiro equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, tornou-se tão importante como trabalhar para uma organização que reflete os valores e ideais dos seus futuros colaboradores. Tendo isto em conta, a Webhelp possibilita trabalhar em diversos modelos (híbrido, teletrabalho, presencial) e permite flexibilidade de horário para as nossas pessoas. Temos uma cultura forte de feedback e garantimos que em vários momentos os colaboradores podem contribuir de forma construtiva para a melhoria da nossa empresa. De forma a corresponder a esse feedback, demonstramos também aos nossos clientes que a adoção do teletrabalho foi sinónimo de manutenção ou melhoria de indicadores de qualidade e satisfação das equipas.

 

A Webhelp é uma empresa que aposta na diversidade. Que objetivos têm nessa área, que medidas têm posto em prática e que resultados têm obtido?

O multiculturalismo tem crescido de uma forma exponencial em várias áreas do mercado de trabalho. A Webhelp destaca-se como uma empresa com um ambiente multicultural desde sempre, onde todos são bem-vindos e onde aprendemos diariamente sobre culturas de todo o mundo. Este ano tivemos um crescimento de 25% no número de nacionalidades dos colaboradores em relação a 2022. Dos 2600 Webhelpers de 83 nacionalidades em Portugal, 50% são estrangeiros. Atualmente, os franceses, italianos e alemães são algumas das nacionalidades estrangeiras com maior representatividade na empresa. É com base na filosofia “Think Human”, que coloca o bem-estar dos colaboradores no centro da sua metodologia, que todo o processo de integração é elaborado. Através da implementação das melhores práticas no processo de onboarding, com uma metodologia 100% digital, garantimos desde o início, uma experiência de excelência, prestando também o apoio necessário em todo o processo burocrático de quem se muda para Portugal.

                                          

Que medidas lhe parecem mais eficazes para incentivar a ascensão de mais mulheres a cargos de liderança?

A representatividade da mulher em cargos de liderança tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos, contudo ainda existem várias barreiras no mercado de trabalho. Atualmente, na Webhelp as mulheres representam 50% da equipa da direção. Esta é uma consequência direta da política de gestão de pessoas da empresa, que segue linhas internas para que a equipa de liderança seja altamente competente, mas também diversificada ao nível de género. A Webhelp promove o bem-estar de todos os funcionários no ambiente de trabalho, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, possibilidade de trabalhar em diversos modelos, equidade salarial independentemente do género e flexibilidade de horário. Por fim, acredito que a persistência é também um fator determinante para as mulheres alcançarem cargos de responsabilidade máxima em qualquer organização.

 

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