Joana Pereira Correia: “Queremos mudar a mobilidade na Europa”

Joana Pereira Correia, city manager da hive, fala do desafio e da importância de gerir o negócio das trotinetes elétricas de forma eficaz, sem esquecer a transformação nas cidades e na vida de quem as habita.

Joana Pereira Correia é city manager da hive para Lisboa.

A partilha de meios de transporte, como as trotinetes elétricas, é uma realidade crescente em muitas cidades da Europa e do resto do mundo. Lisboa não é exceção, com quase uma dezena de empresas de partilha de trotinetes a operar na capital. Entre elas, encontramos a hive, liderada por Joana Pereira Correia, city manager para a cidade de Lisboa.

Licenciou-se em Marketing Management, pelo IADE, e até 2018, ano em que chegou à hive (uma das cinco marcas, além da mytaxi e da kapten, pertencentes ao grupo FreeNow), Joana Pereira Correia ganhou a experiência necessária para o cargo que hoje assume, graças à passagem por outras empresas com cargos distintos: foi marketing and communications manager na Group About Media, online content manager na Lisboa Park, content manager na Ascendo, account executive na Tinkle Portugal, global account manager na Paymentwall, Inc, e marketing and operations manager na Go Surf Alentejo.

Nesta entrevista, Joana Pereira Correia fala sobre os desafios que o setor da mobilidade partilhada coloca, numa área que tem tanto de expansão como de competição.

Qual é a missão que lhe foi atribuída na hive?
A minha missão na hive é a de criar uma operação sustentável e eficaz enquanto ajudamos as cidades a tornarem-se mais habitáveis, acessíveis e amigas do ambiente, melhorando as formas pelas quais nos movemos, promovendo, ao mesmo tempo, a manutenção da ordem pública e a segurança de utilizadores de trotinetes e da via pública. Vemos a mobilidade de forma holística e não limitada à perspectiva do carro e queremos cooperar com as cidades que assumem este desafio e estão voltadas para o futuro, recorrendo cada vez mais a uma solução multimodal.

“Procuro, sobretudo, pessoas ativas, que arregacem as mangas e que procurem soluções.”

Quais os principais desafios que enfrenta na sua função?
O meu principal desafio tem sido o de gerir uma equipa em crescimento, enquanto evoluímos num negócio tão disruptivo como o nosso. Uma vez que somos dos únicos operadores que detém e controlam toda a operação, somos uma equipa que vai desde a manutenção e mecânica ao apoio ao cliente, tendo ainda uma forte componente de logística e 20 elementos que patrulham as cidades a pé para organizarem as trotinetes contribuindo para a ordem pública (os nossos “bees”).

De que forma as experiências profissionais anteriores a ajudaram a chegar à função que hoje desempenha?
Já trabalhei em várias áreas e todas elas contribuíram para me tornar a profissional e mulher que sou hoje. Creio que aquilo que se tornou mais consistente na minha aprendizagem – e que na verdade ainda continuo a esforçar-me por aprender – é saber equilibrar persistência e força com paciência e bondade no trato com as pessoas.

Trabalha num setor muito direcionado para jovens. Que pessoas e competências procura quando recruta para as suas equipas?
Sobretudo pessoas ativas, que arregacem as mangas e que procurem soluções.

“Apaixona-me o facto de poder fazer parte de algo que está a trazer o tema da mobilidade alternativa para a agenda governativa e poder alterar os comportamentos dos cidadãos e das cidades.”

Em Lisboa operam já nove empresas de partilha de trotinetes. Como é que a hive se consegue destacar entre a concorrência?
Apesar de sermos uma marca recente num negócio disruptivo e em rápido desenvolvimento, a verdade é que a hive faz parte de uma das cinco marcas que compõem o grupo FreeNow (entre a mytaxi, kapten, Beat e DriveNow), que resulta de uma parceria entre a Daimler e a BMW. Isto faz com que tenhamos uma estrutura forte e estável, permitindo-nos assegurar que não viemos para nada menos do que mudar a mobilidade na Europa.

Além disso, a hive detém toda a cadeia de produção – isto significa que as nossas trotinetes são recolhidas pelas nossas carrinhas, organizadas pelos nossos “bees”, trazidas para o nosso armazém, onde temos a nossa equipa de mecânicos que verifica cada uma delas, para termos a certeza de que estão em boas condições para serem enviadas novamente para a rua.

Temos também como objetivo ser sustentáveis em toda a nossa operação: a nossa equipa de mecânicos arranja todas as trotinetes que podem ser arranjadas e as que não podem são desmembradas para aproveitamento de peças ou são recicladas.

Quais são os grandes desafios que o setor da mobilidade partilhada enfrenta?
Creio que o principal desafio é o de sermos capazes, enquanto sociedade, de olhar para a mobilidade de uma perspectiva multimodal e complementar, deixando de ver a mobilidade apenas e só sob uma perspectiva do carro.

O que mais a apaixona naquilo que faz?
Sem dúvida, o facto de poder fazer parte de algo que está a trazer o tema da mobilidade alternativa para a agenda governativa e poder alterar os comportamentos dos cidadãos e das cidades.

Que conselho deixaria a uma jovem que queira abraçar esta área?
Acho que ainda não estou em posição de deixar conselhos a qualquer jovem, pois também eu ainda estou à procura deles. Contudo, acho que posso partilhar um pouco a experiência que tenho e dizer que sempre trabalhei com ânimo e paixão nas variadas coisas que fiz, que não me arrependo disso e que acredito que foi aquilo que me permitiu chegar aqui, apesar de nem sempre ser fácil ter esse tipo de atitude quando somos mulheres.