Isabel Furtado e Cristina Ferreira premiadas

A 31.ª edição dos Prémios Dona Antónia Adelaide Ferreira distinguiu a empresária e a empreendedora pelos seus percursos profissionais exemplares e inspiradores.

Isabel Furtado e Cristina Fonseca são as premiadas Dona Antónia Adelaide Ferreira 2018.

Isabel Gonçalves Furtado, CEO do grupo Têxtil Manuel Gonçalves e atual presidente da COTEC, e Cristina Fonseca, co-fundadora da TalkDesk e da Indico, receberam ontem, 4 de julho, os prémios Dona Antónia Adelaide Ferreira 2018.

O Prémio Consagração de Carreira atribuído a Isabel Furtado pretende homenagear um percurso de vida consolidado e merecedor de inequívoco reconhecimento público, e o Prémio Revelação, agora concedido a Cristina Fonseca, visa reconhecer um percurso de vida com relevância em fase de afirmação e desenvolvimento.

O prémio Dona Antónia Adelaide Ferreira foi criado para prestigiar mulheres portuguesas cujo percurso de vida revele uma identificação estreita com os valores pessoais e profissionais personificados por Antónia Adelaide Ferreira. Personagem ímpar na história do Douro, Dona Antónia ficou para sempre associada à figura de empreendedora e humanista que inspirou, de forma determinante, o desenvolvimento da marca Porto Ferreira e de toda a viticultura duriense.

A empresária Isabel Furtado

Isabel Furtado nasceu em Famalicão a 25 de junho de 1961. Casada e com 3 filhos, é desde 2009 CEO da TMG Automotive, empresa do Grupo que se dedica ao fabrico de interiores para automóveis. Há cerca de um ano, tomou posse como presidente da COTEC, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo.

Isabel Furtado entrou para a TMG, a maior empresa têxtil nacional, em 1985 e, apesar da sua formação ser em Economia, o seu gosto pela indústria fez com que centrasse a sua carreira inicialmente nas plataformas e processos produtivos. Entre 2000 e 2005 assumiu a direção de Qualidade e Ambiente do Grupo TMG, tendo passado para membro do Conselho de Administração das empresas do Grupo Têxtil Manuel Gonçalves e Casa Agrícola de Compostela em 2005.

Desde muito jovem que estudou fora de Portugal – tendo concluído o ensino básico em Toronto, Canadá, e o secundário em Tunbridge Wells, Inglaterra. Licenciou-se em Economia pela Universidade de Manchester. Em 2014, foi agraciada pelo Presidente da República com o grau de Comendador da Ordem de Mérito Industrial.

A empreendedora Cristina Fonseca

Cristina Fonseca, investidora e empreendedora tecnológica, é co-fundadora da startup Talkdesk, empresa portuguesa que oferece soluções inovadoras para contact-centers que recentemente ascendeu ao patamar de unicórnio com uma avaliação superior a mil milhões de euros. Em janeiro de 2016, Cristina Fonseca integrou a lista Forbes 30 under 30, que identifica os jovens com menos de 30 anos que estão a mudar as empresas de tecnologia, e em 2017 a Talkdesk entrava na lista Cloud 100, da Forbes, como uma das startups que se destacam a resolver alguns dos problemas das grandes empresas.

Cristina Fonseca licenciou-se em Engenharia de Redes de Comunicações no Instituto Superior Técnico, e fundou a Talkdesk com Tiago Paiva, qur foi seu colega de curso. Há cerca de seis anos sentiu que estava na altura de mudar e deixou a Talkdesk. Hoje é Venture Partner na Indico Capital Partners onde investe e acompanha startups tecnológicas a lançar e escalar produtos globais de base tecnológica. Além disso, integra a Singularity University Portugal, uma comunidade global que visa capacitar e inspirar líderes para aplicarem tecnologias exponenciais na resolução dos grandes desafios da humanidade, onde tem a responsabilidade de fazer apresentações e workshopssobre empreendedorismo. É co-fundadora da Cleverly e, desde abril deste ano, membro não executivo do Conselho de Administração da Galp.

QUEM FOI DONA ANTÓNIA FERREIRA

Dois séculos depois do nascimento de Dona Antónia Adelaide Ferreira (1811-1896), que os seus conterrâneos apelidaram carinhosamente de “Ferreirinha”, continua a ser uma figura incontornável da história do Douro Vinhateiro e um símbolo não só do empreendedorismo e da viticultura duriense, mas também um exemplo do altruísmo e da generosidade para com os mais necessitados.

Mulher franzina, mas também vibrante e corajosa, tornou-se um símbolo raro de empreendedorismo e é hoje recordada como um exemplo de tenacidade no combate ao drama e à miséria que se abateram sobre a região do Douro em consequência da praga da filoxera, destruidora de grandes vinhedos e dos sonhos de muitos agricultores arruinados. Um cenário de desolação a que Ferreirinha soube responder com firmeza na luta contra a doença das videiras, através da investigação dos processos mais evoluídos de produção do vinho, de novas grandes plantações de vinha e de aquisições avultadas de terras e de vinhos a proprietários temerosos e descapitalizados.

Herdeira de uma família abastada do Douro com uma importante atividade no cultivo da vinha e na produção de Vinho do Porto, Dona Antónia viu-se na contingência, aos 33 anos de idade, após ter enviuvado, de assumir a liderança dos negócios familiares e de desenvolver aquela que viria a ser a casa Ferreira – revelando uma extraordinária vocação empresarial.

Mas Dona Antónia não se limitou a gerir a fortuna recebida por herança. Antes investiu, de forma apaixonada e intensa, na Região do Douro que tanto amou, sem esperar pela proteção ou apoio do Estado. Da Ferreirinha se dizia que era generosa com os pobres e mais fracos, mas altiva com os mais ricos e poderosos; e que estava com a mesma naturalidade em casa dos trabalhadores mais modestos ou no Palácio Real. Todos estes atributos, a que se juntaram os seus vinhos finos, de qualidade premiada nas mais prestigiadas exposições internacionais, contribuíram para que esta mulher ímpar tenha adquirido uma aura mítica no mundo dos negócios e na Região do Douro.

 

Premiadas Edições Anteriores

1988 – Maria do Rosário Nunes de Carvalho Teixeira

1989 – Maria Cândida Oliveira Sousa Morais

1990 – Catarina Hall (Prémio estímulo / MBA)

1991 – Maria do Carmo Portela de Herédia Vieira da Fonseca

1992 – Elisa Maria da Costa Guimarães Ferreira

1993 – Ana Maria Guedes Antunes de Oliveira (Prémio estímulo / MBA)

1994 – Maria Rosalina Tavares Machado

1995 – Isabel Maria Lucena Vasconcelos Mota

1996 – Maria Teresa da Silva Lopes (Prémio estímulo / MBA)

1997 – Vera Nobre da Costa

1998 – Estela de Magalhães Barbot

1999 – Graça Maria Cavaco de Morais (Prémio estímulo / MBA)

2000 – Maria de Jesus Barroso Soares

2001 – Graça Viterbo

2002 – Ana Teresa Tavares (Prémio estímulo / MBA)

2003 – Inês Costa Garcia e Maria João Teixeira Queiroz

2004 – Mafalda Mendes de Almeida

2005 – Catarina Sismeiro / Joana Resende (Prémio estímulo / MBA)

2006 – Maria da Purificação Tavares

2007 – Maria Isabel Torres Baptista Parreira Jonet

2008 – Joana Santos Silva

2009 – Joana Carneiro

2010 – Leonor Beleza

2011 – Raquel Seabra

2012 – Maria do Carmo Fonseca

2013 – Luísa Bastos Almeida (Prémio Consagração de Carreira) e Marta Brandão (Prémio Revelação)

2014 – Teresa de Sousa (Prémio Consagração de Carreira) e Ana Ventura Miranda  (Prémio Revelação)

2015 – Teodora Cardoso (Prémio Consagração de Carreira) e Raquel Oliveira (Prémio Revelação)

2016 – Maria Amélia Ferreira (Prémio de Consagração de Carreira) e Leonor Teles (Prémio Revelação)

2017 – Ana Pinho (Prémio Consagração de Carreira) e Nádia Piazza (Prémio Revelação)