Isabel Barros: Liderança feminina trouxe “proximidade e autenticidade” à Sonae

A diretora de recursos humanos da Sonae MC falou-nos das estratégias de promoção de paridade de género na liderança das empresas do Grupo.

Isabel Barros, diretora de Recursos Humanos da Sonae MC.

Há dois anos que as conclusões do estudo ‘As empresas mais atrativas para trabalhar’, realizado pela Spark Agency em colaboração com a Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, são iguais:  a Sonae é a empresa portuguesa na qual mais jovens talentos universitários gostariam de vir a trabalhar. Lidera ainda a lista de preferências das estudantes de Gestão consultadas neste estudo.

A paridade de género na progressão das carreiras é outra grande preocupação, garante Isabel Barros, a diretora de Recursos Humanos da Sonae MC. O grupo subscreveu, em 2013, a ‘Women Iniciative’, no âmbito da European Round Table of Industrials, onde manifestavam a sua preocupação com a igualdade género, estabelecendo targets voluntários que promoviam essa diversidade, não apenas nos órgãos de gestão e decisão, mas também a nível de posições sénior e chefias intermédias. O compromisso voltou a ser reforçado em outubro de 2015, quando assinou com o Governo o compromisso de manter acima de 30% a representação feminina, o género sub-representado, no conselho de administração.

À conversa com Isabel Barros, quisemos saber como está a Sonae MC a captar sangue novo e a promover a igualdade de género na estrutura empresarial.

Que estratégias tem a Sonae adotado para captar o jovem talento feminino recém-formado?
Desde cedo cooperamos e trabalhamos muito com as universidades. Começamos por criar ambientes de estágio e mesmo durante o período em que as jovens estão a tirar a sua licenciatura, todos os anos, no verão têm oportunidade de fazer projetos ou estágios connosco. Temos vários programas: um deles é o Call for Solutions, em que convidamos os jovens a virem estagiar 2 ou 3 meses para a Sonae, resolver um problema e criarem soluções. Temos o programa Contacto, no qual recrutamos, todos os anos cerca de 50 recém-licenciados que entram num programa de imersão e formação dentro da Sonae. Mais recentemente temos o Future Leaders @Retail, os nossos futuros líderes no retalho, em que procuramos um grupo que se caracterize pela paridade de género. Buscamos internamente, nas nossas lojas, os futuros líderes que vão progredir na carreira, mas também nas universidades.

“Muitas vezes, diz-se logo à partida [sobre a promoção para um cargo] ‘Não, ela não quer’. Não é assim. Temos uma regra muito importante: primeiro pergunta-lhe, não decidas por ela. Muitas vezes, quando dizemos que não descriminamos, estamos a descriminar sem saber.

O grupo Sonae tem estabelecido compromissos de igualdade de género nas lideranças das suas empresas. O que se tem feito nesta matéria?
Percebemos que, se não fizéssemos nada, íamos continuar com um problema de imparidade de género. Apesar de acreditarmos muito no mérito e gostarmos que as coisas tivessem chegado lá naturalmente, tivemos que criar targets ao longo da pirâmide e obrigar as pessoas a refletir sobre o porquê de não termos o pipeline de mulheres que gostaríamos de ter nos nossos cargos.

Que políticas têm implementado de modo a ajudar à progressão profissional feminina?
Garantimos que, a nível de recrutamento, não discriminamos. As próprias equipas de RH tiveram uma grande sensibilização relativamente à temática. À entrada, procuramos tanto mulheres como homens para uma determinada função; controlamos a equidade entre homens e mulheres ao nível das promoções e dos salários — percebemos hoje que não discriminamos por salário, mas este é um indicador e uma forma de as pessoas monitorizarem se não estão a criar, inconscientemente, essas diferenças. Trabalhamos também com os nossos líderes a forma como hoje recrutam, no sentido de lhes mudar a visão de algumas funções que acham serem só para os fortes, os resistentes, ou exigirem disponibilidade de 24h/7 dias da semana. Muitas vezes, diz-se logo à partida [sobre a promoção para um cargo] ‘Não, ela não quer’. Não é assim. Temos uma regra muito importante: primeiro pergunta-lhe, não decidas por ela. Muitas vezes, quando dizemos que não descriminamos, estamos a descriminar sem saber. Quando recruto para uma função de diretor de loja e acho que uma mulher não vai querer porque os horários são complicados, vai ser uma função pesada ou vai ter que trabalhar por turnos, o que elas nos dizem é que não é assim e que se conseguem organizar.

“A mulher Sonae é como o homem Sonae: alguém que acredita na ética, na frugalidade, que valoriza as pessoas, muito orientada para os resultados, alguém que inova continuamente.”

O que trouxe a liderança feminina ao grupo Sonae?
Trouxe uma abordagem diferente, um outro olhar sobre os problemas, proximidade, uma maior facilidade na liderança em rede — não liderar as equipas no sentido formal do termo mas em network — autenticidade e um estilo que não precisa de ser bossy ou ‘durão’ para conseguir motivar e inspirar equipas.

Existe a figura do Homem Sonae — e como é a Mulher Sonae?
O Eng.º Belmiro de Azevedo dizia muitas vezes que o Homem Sonae é um homem com humanidade, com H grande. Quem ler o livro ‘O Homem Sonae’ percebe que é do mais percursor que existe. Fala na diversidade, na paridade e na meritocracia. A mulher Sonae é como o homem Sonae: alguém que acredita na ética, na frugalidade, que valoriza as pessoas, muito orientada para os resultados, alguém que inova continuamente. Mas, acima de tudo, alguém que trabalha num ambiente ético e de valorização das pessoas todos os dias.

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