Investir com… Carla Borges

A diretora técnico-comercial da Mota Engil em Angola fala-nos da sua relação com o dinheiro e dos seus melhores investimentos.

Carla Borges é diretora técnico-comercial na Mota Engil Angola.

É engenheira civil de formação e diretora técnico-comercial da Mota Engil em Angola. Carla Borges, prestes a completar 46 anos, passou os últimos 5 a conhecer os emergentes mercados africanos, mas foi num gabinete de projetos de arquitetura de Montemor-o-Novo que começou a trabalhar, ainda adolescente.

Formada em Engenharia Civil pelo ISEL, começou a carreira em 1995, na Universidade de Évora, onde coordenou a Divisão de Instalações e Oficinas pertencente aos Serviços Técnicos daquela instituição. Mas a sua incursão no setor público viria a ser curta: dois anos depois é contratada pela Teixeira Duarte, onde foi diretora de obra, assumindo projetos de grande envergadura como a requalificação da Siderurgia Nacional. Dez anos mais tarde passou integrar a equipa da Edifer, onde foi coordenadora de propostas.

O mercado moçambicano foi a etapa seguinte da carreira: chegou a Maputo em janeiro de 2014, como diretora técnico-comercial da operação da Opway naquele país, passando a diretora-geral cinco meses depois e a CEO da reformulada Nadhari Opway, já em finais desse ano, cargo que ocupou até ao verão de 2017. Nessa altura, transitou para a filial moçambicana da Mota Engil, onde foi diretora técnico-comercial, cargo que ocupa agora na Mota Engil Angola.

Prefere investimentos de baixo risco, mas também já fez pequenas incursões no mercado acionista, sem nunca perder, no entanto, de vista a segurança financeira.

Qual foi o seu primeiro emprego? Recorda-se de como gastou o seu primeiro salário?
O meu primeiro emprego foi, enquanto ainda estudava, fazer desenhos de projectos de arquitectura num gabinete de projectos. Nessa altura, gastei o meu primeiro salário numa entrada para um computador, para poder começar a usar as novas tecnologias daquela altura, em 1988. Mais tarde, quando comecei a trabalhar na Universidade de Évora, o primeiro emprego após a conclusão do curso, aproveitei o primeiro salário para poder iniciar a aquisição de um carro, que me permitiria as deslocações para o trabalho.

Como define a sua relação com o dinheiro?
Uma relação de muito respeito. O dinheiro é um bem essencial para a estabilidade de cada um, mas não a qualquer custo. Diria que o mesmo deve ser usado para suprir as necessidades que vamos tendo no nosso crescimento, enquanto pessoas e profissionais. Considero que tenho com ele, uma relação de muito equilíbrio e uma clara noção de que o mesmo custa a ganhar, pelo que deve ser gerido com muita cautela e ponderação.

Qual foi o melhor conselho eu recebeu em matéria financeira?
Não recebi propriamente qualquer conselho em matéria financeira, fui aprendendo com a experiência de vida, que os temas financeiros devem ser encarados de forma muito inteligente, sem deslumbre por ganhos fáceis e rápidos. Devemos apenas gastar o que temos, não entrar em riscos descontrolados, e acima de tudo, tentar manter um cash-flow positivo e adequado a uma eventual necessidade inesperada.

Como escolhe os seus investimentos?
Escolho sempre investimentos sem risco, ou de risco reduzido. Não gosto de deixar as coisas à sorte, primeiro porque é arriscado, em segundo porque requer uma dedicação grande na sua gestão, e naturalmente, porque obriga a um conhecimento profundo sobre a melhor forma e produto de investimento. Prefiro ser cautelosa, apostar no seguro ainda que com menor remuneração. Normalmente invisto sempre com um principio básico: “consigo não precisar deste dinheiro, e esquecer que ele existe?“

Qual o melhor investimento que fez até hoje?
Dois grandes investimentos, para mim fundamentais e uma forma de estar, são a formação e as viagens. Em campos diferentes, mas de igual importância. Com a formação consigo alimentar a minha fome de saber mais e ser cada vez melhor no que faço, e com as viagens, para além de um prazer enorme que me proporcionam, aumento também o meu conhecimento dos lugares, pessoas, culturas e vivências.

Apesar de os considerar como os mais importantes, fiz também alguns investimentos em ações de empresas nacionais, tendo todos dado retorno considerável, ainda que os montantes investidos não tenham sido elevados. Fui monitorizando a sua valorização e, logo que começaram a desvalorizar, vendi. A compra e venda da minha primeira casa também veio a revelar-se um investimento de boa remuneração. Considerando que o valor que paguei por ela, os encargos com empréstimo e despesas de melhoria foram cobertos pelo valor da sua venda, numa altura em que o mercado imobiliário estava em baixa, consegui ainda retirar mais-valia da operação.