Executiva distinguiu as Mulheres Mais Influentes

A Executiva distinguiu, pelo segundo ano consecutivo, as mulheres que mais se destacam em Portugal pela sua influência na sociedade nas áreas de negócios, política, justiça, ciência, setor social, media e cultura.

Algumas das premiadas que estiveram no Palácio Foz para receber o troféu As Mulheres Mais Influentes de Portugal.

A Sala dos Espelhos do Palácio Foz, em Lisboa, recebeu ontem, 17 de maio, a cerimónia de entrega dos Prémios “As Mulheres Mais Influentes de Portugal”, que contou com a presença da Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino.

Judite Sousa, Júlia Pinheiro, Rita Blanco, Isabel Jonet, Assunção Cristas, Elvira Fortunato, Isabel Vaz, Maria Manuel Mota, Ana Garcia Martins e Olga Roriz foram 10 das premiadas deste ano — apuradas através do estudo conduzido pelo jornalista Filipe S. Fernandes — que compareceram neste evento, patrocinado pela Multicare, PWC e Transearch e com o apoio dos vinhos Valle de Passos e dos sabonetes Castelbel.

Isabel Canha, diretora e co-fundadora da Executiva, deu as boas-vindas aos convidados.

“Mais mulheres com poder, seja lá onde for”
A Isabel Canha, diretora e co-fundadora da Executiva, coube a missão de dar as boas-vindas à audiência de cerca de 110 convidados. “Este estudo é uma manifestação do compromisso da Executiva com a missão que presidiu à sua fundação, de valorizar o papel da Mulher na economia e na sociedade e de ajudar à sua progressão profissional. Com estes prémios pretendemos encorajar as mulheres a atingirem todo o potencial através dos exemplos das senhoras que hoje vamos distinguir.” Isabel Canha acrescentou ainda que os media devem “contribuir para a transformação da sociedade e assumir o seu papel primordial na formação dos leitores” no que toca aos direitos das mulheres, eliminando os conteúdos discriminatórios e estereotipados na redação de notícias que abordam o universo feminino.

“Estas 25 mulheres contribuem, todos os dias, para que tenhamos um país mais forte, mais desenvolvido e melhor.” Catarina Marcelino, Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade

Na sua intervenção, a Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade destacou como estas 25 mulheres de áreas tão distintas “contribuem, todos os dias, para que tenhamos um país mais forte, mais desenvolvido e melhor. Leonor Beleza [que é também uma das mulheres mais influentes de Portugal, segundo o estudo da Executiva] disse há algum tempo, em entrevista, que queria mais mulheres com poder, seja lá onde for. E não me canso de citar esta frase, que exprime que temos o mesmo direito de estar onde quer que seja, independentemente das ideias que tenhamos, porque vivemos em democracia.” Para a Secretária de Estado, “medidas como as quotas na política ou nas empresas, que permitam que o género sub-representado tenha espaço na tomada de decisão” são essenciais nesse caminho.

Catarina Marcelino terminou a sua intervenção falando da desigualdade salarial, que ainda prejudica o género feminino. “É inaceitável que, no século XXI, o salário de homens e mulheres tenha uma diferença de 17%, em média. Precisamos de inverter esta situação. Este é um prémio muito importante, que devemos divulgar ao máximo.”

A Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, falou das desigualdades salariais que ainda atingem mais as mulheres.

Ciência e Arte: influenciar inspirando
Ana Garcia Martins, autora do blogue A Pipoca Mais Doce foi a primeira a receber a distinção da Executiva, lembrando que, quando o criou há quase 14 anos, o seu propósito era divertir-se escrevendo. “Se pelo caminho puder ir influenciando positivamente quem lê, então vale a pena todo o trabalho que é feito todos os dias.”

Olga Roriz foi igualmente distinguida pelo seu trabalho enquanto coreógrafa na companhia de dança que fundou. “É importante perceber que a dança não é o parente pobre das artes e que já tem o seu lugar, que pode ser também muito indicativo, exatamente como a literatura, a música e as artes plásticas.”

“As quotas são o mecanismo que tem que existir para que a competência feminina seja colocada no seu devido lugar”, Elvira Fortunato.

A Ciência esteve representada no evento por Maria Manuel Mota, que se distingue internacionalmente na investigação da malária, e Elvira Fortunato, um dos maiores nomes da pesquisa mundial na área da microeletrónica transparente e a criadora do primeiro transístor de papel. Maria Manuel Mota recordou que apesar de existirem muitas mulheres com carreiras nas ciências, os cargos de topo ainda são maioritariamente exercidos por homens. “Muitas desistem pelo caminho e o importante é criarmos as condições para que isso não aconteça e para que sigam em frente.”

Já Elvira Fortunato lembrou como em cerca de 800 galardoados com o prémio Nobel, a nível mundial, só 50 são mulheres. “Até há bem pouco tempo, nós mulheres nem tínhamos direito sequer ao conhecimento.” A cientista afirmou ainda que apesar de inicialmente ser contra a instituição de quotas de género, é hoje favorável a elas. “São o mecanismo que tem que existir para que a competência feminina seja colocada no seu devido lugar.”

A atriz Rita Blanco foi protagonista de alguns dos momentos mais bem-dispostos da cerimónia, mas não deixou de falar de forma muito séria quando recebeu o prémio. “Para se ganhar um prémio destes é preciso sermos as melhores. Mas há muitos homens com influência que, de facto, não são os melhores. É com prémios como este que eventualmente se vai puxando pelas mulheres.”

Lideranças mais “humanas e emocionalmente inteligentes”
Mais tarde, Júlia Pinheiro salientaria o facto de, quase 23 anos depois, o célebre programa A Noite da Má Língua estar ali representado com dois nomes femininos [Júlia e Rita Blanco]. A diretora de entretenimento e lifestyle do grupo Impresa lembrou também que o desfasamento económico ainda é o responsável por grande parte das desigualdades sociais e profissionais que atingem as mulheres. “Nós não tivemos tempo de enriquecer, como os homens — ficámos em casa. Não detemos os meios de produção, as empresas; por isso chegamos a diretoras, diretoras-gerais na melhor das hipóteses. Já não é mau que, pelo menos durante o tempo em que dirigimos, possamos ser profundamente humanas e emocionalmente inteligentes.”

“Só sou influente numa única coisa: proporcionar a jovens carenciados, todos os anos, um mestrado em Finanças na Nova School of Business and Economics, tal como o meu filho obteve”,  Judite Sousa

A intervenção mais emotiva da cerimónia coube à jornalista Judite Sousa. “Hoje olho-me ao espelho e pergunto em que é que eu sou influente. Só sou influente numa única coisa: proporcionar a jovens carenciados, todos os anos,  um mestrado em Finanças na Nova School of Business and Economics, tal como o meu filho obteve. É financiado por mim, no âmbito da bolsa de estudos ‘André Sousa Bessa’”.

A líder do CDS-PP, Assunção Cristas recebeu o prémio, deixando uma nota sobre a igualdade de oportunidades na política. “Precisamos certamente de muitas mais mulheres. É por isso que, embora um pouco minoritária no meu partido, já era e continuo a ser absolutamente a favor das quotas; hoje para as defender a elas, amanhã, se calhar para os defender a eles.”

A Multicare, a PwC e a Transearch, empresas que patrocinaram este evento, estiveram representadas por Francisco Xavier Cordeiro (atrás à esq.ª), Maria Antónia Torres e Soledade Carvalho Duarte, respetivamente.

Coragem e mobilização social
Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome recordou que a influência “é a capacidade de mudar alguma coisa ou de mobilizar. O Banco Alimentar influenciou a sociedade portuguesa ao mudar o voluntariado e a forma como é encarado em Portugal. Há 25 anos não havia voluntários jovens; no próximo fim de semana temos uma campanha com 42 mil pessoas espalhadas pelo país. Esta capacidade de influência faz com que eu esteja aqui a receber este prémio em representação de todas essas mulheres e jovens.”

“Muitas vezes a liderança é utilizada para ter poder, mas o poder só tem graça se for usado para construir”, Isabel Vaz

A CEO da Luz Saúde, Isabel Vaz, lembrou o muito que foi conseguido em pouco mais de 40 anos no que toca aos direitos das mulheres. “Muitas vezes a liderança é utilizada para ter poder, mas o poder só tem graça se for usado para construir e andar para a frente. Mas para fazer tudo isso é preciso aquela que eu acredito ser principal característica da liderança, tanto nas mulheres como nos homens: coragem, de arriscar, de ir para a frente e fazer coisas.”

Alexandra Lencastre e Paula Rego fizeram-se representar na cerimónia, respetivamente, por João Jacinto Ferreira, que leu uma mensagem de agradecimento da atriz, e por Catarina Alfaro, curadora principal do Museu Casa das Histórias, que lembrou como a pintora “continua, com o seu papel interventivo, a lutar pelos verdadeiros problemas que as mulheres enfrentam.”