Executiva distingue as Mais Influentes de Portugal

O Palácio Foz voltou a ser palco para a cerimónia da entrega dos Prémios "As Mulheres Mais Influentes de Portugal", iniciativa que premiou o talento e excelência femininos em áreas como os negócios, cultura, política, ciência, justiça ou media.

Algumas das premiadas: Ana Garcia Martins, Maria do Carmo Fonseca, Guta Moura Guedes, Lucília Gago, Assunção Cristas, Rita Pereira, Cristina Ferreira e Elvira Fortunato.

Pela quarta vez a Executiva distinguiu as 25 mulheres que, em Portugal, se têm destacado nos negócios, política, ciência, artes e cultura, nos media ou na justiça. A entrega dos prémios regressou à Sala dos Espelhos do Palácio Foz, em Lisboa, na tarde de 16 de maio, num evento que contou com a apresentação da radialista Sónia Santos, o apoio da SEAT e com a presença de muitas das premiadas, que em breves palavras reforçaram a importância da diversidade nas áreas onde atuam e do papel construtivo que esperam poder ter na sua sociedade, com esta sua reconhecida influência.

A fundadora da Executiva, Isabel Canha, foi a primeira a dar as boas vindas à audiência “Este prémio é único em Portugal e o único que distingue a influência das mulheres em diversas áreas de atividade, com o objetivo de destacar a sua excelência, o seu talento, trabalho e poder e, com o seu exemplo incentivar, outras a seguirem carreiras de sucesso em diferentes áreas de atividade. O nosso objetivo é incentivar mulheres a atingirem todo o seu potencial, encorajá-las a valorizarem a capacidade, poder e influência que têm de mudar a sociedade para melhor.”

“O peso diário da responsabilidade” de ser influente

A liderar esta lista, um estudo feito pelo jornalista Felipe Fernandes que integra dimensões como a carreira, imagem, rede, fortuna e poder, está a apresentadora Cristina Ferreira, que marcou presença no Palácio Foz, assumindo no seu discurso a influência que hoje sabe possuir. “Durante algum tempo, tentei desvalorizar um pouco a influência. Tenho que admitir que estou num ponto da minha vida em que sinto que sou influente, mas sinto-o com um grande peso, e sinto-o diariamente. Os programas da manhã, que eu gosto de fazer, foram durante muitos anos desvalorizados e encarados como sendo feitos para quem não tem grande capacidade e informação – e resta acrescentar que é o programa da manhã que faz a viragem para a liderança de uma estação de televisão – mas todas as pessoas que veem que os programas da manhã também fazem este país.”

“Tenho que admitir que estou num ponto da minha vida em que sinto que sou influente, mas sinto-o com um grande peso, e sinto-o diariamente”, Cristina Ferreira, apresentadora

A apresentadora partilhou um comovente caso que acontecera na véspera, de um espectador ganhador de um prémio monetário, que confessou a Cristina Ferreira que serviria para pagar o funeral da esposa, que falecera em dezembro. “Ele estava muito triste e eu quis muito que ele estivesse ali comigo, convidei-o a vir até ao programa. Ele decidiu que ontem seria esse dia, mas só hoje é que eu soube que este foi o primeiro dia, desde dezembro, em que decidiu sair de casa. A maior parte dos dias nem sequer se levantava. Ontem disse-me: ‘não me pergunte porque decidi vir, mas senti ali uma luz’. Esteve comigo e na vida de todas as pessoas que veem um programa de televisão. Se isto não é ser influente, então não sei o que é que é.”

Júlia Pinheiro foi, no entanto, a primeira a receber o prémio na tarde da cerimónia, dedicando-o à equipa do seu novo projeto e desafio, a peça “Monólogos da Vagina”, de Eve Ensler, onde se estreia como atriz ao lado de Paula Neves e Joana Pais Brito. “Este é um texto intemporal que, ao contrário do que se possa pensar, é um espectáculo sobre a condição da mulher, o seu mundo interior e complexidade.” A apresentadora e diretora da SIC Mulher e SIC Caras dedicou ainda a sua distinção à Professional Women’s Network (PWN), organização que se dedica ao desenvolvimento da liderança feminina através de programas de mentoring, numa “tentativa de derrubar, definitivamente, o telhado de vidro do topo superior das das empresas, que muitas mulheres ainda não conseguem ultrapassar”, e com o qual colabora como voluntária.

Entre as personalidades dos media distinguidas nesta edição encontra-se também, pela terceira vez, Ana Garcia Martins, autora do blog A Pipoca Mais Doce. “Estou muito contente porque estar ao lado de mulheres que admiro imenso, vindas de áreas que, efetivamente, ajudam a mudar este país para melhor. O digital tem, muitas vezes, uma carga um pouco pejorativa e a minha influência não é mais do que usar o humor para fazer as pessoas um bocadinho mais felizes e fazê-las também pensar em alguns assuntos mais importantes e mais prementes, como a consciência cívica.”

Quebrar o teto de cristal na política e inspirar através da ciência

O campo político esteve representado por Assunção Cristas, líder do CDS e deputada, distinguida pela terceira vez nestes prémios, que recordou a referência ao teto de cristal feita por Júlia Pinheiro. “É muito estranho perceber que as mulheres são 52% da população portuguesa, mas apenas ⅓ do Parlamento, a minoria no governo e nos cargos cimeiros simplesmente não existem. Isto quer dizer que há muito trabalho a desenvolver pelas mulheres na política e que há muita coisa que deve mudar no mundo dos homens. Não é possível estar-se na política, na primeira linha, sem que os homens também mudem alguma coisa naquilo que é a sua entrega, a sua vida. A forma como ambos os géneros conciliam trabalho e família é essencial. A minha vontade é sempre dizer a todas as raparigas com quem me cruzo que é possível, sim sonhar e ter ambição, trabalhando para lá chegar. E um dia gostaria de poder dizer que é possível quebrar o teto de cristal que ainda existe na política em Portugal.”

“É muito estranho perceber que as mulheres são 52% da população portuguesa, mas apenas ⅓ do Parlamento, são a minoria no governo e nos cargos cimeiros simplesmente não existem. Isto quer dizer que há muito trabalho a desenvolver pelas mulheres na política.” Assunção Cristas, Lider do CDS e deputada

Outra figura maior do estado, a Procuradora Geral da República, Lucília Gago aproveitou o seu discurso de agradecimento para salientar como esta distinção significa “o reconhecimento da relevância do cargo” que desempenha desde outubro passado.  “Endereço esta atribuição a cada um dos magistrados do Ministério Público que, por vezes em condições de trabalho extremamente adversas, contribuem de forma decisiva para a realização da justiça em Portugal.”

A Ciência esteve representada por Maria do Carmo Fonseca, que se dedica à investigação em genética e biologia celular e molecular, e por Elvira Fortunato, professora e investigadora na área da Engenharia dos Materiais, membro do grupo independente de alto nível de conselheiros científicos da Comissão Europeia até 2020. “Quem eu tenho tentado influenciar ao longo dos anos, e espero continuar a fazê-lo bem, são os meus alunos. Estes reconhecimentos também são motivadores para quem está connosco uma grande parte do tempo.” Partilhando o célebre poema de Fernando Pessoa, “Para ser grande, sê inteiro…”, contou como os laboratórios e as salas de aula onde trabalha são também locais com espaço para a inspiração. “Também temos frases poderosas afixadas porque tentamos influenciar quem passa por lá, não só em termos tecnológicos como em termos humanos, porque acima de tudo estamos a formar pessoas.”

“As descobertas científicas podem dar origem a novos produtos e serviços, mas têm um método e atitude por trás de si que pode ajudar-nos imenso a inovar a sociedade. A atitude de um cientista é a de alguém que não baixa os braços perante o problema.” Maria do Carmo Fonseca, cientista

Por seu lado, Maria do Carmo Fonseca – que foi Prémio Pessoa em 2010 e preside ao Instituto de Biologia Molecular João Lobo Antunes – lembrou que naquele dia se cumpria o Dia Nacional do Cientista, uma profissão onde, para ela, não devem existir distinções de género. “O que este prémio diz-nos que a ciência é muito útil no mercado e tem correspondência na economia e na sociedade em geral. As descobertas científicas podem dar origem a novos produtos e serviços, mas têm um método e atitude por trás de si que pode ajudar-nos imenso a inovar a sociedade. A atitude de um cientista é a de alguém que não baixa os braços perante o problema. Nada mais importante numa sociedade.”

Influenciar para construir coesão social

A atriz Alexandra Lencastre agradeceu a sua distinção à Executiva e ao autor do estudo, Filipe Fernandes. “Sou sempre muito pessimista e, quando me telefonaram a falar do prémio, perguntei à Isabel Canha ‘Mas tem a certeza?’ Dedico este troféu a todos os que continuam a lutar pela igualdade dos direitos das mulheres e, por um motivo muito especial, dedico também à minha querida mãe.”

Rita Pereira, que se tem vindo a distinguir como atriz, apresentadora e influenciadora com mais de 1,2 milhões de seguidores nas redes sociais, contou um breve episódio familiar para exemplificar a sua satisfação em constar desta lista. “Ontem, quando o meu pai foi lá a casa visitar o meu filho, disse-lhe que ia receber um prémio. Ele respondeu: ‘Boa filha…’ É um prémio de mulher influente do ano. ‘Boa…’, continuou ele. E, às tantas, disse-lhe: ‘Pai, é ao lado de cientistas, professoras, ministras, de mulheres incríveis’. Aí, sim, consegui captar a atenção e curiosidade dele em saber mais sobre este prémio. É uma honra para mim ter ganho este prémio, ao lado de mulheres inspiradoras como vocês.”

Em Portugal, 1 milhão de pessoas vivem com menos de 250 euros e 2 milhões vivem com menos de 450 euros. A influência aqui reconhecida, e que aqui venho representar, é muito positiva. Expresso aqui minha gratidão a todos aqueles que se deixam influenciar por isso.” Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome

Isabel Jonet é outra das repetentes na lista das mais influentes. Aquele viria a ser o primeiro de dois prémios que receberia nesse dia – a outra distinção levou-a, nesse mesmo fim de tarde ao Palácio de Belém – mas não quis deixar de marcar presença na cerimónia, salientando o lado construtivo da influência que a instituição a que preside tem no plano social. “O Banco Alimentar ajuda hoje a dar de comer a 4% da população portuguesa e só o pode fazer porque há muitas pessoas que se deixam influenciar pela vontade de melhorar a vida de outros. Em Portugal, 1 milhão de pessoas vivem com menos de 250 euros e 2 milhões vivem com menos de 450 euros. A influência aqui reconhecida e que aqui venho representar, é muito positiva. Expresso aqui minha gratidão a todos aqueles que se deixam influenciar por isso.”

Na cultura, Guta Moura Guedes realçou o papel desta área “extremamente importante na construção de uma sociedade mais justa e igualitária” bem como da coesão social. De regresso da bienal Veneza, onde a Associação Experimenta inaugurou uma exposição e onde Portugal esteve representado pela presença de quatro artistas, Guta Moura Guedes observou a importância que a paridade assumiu na edição deste ano daquele certame. “Tínhamos connosco as bravíssimas Joana Vasconcelos e Leonor Antunes e foi um prazer enorme saber que esta paridade acontecia. Não que eu ache que as mulheres são menos consideradas na cultura – é uma área em que temos uma influência muito forte – mas porque, em termos internacionais, me soube muito bem vê-la ali representada.”

Na área dos negócios e economia Elisa Ferreira, vice-governadora do Banco de Portugal, Cláudia de Azevedo, CEO da Sonae, e Paula Amorim, empresária e presidente da Galp, fizeram-se representar por porta-vozes nesta cerimónia, bem como a atriz Daniela Ruah e Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, distinguidas também pela Executiva.