Eunice Reis Barata: “Se não estão realizadas, não se acomodem!”

Eunice Reis Barata comprou a sua primeira farmácia aos 25 anos assim que percebeu que esse era o seu sonho. Hoje, lidera o Grupo Reis Barata, que já tem cinco espaços e mais de sete dezenas de colaboradores.

Eunice Reis Barata é proprietária do Grupo Reis Barata.

Tinha-se licenciado há poucos meses em Farmácia quando percebeu que o seu sonho era ser proprietária de uma farmácia. Tinha apenas 25 anos mas isso não a impediu de o concretizar, com o apoio incondicional dos pais. Hoje, o Grupo Reis Barata, que lidera, já tem cinco espaços. O envolvimento dos 73 colaboradores na estratégia das farmácias, a procura de aprendizagem com pares e uma constante atenção às prioridades, são o segredo do sucesso de Eunice Reis Barata.

Trace-nos brevemente o seu percurso até chegar a proprietária de um grupo de farmácias.
Licenciei-me em Ciências Farmacêuticas e, ao contrário do que durante o curso imaginava, foi a farmácia comunitária a área em que mais me identifiquei, quer pela proximidade com o utente, quer por se tratar de uma micro empresa, com todas as necessidades de gestão próprias de quem tem um negócio.

Depois de quatro meses a trabalhar, comprei a minha própria farmácia. Tinha 25 anos. Os meus pais ajudaram-me na aquisição e deram-me um enorme voto de confiança. Foi o que precisei para seguir caminho, até ao Grupo que é hoje.

O rigor na gestão do tempo e o dar prioridade às “tarefas que ninguém faz por mim”, são um objetivo diário, escritos num caderno, e com uma tentativa de cumprimento por vezes excessiva!

O que a levou a tomar a decisão de trocar a direção técnica de uma farmácia pela sua gestão ?
Não foi uma troca, foi uma acumulação. Ainda sou diretora técnica de uma das farmácias, a Farmácia Dolcevita no Centro Comercial Dolcevita Tejo, com uma equipa de 23 pessoas. Mas quando fiz essa acumulação foi importante definir o tempo que ia dedicar a cada uma das partes, assumindo desde logo que a direção técnica teria que ser realizada com suporte de uma outra farmacêutica. O rigor na gestão do tempo e o dar prioridade às “tarefas que ninguém faz por mim”, são um objetivo diário, escritos num caderno, e com uma tentativa de cumprimento por vezes excessiva!

Como se preparou para abraçar uma vertente diferente daquela para a qual se tinha licenciado?
A gestão não faz parte da maioria dos planos curriculares dos cursos técnicos, ou não é, pelo menos, suficiente. Por isso, é essencial procurar um bom suporte formativo na área de gestão. E que essa formação inclua a observação de casos práticos, para que se acelere a competência em gestão, e para que se diminuam os erros no caminho.

E depois há a aprendizagem com os pares. Faço muito isso. Partilho o que faço, o modelo de gestão e de organização, peço que o critiquem, e vejo como outros o fazem, o que lhes corre melhor e menos bem, e constantemente regressamos às nossas organizações com planos de melhoria.

Quais os principais desafios que tem enfrentado?
O grande desafio é acrescentar valor ao serviço que prestamos aos utentes diariamente, nas nossas farmácias. Não sermos apenas uma comodidade, mas um parceiro na obtenção de mais saúde!

A forma de gerir as pessoas é o que faz a diferença. Há uma participação real dos colaboradores na estratégia da empresa. Para isso acontecer temos que ter os melhores profissionais.

De que forma a sua gestão impactou o negócio?
A forma de gerir as pessoas é o que faz a diferença. Há uma participação real dos colaboradores na estratégia da empresa. Para isso acontecer temos que ter os melhores profissionais, pelo que procuramos sempre o seu máximo desenvolvimento, através de formação e mesmo experiências com outras empresas e entidades.

A um nível mais júnior a transparência e proximidade é igual, e muitas vezes, no acolhimento, até estranham a abertura e acesso a informação, mas trabalhamos assim: máxima liberdade, máxima responsabilidade.

Qual o momento deste seu percurso de que mais se orgulha?
Orgulho-me sempre que damos um salto na organização, quer seja um crescimento em volume de negócios, quer seja um desenvolvimento em inovação.

Qual a parte do seu trabalho de que mais gosta?
Do que mais gosto é de ter a liberdade de poder concretizar uma ideia. Minha ou de outro na organização, temos uma ideia, analisamos, planeamos e… ação! Vamos ao terreno e experimentamos. Erramos algumas vezes, mas corrigimos e continuamos. A liberdade e a agilidade apaixonam-me.

Como vê o futuro do seu setor e de que forma está a preparar o seu negócio para os próximos desafios?
Estando atenta ao mundo, tentando trazer o mundo para dentro da empresa. E, muito importante, ouvir o cliente. Ouvi-lo de mente aberta, e tentar corresponder, e se possível exceder, as suas expetativas. E ir ouvi-lo na sua omnicanalidade, não só nos que nos entram porta dentro.

A minha família é a prioridade. E isso nunca invalidou trabalhar, desenvolver-me e realizar-me na minha profissão.

A conciliação entre trabalho e vida pessoal e familiar é um desafio para si? Pode partilhar uma das suas melhores dicas para conseguir esse equilíbrio?
Saber o que nos faz felizes. Não estar no trabalho a pensar em casa, nem em casa a pensar no trabalho. Entrar em casa, e deixar o telemóvel na gaveta da entrada. Não há televisão nem gadgets à mesa.

A minha família é a prioridade. E isso nunca invalidou trabalhar, desenvolver-me e realizar-me na minha profissão. Até porque acredito que os filhos são mais felizes quando os pais também estão felizes e realizados. E podemos levar-lhes o nosso mundo! É fascinante ouvi-los opinar e fazer perguntas sobre os assuntos da empresa dos pais. E de pequenino…

Qual o melhor conselho de carreira que recebeu?
Olhar para trás e ver o percurso percorrido, por forma a ganhar confiança para o futuro. Sair mais da empresa, colocando o networking na agenda. Ter sempre o plano de ação da empresa em mente no trabalho diário. Foco.

Que conselho deixaria a uma jovem que queira abraçar uma carreira na sua área?
Eu diria para ainda durante a licenciatura, ter experiências profissionais em diferentes áreas, para saber o mais cedo possível o que quer fazer no futuro. Porque é muito mais gratificante depois, quando se entra no mercado de trabalho, despender a energia e recursos já na área onde nos queremos desenvolver. Se não for durante o curso, que seja em estágios de curta duração.

E que sejam coerentes com os seus valores e ideais, quer seja num projeto de empreendedorismo, quer seja na escolha de uma empresa com que se identifiquem. E se não estão realizadas, não se acomodem, mudem! Não tenham medo de sair da zona de conforto. Estamos sempre a tempo de ser felizes.