Erros que as mulheres cometem (e você vai evitar)

Ana Torres é líder do grupo de paises da Europa Ocidental na Pfizer Doenças Raras e presidente da Professional Women’s Network Lisbon.

Ana Torres é o rosto e a voz da PWN desde 2016.

Este é um dos 62 textos que integram o livro Como Chegar Líder – 600 Conselhos de Carreira (Vindos de Quem Sabe), editado pela Redcherry. Com base na sua experiência profissional e na liderança da PWN Lisbon, Ana Torres escreve sobre os erros que deve evitar se deseja uma carreira bem sucedida.

Ignorar o mentoring

Procure desde cedo um mentor (ou mais) que lhe permita desenvolver competências não técnicas (soft skills), e que a desafiem a sair da sua área de conforto. Identifique mentores dentro da sua organização que também possam ser seus sponsors, referenciando-a quando necessário, nomeadamente recomendando-a nos momentos certos. Escolha um mentor que não valide apenas as suas convicções e ideias, mas que lhe mostre mais mundo e a acompanhe nessa viagem de aprendizagem e crescimento profissional. Não procure respostas num mentor, mas, sim, opções e formas de pensamento disruptivas, que nos possam levar a caminhos diferentes, e assim a soluções mais interessantes.

Desvalorizar o networking

“Não tenho tempo para isso…”. “Isso” pode ser a oportunidade de promoção que procura, pois se não estiver no radar dos decisores, dificilmente se lembrarão de si. Para que conheçam o seu valor, tem de se apresentar e mostrá-lo, e nem sempre esses momentos ocorrem formalmente em apresentações de negócio ou em debates estratégicos. Acontecem em ambientes informais, à hora de almoço ou numa atividade fora da empresa. Não negligencie o networking em comunidades, que aparentemente não lhe podem ser úteis em determinada fase do percurso profissional. É importante reconhecer que, por vezes, quem influência a opinião dos decisores que nos podem valorizar, não são os contactos óbvios. Existem profissionais e colegas improváveis que a podem referenciar e que nem imagina.

Ter receio de arriscar

Enquanto estiver na sua zona de conforto, não vai progredir. Não é preciso ter 100% das competências desenvolvidas para se candidatar. O crescimento faz parte do processo e pode acontecer quando já estiver a exercer uma função diferente. Não precisa de ter certezas absolutas antes de arriscar uma mudança, o risco faz parte do desenvolvimento, e assim progride mais depressa. Arriscar implica errar, e só quem não tenta é que não falha. Para inovar, tem de tentar, experimentar e errar. Este é o caminho para o sucesso e para a liderança. Arriscar também pode querer dizer encontrar novos caminhos, inovar, crescer. E não é isso que é fantástico?

Não conseguir gerir o tempo

Elevator pitch: este discurso de 30 segundos tem de estar muito bem preparado para quando a oportunidade aparecer. Ao cruzar-se com os decisores a quem se quer apresentar, deve marcar pela diferença, e isso na maior parte das vezes não acontece por acaso, é preparado e treinado. Muito importante: não tente fazer tudo, mas sim, o que é prioritário e importante, o necessário, e o que faz sentido. A vida no feminino é um corre-corre, que não nos ajuda nada. Apenas damos uma imagem de dispersão e pouco foco. Há tarefas que se ficarem para trás não trazem mal ao mundo.

Ter dificuldade em prioritizar

A vida é feita de escolhas e decisões. Então, é isso que devemos fazer, tanto profissionalmente como pessoalmente. Quando tomar uma decisão, seja firme e utilize os argumentos válidos, sem que tal seja interpretado como teimosia. Deve com frequência refletir sobre o que é prioritário na sua vida, e atuar em função dessa consciência. Assim dedica o tempo e atenção necessários para atingir os objetivos. A experiência internacional é muito importante e pode acelerar a progressão de carreira, pela diversidade de experiências e de culturas, pelas oportunidades de desempenhar novas funções, assim como pela vantagem de colaborar em projetos diferentes. A carreira internacional pressupõe que tenha um leque de opções mais alargado, e maior visibilidade, devido à exposição a mais líderes na organização

Não saber valorizar-se

No início da carreira, muitos tentam ter uma atitude paternalista para connosco. Não o fazem por mal, mas não podemos permitir que tal aconteça. Expressões desenquadradas do contexto profissional, são inaceitáveis, e deve mostrá-lo com clareza. A pouca tolerância para a diversidade de género e de idade deve ser combatida em cada expressão, em cada gesto, em cada atitude. Respeitar os outros começa por nos respeitarmos a nos próprios. Não existe quem desempenhe a nossa função melhor do que nós, e isso deve estar sempre presente na nossa mente. Não é presunção mostrar o seu valor. Se não o fizer, ninguém o fará por si. O brio e a dedicação são dos muitos pontos fortes de um bom profissional, e as mulheres levam este peso da responsabilidade ao limite, quase como se precisassem de provar tudo a toda a hora. Já que temos o custo, então tiremos o proveito.

Não deixar para amanhã o que se pode dizer hoje

Já lhe aconteceu pensar em fazer uma pergunta ou um comentário e como adiou tanto, outro acabou por fazê-lo e criou a boa impressão que seria sua por direito? Pois esta situação acontece muito mais às mulheres, e isso tem de ser alterado. A mudança começa em nós!

Mais textos em Como Chegar Líder – 600 Conselhos de Carreira (Vindos de Quem Sabe), escrito por 62 especialistas e coordenado por Isabel Canha e Maria Serina. Compre-o aqui.