O empreendedor deve pensar como o turista

Esta ideia foi defendida por Jon Acuff na EO Portugal University, que se realizou em Cascais no final de maio. O autor de seis best sellers que constam da lista do New York Times e Wall Street Journal, falou sobre motivação, um dos seus temas preferidos.

Jon Acuff, autor norte-americano de best sellers sobre motivação, falou com a reportagem da Executiva.

A motivação é a especialidade de Jon Acuff, autor de seis best sellers que constam da lista do New York Times e Wall Street Journal, incluindo o mais recente ‘Give Yourself the Gift of Done’, e também é um tema caro a quem empreende. “As metas que não cumprimos não desaparecem, tornam-se em fantasmas que nos assombram daí em diante”, observou na sua intervenção para mais de 400 empreendedores que participaram na EO Portugal University, que se realizou no final de Maio, em Cascais. “Celebramos as coisas que começamos, as que finalizamos, mas o meio do processo é a parte mais difícil e solitária.”

Juntamente com um investigador da Universidade de Memphis, Jon Acuff estudou quase 900 pessoas que trabalhavam na concretização das suas metas. Queriam saber o que era preciso para transformar alguém que começa projetos de uma forma crónica numa pessoa que os termina de forma consistente. “O que descobrimos é que é preciso acertar nos números. Se escolhermos muitas metas, o mais provável é que não consigamos cumprir nenhuma. É o que acontece com aquelas pessoas que começaram agora a correr e dizem que se estão a preparar para a maratona. Então e que tal uma meia maratona primeiro? A isto chamamos a falácia do planeamento, a crença de que conseguimos fazer bastantes coisas em menos tempo. Isto é o que acontece com as nossas metas e os perfecionistas são os piores. Um perfecionista prefere ter um zero do que um satisfaz, numa prova.” Acuff partilhou ainda outro dado: as pessoas que cortam em metade o número de metas que deseja prosseguir têm 63% mais hipóteses de serem bem sucedidas a cumpri-las. “Isto não é a solução, é a identificação de um problema de como as pessoas são normalmente más a gerir resultados e prazos. Temos que nos certificar que tanto uns como outros são baseados na realidade e não apenas em esperança.” 

“Tal como num  casamento, num negócio não podemos estar à espera de nos sentirmos motivados. Por isso precisamos de tornar as coisas divertidas, nesse processo”, Jon Acuff, autor motivacional.

Infelizmente para quem segue a sua paixão para lançar e construir um negócio, a motivação é a primeira coisa a falhar quando a tal fase intermédia traz consigo os maiores obstáculos e dificuldades. “Mas, tal como num casamento, num negócio não podemos estar à espera de nos sentirmos motivados. Por isso precisamos de tornar as coisas divertidas, nesse processo.” No seu estudo, apurou que 46% das pessoas que buscam o fator diversão na prossecução dos seus objetivos são mais bem sucedidas.

Outra receita para o sucesso empreendedor é livrar-se daquilo a que o autor chama “as regras secretas com que nos autosabotamos”, crenças geralmente erradas, como acharmos que não somos bons em determinada aptidão ou que só podemos fazer algo de uma certa maneira. Outra regra de ouro, é pertencer a uma comunidade de pares que possam estar a um telefonema de distância durante uma crise, porque as relações pessoais e o networking fazem toda a diferença nessas alturas, diz.

Para Acuff, os empreendedores precisam ainda de ter a moldura mental de um turista – não para andarem a passear pelos negócios sem compromisso, mas sim na forma como lidam com novos desafios e com a mudança. “Os turistas dão a si próprios permissão para aprenderem e, para isso, fazem muitas perguntas, não fingem ser especialistas em nada, pedem ajuda aos verdadeiros especialistas e cometem erros. Tal como eles, os empreendedores bem sucedidos não têm medo de admitir perante o desconhecido: ‘Ainda não sei, mas vamos descobrir a solução juntos’, até porque assim envolvem a equipa nesse processo.”

Todos estes ingredientes concorrem para que mais metas possam ser atingidas. “Começar projetos é giro, mas o futuro pertence a quem os termina”, remata.